São Paulo diz que Jesus, ao ressuscitar foi ungido com o
Espírito Santo, sentou-se junto de Deus Pai e foi constituído rei do Universo
(Rm 1, 3-5). Isto quer dizer que Cristo Rei é a cabeça e a meta de toda a
Criação.
No entanto, Cristo é alguém que não se impõe pela força.
Eis as palavras da Carta aos Colossenses: “Ele é a imagem perfeita do Deus
invisível. É também a cúpula de toda a Criação e o irmão mais velho de todos os
seres humanos. Na verdade, foi nele que todas as coisas foram criadas, nos céus
e na terra, tanto as visíveis como as invisíveis (…). Ele é anterior a todas as
criaturas e todas permanecem por ele. Nós formamos com ele um Corpo e ele é a Cabeça
deste corpo. Ele é o princípio de tudo e foi o primeiro a ressuscitar dos
mortos, tornando-se assim o primeiro entre todos os seres. Com efeito, foi do
agrado de Deus que habitasse nele a medida perfeita de todas as criaturas,
tanto das que existem na como das que habitam no Céu. Foi fiel até à morte de
cruz e por isso a Criação encontrou nele o seu sentido e a sua perfeição. Foi
também nele que a Humanidade foi reconciliada com Deus” (Col 1, 15-20).
Jesus Cristo é rei no sentido de ser ele quem nos
introduz na comunhão do reino de Deus. Uma vez constituído rei, ele decidiu
reinar com todos nós. Ele é rei porque nos concedeu um mandamento capaz de nos
fazer felizes a todos: o mandamento do amor fazendo que sejamos reis com ele.
Podemos dizer que Jesus é um rei que só reina com a
força do amor. É por esta razão que depois da sua ressurreição ele nos deu o
Espírito Santo que, em nome de Jesus nos guia para a Verdade e o Amor.
Eis o que Jesus diz no evangelho de São João: “O meu
mandamento é este: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ninguém tem
maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-13).
Quando a força de um reino é o amor, todos reinam, pois
o amor cria dinâmica de comunhão entre as pessoas.
Antes da morte e ressurreição de Jesus, o Reino de Deus
estava no meio das pessoas, diz Jesus no evangelho de São Lucas (Lc 17, 21). Isto
quer dizer que durante a vida terrena de Jesus, o Reino de Deus estava apenas a
nascer e a crescer no coração de Jesus; isto quer dizer que o Reino de Deus se
identifica com o próprio Jesus, com a sua existência e modo de viver. Por onde
ele passava, passava o dinamismo do Reino de Deus. Onde ele era acolhido,
chegava o Reino de Deus. Quem o rejeitava, fechava-se às propostas do Reino de
Deus. O Reino de Deus e a existência de Jesus coincidem.
Na verdade o Reino de Deus, antes de se espalhar pela
Humanidade inteira começou a nascer no coração de Jesus como encontro de Deus
com o Homem. É isto o mistério da Encarnação. Depois de Jesus ressuscitar, a
interacção entre Deus e o Homem passou do interior de Jesus para toda a
Humanidade. Jesus ensinou isto dizendo que tinha uma Água viva para dar, a qual
ir fazer brotar uma fonte de Vida Eterna no coração das pessoas (Jo 7, 37-39).
No momento da ressurreição, portanto, o Reino de Deus
passou do interior de Jesus para o nosso interior. Antes da morte e ressurreição,
jesus se estava aqui não podia estar acolá; se ia para ali, não podia ir para
outro sítio. Situado nas coordenadas do espaço e do tempo, a sua presença não
era interior mas exterior, e não era universal mas localizada. Depois da sua
ressurreição ele está simultaneamente presente a toda a Criação, porque habita
as coordenadas do Espírito, que são interiores.
Na Palestina ou em Jerusalém, Jesus ia ao encontro das
pessoas a partir de fora, e algumas deixavam que ele depois penetrasse o seu íntimo
mais profundamente. Mas depois da morte e ressurreição, tudo muda: Jesus vem
sempre ao nosso encontro a partir de dentro, da interioridade máxima da vida e,
por isso mesmo, vem ao encontro de todos os seres humanos sem limitações de
tempo nem lugar.
