15 Janeiro 2012

Jesus ReSuscitado e o Reino de Deus



São Paulo diz que Jesus, ao ressuscitar foi ungido com o Espírito Santo, sentou-se junto de Deus Pai e foi constituído rei do Universo (Rm 1, 3-5). Isto quer dizer que Cristo Rei é a cabeça e a meta de toda a Criação.

No entanto, Cristo é alguém que não se impõe pela força. Eis as palavras da Carta aos Colossenses: “Ele é a imagem perfeita do Deus invisível. É também a cúpula de toda a Criação e o irmão mais velho de todos os seres humanos. Na verdade, foi nele que todas as coisas foram criadas, nos céus e na terra, tanto as visíveis como as invisíveis (…). Ele é anterior a todas as criaturas e todas permanecem por ele. Nós formamos com ele um Corpo e ele é a Cabeça deste corpo. Ele é o princípio de tudo e foi o primeiro a ressuscitar dos mortos, tornando-se assim o primeiro entre todos os seres. Com efeito, foi do agrado de Deus que habitasse nele a medida perfeita de todas as criaturas, tanto das que existem na como das que habitam no Céu. Foi fiel até à morte de cruz e por isso a Criação encontrou nele o seu sentido e a sua perfeição. Foi também nele que a Humanidade foi reconciliada com Deus” (Col 1, 15-20).

Jesus Cristo é rei no sentido de ser ele quem nos introduz na comunhão do reino de Deus. Uma vez constituído rei, ele decidiu reinar com todos nós. Ele é rei porque nos concedeu um mandamento capaz de nos fazer felizes a todos: o mandamento do amor fazendo que sejamos reis com ele.

Podemos dizer que Jesus é um rei que só reina com a força do amor. É por esta razão que depois da sua ressurreição ele nos deu o Espírito Santo que, em nome de Jesus nos guia para a Verdade e o Amor.

Eis o que Jesus diz no evangelho de São João: “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-13).

Quando a força de um reino é o amor, todos reinam, pois o amor cria dinâmica de comunhão entre as pessoas.

Antes da morte e ressurreição de Jesus, o Reino de Deus estava no meio das pessoas, diz Jesus no evangelho de São Lucas (Lc 17, 21). Isto quer dizer que durante a vida terrena de Jesus, o Reino de Deus estava apenas a nascer e a crescer no coração de Jesus; isto quer dizer que o Reino de Deus se identifica com o próprio Jesus, com a sua existência e modo de viver. Por onde ele passava, passava o dinamismo do Reino de Deus. Onde ele era acolhido, chegava o Reino de Deus. Quem o rejeitava, fechava-se às propostas do Reino de Deus. O Reino de Deus e a existência de Jesus coincidem.

Na verdade o Reino de Deus, antes de se espalhar pela Humanidade inteira começou a nascer no coração de Jesus como encontro de Deus com o Homem. É isto o mistério da Encarnação. Depois de Jesus ressuscitar, a interacção entre Deus e o Homem passou do interior de Jesus para toda a Humanidade. Jesus ensinou isto dizendo que tinha uma Água viva para dar, a qual ir fazer brotar uma fonte de Vida Eterna no coração das pessoas (Jo 7, 37-39).

No momento da ressurreição, portanto, o Reino de Deus passou do interior de Jesus para o nosso interior. Antes da morte e ressurreição, jesus se estava aqui não podia estar acolá; se ia para ali, não podia ir para outro sítio. Situado nas coordenadas do espaço e do tempo, a sua presença não era interior mas exterior, e não era universal mas localizada. Depois da sua ressurreição ele está simultaneamente presente a toda a Criação, porque habita as coordenadas do Espírito, que são interiores.

Na Palestina ou em Jerusalém, Jesus ia ao encontro das pessoas a partir de fora, e algumas deixavam que ele depois penetrasse o seu íntimo mais profundamente. Mas depois da morte e ressurreição, tudo muda: Jesus vem sempre ao nosso encontro a partir de dentro, da interioridade máxima da vida e, por isso mesmo, vem ao encontro de todos os seres humanos sem limitações de tempo nem lugar.

O Reino de Deus começou primeiro a desabrochar no coração de Jesus. Mas depois da ressurreição, o Espírito Santo faz que o Reino de Deus cresça no coração de todos os seres humanos.

O Reino de Deus, agora, é uma realidade interior a todos nós, pois Jesus ressuscitado, agora, aproxima-se sempre de nós através do Espírito Santo que ele nos comunica. É por esta razão que Jesus ressuscitado está sempre presente em nós. Vem todos os dias até ao nosso coração, a fim para comungar connosco.

Com a ressurreição de Jesus o Reino de Deus ficou tão perto das pessoas que está ao alcance de todos nós. Basta fazer silêncio ou contemplar com olhos treinados na Esperança os tantos Sinais dos Tempos em que Deus manifesta que o Seu Espírito está activo no mundo, para podermos entrar no nosso interior e aí nos encontramos com Cristo Rei e com todos os que reinam com ele.

A Carta aos Colossenses diz que pela ressurreição de Jesus, Deus libertou-nos do reino exterior das trevas e transferiu-nos para o Reino de seu amado Filho, o qual é interior (Col 1, 13). Era isto que Jesus queria dizer quando afirmou a Pilatos que o seu Reino não é deste mundo.

O Reino de Deus, portanto, é universal, pois está no interior de todos os seres humanos que cultivam o amor aos irmãos. O Espírito Santo convida-nos a reinar com Jesus, pois ele só quer reinar se nós reinarmos com ele. Ninguém se impõe aos outros, pois este reino assenta sobre os pilares da comunhão.

Dizer que o reino de Deus assenta sobre os pilares de uma comunhão de amor significa que a seiva que dá vida e alimenta a união do Reino de Deus é o Espírito Santo que circula por todos. Eis como Jesus explicou a comunhão orgânica do seu reino: “Permanecei em mim que eu permaneço em vós. Tal como o ramo da videira não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 4-5).

O Livro do Apocalipse diz que o Reino de Deus é a Nova Jerusalém, a morada de todos os que reinam com Cristo. Aí, Deus está junto de todos como um Pai bondoso está junto dos seus filhos. Eis as palavras do Apocalipse: “Vi então um Novo Céu e uma Nova Terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham desaparecido. E o mar também já não existia! E vi descer do Céu, de junto de Deus, a cidade santa, a Nova Jerusalém, já preparada como uma noiva enfeitada e muito bonita para receber o seu esposo. Depois ouvi uma voz forte que vinha do trono de Deus, dizendo:  “Esta é a morada de Deus entre os homens”. Ele habitará com as pessoas humanas e estas serão o seu povo. Deus estará com todas as pessoas e será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos olhos dos seres humanos. Na festa grandiosa do Reino de Deus já não há morte, nem luto, nem pranto, nem medo, nem dor, pois as primeiras coisas passaram!” (Apc 21, 1-4).

O Reino de Deus é esta presença de Jesus ReSuscitado no mais íntimo da história humana, a acção contínua do Espírito da Vida, que é Criador e Criativo… O Reino de Deus é como uma Semente que está a germinar e a endireitar o Sentido da História que nós muitas vezes torcemos, e os seus tenros rebentos perfuram a terra em tantos lados, dão-se a ver e a experimentar, ainda que silenciosamente, em tantas lugares, pessoas e acontecimentos…

Quem tiver ouvidos para ouvir, ganhará olhos para ver…
“O Reino de Deus JÁ ESTÁ no meio de vós!” (Lc 17, 21) disse-o Jesus… ainda duvidaremos?



No Primeiro Dia da Semana...
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias

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