17 Setembro 2014

"ORA VÊ" é o nome de um projecto de oração partilhada que o fotógrafo Miguel Cardoso me propôs.
A ideia é simples: eu ponho por escrito um momento de oração a partir de uma fotografia dele. Depois, partilhamos com todos. 
Por agora, podes ir acompanhando na página do facebook: www.facebook.com/oraveonline



Pai de Jesus e Pai Nosso, o Teu Filho uma vez disse, lá naquele Monte das Bem Aventuranças, uma conversa de flores e pássaros que me deixa a pensar. "Olhai os lírios do campo, como são belos... E os pássaros que andam a voar..." E eu, ainda antes de olhar, sempre me pergunto o mesmo: "Quem diria que para entrar na lógica do Reino de Deus era preciso aprender a contemplar flores?!"

Às vezes a gente acha que basta um espiritualismo frio e vazio, sem mundo, sem terra nem história, de mãos postas e olhos fechados! Outras vezes, entusiasmamo-nos por uns segundos e embalamos num activismo sem espírito nem motivos profundos, que dificilmente se aguenta nas horas de fracasso que sempre vêm.

Então, voltam as flores, cheias de beleza... E os pássaros, cheios de graça... E o Teu Jesus, cheio de razão!

Para entrar na lógica do Teu Projecto, o tal chamado "Reino", é preciso aprender a simplicidade e a lógica da Criação, os ritos e os ritmos inscritos nas coisas pequenas e as esperanças entaladas na garganta dos mais pobres.

Entrar no Teu Reino é dar largas ao Coração, desfronteirar a existência, aprender a abrir-se, expondo-se em toda a fragilidade, sugando o Mistério da Vida que nos envolve de todos os lados e entregando-se a ele sem reservas. Entrar no Teu Reino é descalçar os pés diante do sofrimento das pessoas, porque sabemos caminhar em terra sagrada quando alguém nos oferece de presente a cartografia das suas dores. E descobrir, acima de tudo, aquele jeito de Jesus viver todas as coisas e estar com todas as pessoas... Por isso, Pai Nosso, tenho a certeza que apanhar a lógica do Teu Reino é ajesusar a vida, ganhar a pinta e o estilo daquele Nazareno que me atrai como mais ninguém.

E isso também implica ganhar olhos capazes de contemplar a Criação e aprender dela a ser mais simples, confiado e generoso.









16 Setembro 2014

Levanta os olhos e conta, se és capaz....





 


 A narrativa de Abraão, pelas páginas do livro bíblico do Génesis, coloca-nos diante de uma situação que nos é muito familiar: 

Abraão, um homem de muitas possibilidades, tinha apenas uma impossibilidade, que foi precisamente aquela pela qual ficou conhecido: não tinha um filho. E desde que Deus se põe a fazer caminho com Abraão, o tópico maior de conversa entre eles é sempre este.

E Deus, sempre à grande, põe-se a sonhar para o seu amigo Abraão uma descencência numerosa, um grande povo (aliás, vários povos) e alarga-lhe a vista para lhe fazer promessas de que dele sairão reis de nações, que só quem puder contar os grãos do pó da terra, poderá contar os seus descendentes.
Ao todo são cinco vezes, em muito poucas linhas, que Deus promete, a um Abraão desejoso de um filho, uma descendência numerosa.
E Abraão, ou nada diz ou quando se propõe a responder é simplesmente para dizer: "Mas Senhor, continuo sem um filho..."

Deus a sonhar para Abraão uma descendência numerosa para lá do que o olhar é capaz de enxergar, e Abraão a suspirar por um filho apenas que seja.
E o tempo vai passando... até que Deus, pela primeira vez, muda a perspectiva da promessa:
"Eu abençoarei a tua mulher, Sara, e dela te darei um filho. Ela dará à luz no próximo ano."
E a esta promessa, Abraão, atira-se para o chão a rir....

Abraão ri, quando o "impossível" se faz tarefa concreta dele.
E esta não vai ser a única vez.