O Reino de Deus começou primeiro a desabrochar no coração
de Jesus. Mas depois da ressurreição, o Espírito Santo faz que o Reino de Deus
cresça no coração de todos os seres humanos.
O Reino de Deus, agora, é uma realidade interior a todos
nós, pois Jesus ressuscitado, agora, aproxima-se sempre de nós através do
Espírito Santo que ele nos comunica. É por esta razão que Jesus ressuscitado
está sempre presente em nós. Vem todos os dias até ao nosso coração, a fim para
comungar connosco.
Com a ressurreição de Jesus o Reino de Deus ficou tão
perto das pessoas que está ao alcance de todos nós. Basta fazer silêncio ou
contemplar com olhos treinados na Esperança os tantos Sinais dos Tempos em que
Deus manifesta que o Seu Espírito está activo no mundo, para podermos entrar no
nosso interior e aí nos encontramos com Cristo Rei e com todos os que reinam
com ele.
A Carta aos Colossenses diz que pela ressurreição de
Jesus, Deus libertou-nos do reino exterior das trevas e transferiu-nos para o
Reino de seu amado Filho, o qual é interior (Col 1, 13). Era isto que Jesus
queria dizer quando afirmou a Pilatos que o seu Reino não é deste mundo.
O Reino de Deus, portanto, é universal, pois está no
interior de todos os seres humanos que cultivam o amor aos irmãos. O Espírito
Santo convida-nos a reinar com Jesus, pois ele só quer reinar se nós reinarmos
com ele. Ninguém se impõe aos outros, pois este reino assenta sobre os pilares
da comunhão.
Dizer que o reino de Deus assenta sobre os pilares de
uma comunhão de amor significa que a seiva que dá vida e alimenta a união do
Reino de Deus é o Espírito Santo que circula por todos. Eis como Jesus explicou
a comunhão orgânica do seu reino: “Permanecei em mim que eu permaneço em vós. Tal
como o ramo da videira não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na
videira, assim também acontecerá convosco se não permanecerdes em mim. Eu sou a
videira e vós os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto,
pois sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 4-5).
O Livro do Apocalipse diz que o Reino de Deus é a Nova
Jerusalém, a morada de todos os que reinam com Cristo. Aí, Deus está junto de
todos como um Pai bondoso está junto dos seus filhos. Eis as palavras do
Apocalipse: “Vi então um Novo Céu e uma Nova Terra, pois o primeiro céu e a
primeira terra tinham desaparecido. E o mar também já não existia! E vi descer
do Céu, de junto de Deus, a cidade santa, a Nova Jerusalém, já preparada como
uma noiva enfeitada e muito bonita para receber o seu esposo. Depois ouvi uma
voz forte que vinha do trono de Deus, dizendo: “Esta é a morada de
Deus entre os homens”. Ele habitará com as pessoas humanas e estas serão o seu
povo. Deus estará com todas as pessoas e será o seu Deus. Ele enxugará todas as
lágrimas dos olhos dos seres humanos. Na festa grandiosa do Reino de Deus já
não há morte, nem luto, nem pranto, nem medo, nem dor, pois as primeiras coisas
passaram!” (Apc 21, 1-4).
O Reino de Deus é esta presença de Jesus ReSuscitado no
mais íntimo da história humana, a acção contínua do Espírito da Vida, que é
Criador e Criativo… O Reino de Deus é como uma Semente que está a germinar e a
endireitar o Sentido da História que nós muitas vezes torcemos, e os seus
tenros rebentos perfuram a terra em tantos lados, dão-se a ver e a
experimentar, ainda que silenciosamente, em tantas lugares, pessoas e
acontecimentos…
Quem tiver ouvidos para ouvir, ganhará olhos para ver…
“O Reino de Deus JÁ ESTÁ
no meio de vós!” (Lc 17, 21) disse-o Jesus… ainda duvidaremos?
No Primeiro Dia da Semana...
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias

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