Ruah, Espírito Santo de tantos nomes,
meu Amor,
coloco-me
diante da Narrativa evangélica do Teu Jesus
e fico abismado diante do mistério pessoal
em que se tece a História de Deus Connosco.
Deus não nos dá provas de quem é
nem argumentos para acreditarmos nele;
Deus mostra que sonhos lindos anda a
sonhar
e de que maneiras nos quer fazer participar neles.
Porque, na verdade,
Deus não está centrado em Si mesmo
nem procura nunca o Seu próprio interesse,
mas, voltado amorosamente para a Sua Criação,
tem ideias, sonhos e projectos
que nos dizem respeito de maneira salvadora.
Tu, meu Amor, com um Senhorio que dá Vida, Tu que sempre
falas pelos Profetas,
és a Acção discreta desta RevelAcção.
Vem de longe o meu
encanto pela imagem da Dança e da Música para perscrutar os dinamismos do Reino
de Deus, mas cada vez as coisas ficam mais claras e belas… não como se fossem
certezas que posso compreender mas como um Abismo de Esperança e Graça que cada
vez menos me deixam indiferente. Aquele Evangelho que Tu escreveste com Jesus não é uma prova
celeste que Deus nos dá de que Jesus é divino nem um argumento para nos
tornarmos cristãos. Esse Evangelho é uma Narrativa Pessoal extraordinária que
nos insinua como é um Filho de Deus, uma provocação aberta: como se é Filho de
Deus? E os evangelhos que os meus antepassados na Fé escreveram desse Evangelho
que Tu escreveste com Jesus, não são um texto argumentativo para nos
convencerem de nada acerca dele, mas um testemunho precioso do Impacto que
aquele Jesus teve nas vidas deles.
Esquecemo-nos, meu Amor, vezes demais,
de que a Vida se tricota
sempre em ponto-narrativa,
e o decisivo da Fé tem a ver com o impacto que o Teu
Jesus provoca em nós.
A Palavra que Tu dizes em nós activa o que no ser humano
existe de mais dinâmico.
Ainda no sábado, sentando-me à Mesa na casa de amigos,
a perna de uma cadeira muita antiga se desfez porque estava totalmente carcomida
pelo bicho da madeira. Parecia nova, muito bem pousada, mas mal lhe toquei
esfarelou-se. Assim acontece com as cadeiras dos nossos poderes eclesiais e com
os nossos assentos dogmáticos, os lugares parados de onde queremos vislumbrar o
horizonte da História à luz da “fé”. Todos os absolutos se podem esfarelar e
todas as certezas dogmáticas podem ser carcomidas até desaparecerem num simples
toque imprevisível…
Quando pedi desculpa à minha amiga por ter esfarelado a
perna da cadeira tombada, ela disse que aquela não estava ali para ser usada,
não era suposto eu ter mexido. Pois… toques imprevisíveis, mexer no que era
suposto estar quieto… a desgraça do costume.
Tu és um espanto de novidade,
a perfeição do Movimento
– e nós
que nos habituamos a pensar que a perfeição é estática –
a inquietação do Reino
e a energia de Deus a impregnar a História do Mundo.
Tu és, Ruah, meu Amor,
o
odor de Cristo e o jeito pessoal desse Jesus
para quem estar à direita de Deus
não é estar noutro lado senão connosco, os seus irmãos,
comportando-se entre
nós como braço-direito de Deus,
como Filho que sai ao Pai e nos segreda todos
os segredos lá de casa
até conseguir esculpir em nós o desejo filial de sermos
Livres e Felizes.
Tu, meu Amor, és o Silêncio mais eficaz e dançante e a
Palavra mais escultural.
5 comentários:
"Tu, meu Amor, és o Silêncio mais eficaz e dançante e a Palavra mais escultural."
Quanta beleza no fecho deste texto.
Assim o sintamos.
Rui,....Ruah ......,com um senhorio que da Vida ,Tu que sempre falas pelos Profetas ,es a açcao discreta de tal RevelAcção'.
bjnhs,bjnhs.
Rui, que lindas e sentidas palavras. Que fonte de inspiração que ès... como estás tão presente Nele e Ele em ti. Anseio muito essa presença também! :)
Um abraço
Dulce
Rui, que lindas e sentidas palavras. Que fonte de inspiração que ès... como estás tão presente Nele e Ele em ti. Anseio muito essa presença também! :)
Um abraço
Dulce
As palavras mais belas são as sentidas pelo seu emissor e receptor simultâneamente! Quem as sente não pode deixar concordar com as maravilhas do mesmo Amor! Obrigado!
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