No outro dia pode vir apenas o mesmo “1” de sempre, mas na folha de um calendário novo. Só que isso muda tudo… porque ainda se notam em nós muitas coisas da simplicidade perdida, aquelas “marcas de nascimento” nas quais o próprio Deus nos reconhece como obra das Suas Mãos e Vida das Suas Entranhas. A verdade é que não precisamos de muitas e complicadas coisas para emergir dentro de nós a necessidade de pregar uma rasteira ao Tempo e obrigá-lo a correr mais devagar, enquanto se levanta e não levanta da nossa partida… Levamos dentro de nós a extraordinária necessidade de Marcar o Tempo que passa, inscrever-lhe marcas no corpo – como se de pessoa se tratasse! – que são como certificados de pertença: és nosso, Tempo; és um Dom que Deus nos ofereceu para nos ocuparmos da tarefa da nossa Vocação, para nos fazermos à Sua Imagem e Semelhança.
Precisamos dos Ciclos e das Rotinas para nos sentirmos Seguros; mas precisamos da Festa e do Exagero para nos sentirmos Vivos! Porque fomos feitos para a Festa, para a Glória de estarmos Vivos, para o ritmo dançante da Existência mais plena e duradoura.
É por isso que a seguir pode vir apenas o mesmo “1” de sempre… mas é AQUELE “1” em nome do qual foram desarmadas as guardas e baixadas as defesas, gostámos de estar com pessoas e preferimos viver do que não viver. E quando estas coisas acontecem estamos a tocar no que em nós é Eterno…
É verdade que muitas destas manifestações são desprovidas de sabedoria e sentido? Às vezes são… mas só Deus vê bem o que acontece no íntimo de cada um, de cada geração e de cada cultura, só Deus conhece os porquês e as histórias de cada gesto e opção. No que me toca, peço a Deus que me liberte sempre da Ingenuidade na mesma medida em que lhe peço que me cure da tendência de Julgar.
Apesar de tudo, continuo convencido que não há Maravilha Natural mais espantosa de contemplar do que uma Pessoa de bem com a Vida; é uma Paisagem de Eleição alguém que veste confortavelmente a própria pele, pacificado com a sua História e amigado com o “bichinho da esperança” que tece sempre sonhos novos no casulo aberto do nosso coração.
E ver o Ser Humano em Festa é um vislumbre do Futuro definitivo, o que na linguagem da Fé se chama “o Fim do Mundo”, a Meta da Criação! Ver o Ser Humano a Celebrar é vê-lo a realizar aquele mandato criacional de “ser fecundo” e “assumir o Senhorio da terra”; porque de cada vez que Celebra o Tempo que Vive desobedecendo às regras do Tempo que Passa, está a gerar a Vida que não acaba e a manifestar que, de facto, Deus fez de nós alguma coisa mais importante do que tudo o que existe, capazes de desobedecermos a tudo o que se impõe a todos os animais, capazes de desobedecermos até às leis da morte.
Por um momento paramos, da Austrália à costa este do continente americano, como se uma onde de Celebração da Vida percorresse o globo, como uma Onda Aleluiática só comparável àquela da Vigília Pascal em que a Notícia da Potência do Espírito de Deus a acontecer em Jesus vence a noite para começar a percorrer a Terra inteira. E a verdade é que, de cada vez que somos capazes de formar esta Onda Aleluiática, proclamamos que o definitivo da História Humana está pintado nas linhas evangélicas de um Sepulcro Vazio e limpo. E a Notícia, claro, de que Alguém está à nossa espera ali um pouco mais à frente, só um pouquinho mais à frente…













