19 Fevereiro 2012

Poema Criador - Sétimo Dia



Deus disse:
“Eu faço novas todas as coisas!
Novos Céus e Nova Terra, onde a maldade não exista mais.
Vinde a mim os que andais cansados e abatidos
e Eu farei de vós participantes da minha alegria e da abundância da minha felicidade.”
E fez!

A Terra inteira conheceu a sua culminação,
o fim que de maneira escondida tinha dado sentido a toda a sua génese.
Às vezes, só quando chegamos ao fim
é possível perceber para que estávamos destinados,
o que estávamos afinal chamados a sermos.

E Jesus, luminoso como um anfitrião festivo,
enCabeçava uma Nova Humanidade cantando aos quatro ventos:
“Eis a Morada de Deus com os Homens!
Como um Pai se alegra pela vida realizada dos seus filhos,
assim o nosso Deus faz Festa com todos.
Vinde, benditos do meu Pai,
que esta Hora é presente preparado desde o princípio do mundo,
herança guardada com carinho para vos ser dada
quando fosse por todos atravessada a casa da Irmã Morte que, entretanto, já não está connosco.”

De um modo misterioso,
a Criação inteira participava do brinde que todos faziam depois:
as árvores, os lagos, os pardais, as toupeiras,
a via láctea, os cardumes dos peixes, os planetas, o trigo e as montanhas…
o Universo inteiro tinha sido convocado por Deus e por Jesus para participar na Hora da Nova Criação.
Os Novos Céus e a Nova Terra eram lindos…
tudo era conhecido e ao mesmo tempo extraordinariamente novo…

E nessa Plenitude dos Tempos,
envolvendo a Mesa do Banquete e da alegria,
estavam também as tocatas de Bach e as sonatas de Verdi,
estavam os quadros mais lindos que já foram pintados pelos Homens
e as esculturas mais entusiasmantes de Miguel Angelo,
estavam peças de música flamenca que bailarinas dançavam rodopiando ao ritmo de Paco de Lucia,
estavam os desenhos gatafunhados de todas as crianças do mundo,
estavam os pratos cozinhados com mais carinho,
estavam as músicas de baile mais rapioqueiro
e sentia-se o ambiente das salas de teatro empolgadas
diante dos artistas mais completos ou dos que sabem dizer poesia,
estavam as histórias dos livros mais inspirados e a poesia dos poemas mais verdadeiros,
conviviam as personagens de Miguel de Cervantes e Pessoa,
e ouvia-se um murmúrio de todas os aplausos oferecidos na história do mundo em forma de gratidão,
das palmas dos serões à entrada das cubatas
aos aplausos emocionados dos grandes salões e coliseus da história.

Deus recebia cada um dos seus filhos como se fosse único,
de todos dizia o Nome próprio,
com um carinho interminável.
A alguns fixava com uma ternura toda especial, mais demorada,
apesar de não ser uma questão de tempo,
e ao dizer o nome deles, soava-lhes a Nome Novo,
como se descobrissem nessa Hora uma identidade que não tinham tido oportunidade de reconhecer antes,
uma vocação de que nunca lhes tinham dado experiência…

Depois, àqueles que ainda chegavam com sulcos no rosto,
Deus limpava cada lágrima com a ponta do dedo
e prometia-lhes que estava terminada toda a tristeza, luto, dor, angústia ou morte.

Deus disse:
“Vou fazer dos últimos do mundo, os primeiros da minha Festa!”
E Deus fez!

E aconteceu nessa Hora o último espanto que estava por acontecer,
inundou o coração de todos a reviravolta salvadora que Deus tinha começado no seu Cristo
e agora culminava aos olhos de todos…
Havia quem dissesse:
“O Reino de Deus chegou!”
e havia quem exclamasse:
“Então era assim o Reino de Deus…”

Concluídas todas as coisas,
Deus olhou para tudo o que estava a acontecer
e era tudo muito belo.

Não chegou mais a tarde nem houve mais manhã,
porque já não havia noite presidida pela lua nem dia presidida pelo sol.
Mas continuou, para sempre,
essa luz aberta e mansa da Manhã de Páscoa que é Jesus Cristo,
Senhor e Sentido da História que a todos ilumina.

É o Sétimo Dia!

E, no Sétimo Dia, Deus disse:
“Faça-se a Festa!”
E os Homens fizeram…
e nem Deus descansou!



5 comentários:

Rafaela disse...

QUE LINDO... QUE LINDO... QUE LINDO... QUE MAIS HÁ PARA ACRESCENTAR COMO COMENTÁRIO... ?
SÓ DÁ MESMO, PARA FECHAR OS OLHOS E SABOREAR... E CRER QUE ASSIM SERÁ... UM DIA TIVE UM SONHO QUE ERA UMA CERTEZA... NUNCA MAIS ME ESQUECE A SENSAÇÃO DE UMA FELICIDADE QUE NÃO ERA DESTE MUNDO... INTRADUZÍVEL. Mas a aridez também acontece... nesta vida do dia a dia... Por esta razão, este cantinho é um PEDACINHO DO CÉU. OBRIGADA, IRMÃO RUI, POR SER FIEL Á PROFECIA DE DEUS! Shalom, para todo@s.Rafas

Rafaela disse...

QUE LINDO... QUE LINDO... QUE LINDO... QUE MAIS HÁ PARA ACRESCENTAR COMO COMENTÁRIO... ?
SÓ DÁ MESMO, PARA FECHAR OS OLHOS E SABOREAR... E CRER QUE ASSIM SERÁ... UM DIA TIVE UM SONHO QUE ERA UMA CERTEZA... NUNCA MAIS ME ESQUECE A SENSAÇÃO DE UMA FELICIDADE QUE NÃO ERA DESTE MUNDO... INTRADUZÍVEL. Mas a aridez também acontece... nesta vida do dia a dia... Por esta razão, este cantinho é um PEDACINHO DO CÉU. OBRIGADA, IRMÃO RUI, POR SER FIEL Á PROFECIA DE DEUS! Shalom, para todo@s.Rafas

Carlos disse...

Acredito num Deus que não se isenta do dever nem permanece neutral em relação às nossas histórias. Acredito num Deus imiscuído, engajado, detectável até pelo impreciso radar dos sentidos, susceptível de ser invocado pelos motores de busca das nossas persistentes interrogações ou do nosso silêncio.

Carlos B

anareis disse...

Querida(o) amiga(o). Estou fazendo uma Campanha de doações pra ajudar os jovens rapazes que estão internados no Centro de Recuperação de Dependentes Químicos onde meu filho está interno também.Lá tem jovens que chegam só com a roupa do corpo,abandonados pela família. Eles precisam de tudo:roupas masculinas,calçados,sabonetes,toalhas,pasta de dentes,escovas de dentes,de um freezer, Roupas de cama,alimentos. O centro de recuperação sobrevive de doações,são mais de 300 homens internos.Eles merecem uma chance. Quem puder me ajudar pode doar qualquer quantia no Banco do Brasil agência 1257-2 Conta 32882-0

Anónimo disse...

Ó Rui: estavas drogado (ainda me lembro dos nossos anos de estudantes de teologia na Católica meu melro... ai aquelas aulas do Abel Canavarro... e o exame? que vergonha!) quando foste à RTP1? se não estavas, parecias. Vê lá se tens mais cuidado para a próxima. E já agora: que barrigudo em que te converteste. As cervejolas ainda fazem parte das tuas meias-manhãs?

um abraço.

Jaime