A Carta aos Hebreus é um dos escritos menos conhecidos do Novo Testamento. É um diálogo com as primeiras gerações de discípulos de Jesus que provinham do Judaísmo (Hebreus) em que, usando linguagem do culto e da tradição bíblica judaica, se anuncia a Boa Notícia da Ressurreição de Jesus como princípio de uma Nova Aliança.
Então, utilizando linguagem judaica, conclui que uma Nova Aliança implica uma Nova Lei, um Novo Culto e um Novo Sacerdócio… Na perspectiva do autor anónimo desta Carta, estes “Novos” todos vêm de Deus e devem ser acolhidos porque realizam as três coisas que a Antiga Aliança (Sinai), a Antiga Lei (Mandamentos), o Antigo Culto (Templo) e o Antigo Sacerdócio (Levitas) se pretendiam fazer e não conseguiram: levar à perfeição, perdoar os pecados e aproximar de Deus.
O tema da Carta vai andando sempre por aqui, e é nela que o Re-Suscitado é apresentado, usando linguagem do culto judaico, como Sumo-Sacerdote, ou seja, Mediador. Não já como os sacerdotes do templo, os levitas, mas como um sacerdote–mediador constituído por Deus pela força do Espírito Santo. Não um sacerdócio que se multiplica em inúmeros sacerdotes, mas um sacerdócio único e eterno que ele mesmo exerce, e só ele, uma missão de mediação que consiste no seu lugar de Filho de Deus Pai e irmão de todos os Homens.
Quando se entende a linguagem utilizada é, sem dúvida, um dos escritos mais bonitos do Novo Testamento. Além do alcance teológico, chega a momentos de verdadeira poesia na maneira como fala da ressurreição de Jesus como acontecimento salvador para todos. Ele, sendo Filho de Deus e Vivente no Espírito, conhece a nossa condição, os nossos sofrimentos, passou pela "prova" de existir e chama-nos "irmãos". Por isso, a Salvação é um mistério profundo de solidariedade do Filho de Deus connosco, seus irmãos: "Ele nao veio ocupar-se com anjos mas sim com a descendência de Abraão [connosco!]. E tornou-se, por isso, em tudo semelhante aos irmãos para ser, diante de Deus, um Sumo-Sacerdote [Mediador] Misericordioso e Fiel e, assim, purificar os pecados do seu povo. Pois, tendo ele mesmo passado por esta prova, é capaz de socorrer os que são provados!" (Heb 2, 16-18) "Assim é o Sumo-Sacerdote [Mediador] que nos convinha" (Heb 7, 26)
Enquanto explica estas coisas, o autor da Carta faz lá um parêntesis a meio, nitidamente arreliado com a “lentidão” daqueles para quem escreve… “Muitas coisas teríamos a dizer sobre isso, e a sua explicação é difícil porque vos tornastes lentos à compreensão! Pois deveríeis, com o tempo, ter-vos tornado mestres, mas necessitais que novamente vos ensinem os primeiros rudimentos da revelação de Deus. Precisais de leite e não de alimento sólido!” (Heb 5, 11-12)
Depois, diz-lhes que é altura de deixar de lado o “ensinamento elementar sobre Cristo” que consiste nestes “ensinamentos fundamentais:
arrependimento das obras mortas (conversão dos ídolos) e Fé em Deus;
doutrina sobre o Baptismo e imposição das mãos (ministérios na comunidade);
ressurreição dos mortos e juízo eterno (projecto salvador de Deus)”. (Heb 6, 1-3)
É nestes três pontos que estão, segundo o autor desta Carta, os alicerces da experiência madura de Fé. Esta é a base… Conversao-Fé, Baptismo-Ministérios, Ressurreição-Salvação.
E agora gostava de partilhar contigo o que ele diz logo a seguir… Falando do perigo de desperdiçar tudo isto, ele fala do privilégio “dos que foram iluminados”. Quem são estes ILUMINADOS?

Não são pessoas “especiais” dentro da Comunidade, mas os próprios membros da Comunidade! Os Iluminados são os Baptizados, todos! Na Igreja primitiva chamou-se durante muito tempo ao Baptismo "sacramento da Iluminação" pelo seu significado de “passar das trevas à luz”, “da morte à vida” ou “das obras da noite para as obras do dia”. Por outro lado, era também a inserção plena na comunhão dos discípulos de Jesus, aqueles que nasceram na manhã de Páscoa pela experiência do Re-Suscitado que nos evangelhos se diz assim: “Nós Vimos!”
“Ver”, nos evangelhos, é um verbo que traz consigo o eco da experiência pascal, assim como as curas de cegos são sempre catequeses baptismais muito ricas.
Mas, afinal, quais são, segundo o autor da Carta, os privilégios dos Iluminados?
“Estes saborearam o Dom de Deus,
receberam o Espírito Santo,
experimentaram a Beleza da Palavra de Deus
e a Força do mundo que há-de vir!” (Heb 6, 4-5)
Os Baptizados, depois de terem aderido ao anúncio Pascal e terem feito um caminho catecumenal de mergulho da própria vida no Mistério do Filho Re-Suscitado, eram admitidos à plena pertença comunitária com aqueles que procuravam crescer na fidelidade a estes privilégios…
Todos eles são DOM, não conquista ou mérito pessoal… São Dom de Deus para todos! Mas implicam mediações, descoberta, contextos, colaboração, desejo, encantamento…
Nos próximos dias, gostava de aparecer por aqui para saborearmos juntos estes quatro privilégios dos Iluminados, os Baptizados no Mistério de Cristo, os Mergulhados no banho Recriador do Espírito que se abriu como uma Fonte Inesgotável de Vida na Hora da sua Ressurreição…
Não consigo imaginar melhor maneira de fazermos juntos a PASSAGEM de Ano.
Até já! SHALOM




Senhor Re-Suscitado, Jesus Nazareno, Mestre,





Ora isto vem a propósito de alguém que voltou… Lembram-se do Emanuel, o cartoon que apareceu pela blogosfera no ano passado por esta altura? Ele andava há uns meses “por aí”, foi o que ouvi dizer, sem aparecer lá pelo blog dele… Apareceu, entretanto, há umas semanas lá no sítio do costume, e ontem novamente! E apareceu com isto… 
