02 Março 2012

até logo




…e, continuando o post de ontem, sinto que este testemunho histórico que nos chega dos primórdios da Igreja é para nós hoje um desafio imenso. Eles eram acusados de ateísmo em relação às divindades imperiais, eram reconhecidos e denunciados pela desobediência aos cultos imperiais.

Porque sinto isto como um desafio? Porque não acredito que o tempo dos impérios tenha acabado, com as suas divindades e os seus cultos instituídos. Já não das mesmas maneiras, talvez não com as mesmas “fórmulas” na maior parte dos casos, mas com a mesma lógica: dominar e manipular.

Segundo o testemunho histórico dos primeiros, umas das características de ser Discípulo de Jesus é ser reconhecido como ateu em relação aos cultos imperiais. Qual é o desafio? Perceber que existem ainda hoje cultos imperiais… perceber e percebê-los. Isto passa certamente por uma vigilância de si mesmo e um cuidado permanente da própria liberdade para não nos deixarmos manipular pelos grandes meios de embrutecimento da nossa capacidade de nos revoltarmos e reagirmos. Não há cultos imperiais à nossa volta? Não há divindades do império que já armaram um nicho de adoração dentro de nós mesmos e das nossas comunidades, sejam elas familiares, sociais, familiares ou religiosas?

O que significa hoje este ateísmo que é uma característica testemunhal dos cristãos? Ateus em relação a quê? Porque o que está em causa não é um “ateísmo dogmático” em relação a outras religiões, mas um “ateísmo prático” em relação àquilo que os poderes deste mundo divinizam e em função do qual nos obrigam a cultuar e sacrificar tantas coisas…

Há muito tempo que estas perguntas me acompanham. Já era altura de as partilhar convosco. E queria que as últimas palavras não fossem só minhas. Pedi ajuda ao apóstolo Paulo e a Tiago: “Foi para a liberdade que Cristo vos libertou! Por isso, permanecei firmes, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão” (Gal 5, 1) “Aquele que cuida com toda a atenção da Lei Perfeita que é a Liberdade e nela se mantém firme – não como quem a escuta e logo a seguir se esquece, mas como quem faz o que ela ordena – esse torna-se feliz naquilo que faz!” (Tg 1, 25)


Shalom



3 comentários:

Eugénia Pereira disse...

Olá Padre Rui!
Um dia, num encontro para catequistas, em Amarante, sugeriu a leitura de alguns livros... entre os quaia "Deus tem um Sonho", de Desmond Tutu. Gostava muito de o ler, mas não o encontro em nenhuma livraria. Dizem que está esgotado. Por acaso não sabe onde posso encontra-lo??
Desculpe a ousadia e obrigada...

Eugénia Pereira

Carlos disse...

Há poucas coisas que me façam estremecer por dentro como a contemplação de um espírito livre.À medida que me vou fazendo livre, perco medos... sinto paz. E, de facto, o que mais me indica que estou no caminho certo, é a paz que sinto quando penso naquilo que deixei, e a paz que sinto quando espero o que me está prometido. Um dos grandes desafios que sentimos é poder aproveitar em profundidade os momentos de crescimento.
É fácil dizer que ninguém pode dar o que não tem. E é verdade. Mas começo a acreditar que o que de mais precioso se pode dar, é precisamente a experiência de não ter tido algo.
Isto abre a amar o que se tem sempre. Cria liberdade... tudo aquilo que mais nos fascina.

Carlos B

Rui Miguel disse...

Olá Pe. Rui !
Venho-lhe agradecer o seu fantástico testemunho na semana passada , na festa de S. Gabriel! Gostei muito! aqui fica um video em sinal de agradecimento ! Um resumo da festa da juventude Passionista! http://www.youtube.com/watch?v=tTuQcjiCaoo&feature=channel espero que goste.

Um abraço
Rui Miguel (postulante Passionista)