E este retrato de Abraão, é o nosso tantas vezes, porque é tão mais fácil acreditar nas coisas altíssimas que não nos comprometem, do que nas coisas baixissimas que nos implicam inteiros.
É quando o "impossível" se torna tarefa nossa que deixamos de dizer "amen" e a vontade de rir aumenta.
Mas é mesmo assim que Deus se põe a fazer caminho, não apenas com Abraão, mas também connosco hoje...

15 Setembro 2014

profissão de Fé



Amor e Paz
escritos em Árabe podem entrelaçar-se e dar forma 
a um símbolo de Esperança

14 Setembro 2014

História, Humanização e Vida Eterna




Quando olhamos a História tendo como pano de fundo a eternidade, o tempo ganha um sentido e uma importância fundamental. À luz da eternidade, a História surge como o ventre em cujo interior emerge a vida pessoal-espiritual, atingindo a sua densidade de Vida Eterna. É na História que a pessoa se compromete na tarefa da sua humanização ou bloqueia este processo em si e nos outros.

À luz da fé, o ser humano é divinizado na medida em que se humaniza no tempo que lhe é dado. De facto, a vida pessoal, por ser espiritual, tem consistência eterna. Vista à luz da eternidade, a vocação fundamental da pessoa humana é realizar-se como pessoa mediante o amor.

Se o tempo nos é dado para construirmos a nossa realidade pessoal e eterna, então o tempo deve ser tomado a sério e aproveitado. Olhando as coisas sob este prisma, as manhãs surgem como um convite a aproveitar o novo dia como mais uma oportunidade para realizarmos no tempo o que seremos eternamente.

Quando olhamos a História com os horizontes da eternidade, o amor ganha sabor a vocação fundamental, pois é por ele que podemos viver o amor neste dia único e irrepetível. Se o vivermos de modo empenhado, a pessoa emerge em cada dia com uma novidade chamada a enriquecer o património definitivo da comunhão universal do Reino de Deus.

Por outras palavras, é hoje o tempo de configurarmos a identidade pessoal que desejamos ser para sempre. Na verdade, a nossa identidade espiritual coincide com o nosso jeito de amar. Comparando a dinâmica da vida eterna à festa de umas bodas, podemos dizer que a pessoa humana “dançará” eternamente o ritmo do amor com o jeito que tiver treinado na história.

É agora, portanto, o tempo de moldarmos a nossa capacidade de comungar com os outros no Reino de Deus. Hoje mesmo podemos reorientar o nosso jeito de conviver na festa da vida eterna, mudando o modo de nos relacionarmos com os demais. Hoje é o dia em que podemos burilar e aperfeiçoar o nosso modo de nos relacionarmos e comungarmos com as pessoas divinas, as humanas e todas as outras que possam fazer parte da Comunhão Eterna da Família de Deus.

Por outras palavras, é agora o tempo de edificarmos a plenitude da vida que ultrapassa a morte. Na verdade, o dia de hoje é importante, pois é um tempo que Deus nos dá para edificarmos o que havemos de ser para sempre.

Deus criou-nos inacabados, a fim de nos irmos realizando no tempo, estruturando assim a nossa história pessoal. Com efeito, nós somos os gestores do nosso tempo, condição indispensável para decidirmos no dia a dia da nossa vida o que seremos ser eternamente. Visto à luz da eternidade, o tempo para os seres humanos não é uma mera sucessão de instantes que se juntam para dar consistência e configuração aos segundos, aos minutos, às horas, aos dias, anos, séculos ou milénios.

Como vemos, o tempo é muito mais do que aquilo que os relógios e os calendários contabilizam. À luz da Palavra de Deus cada dia é para o Homem um “kairós”, isto é, a hora de Deus e a oportunidade de o Homem, orientado pelo Espírito Santo, realizar a pessoa que deseja ser eternamente.

Hoje é o dia em que o Espírito Santo nos interpela e ilumina, a fim de completarmos, em nós e no mundo, a criação de Deus. O maior perigo do dia de hoje é a decisão de matar o tempo, pois isto significa decidir não emergir nem crescer como capacidade de comungar mais com Deus e os irmãos. Compete-nos a nós dar a última palavra sobre a fecundidade do dia de hoje.

Na verdade, neste dia temos a possibilidade de dar um salto qualitativo, conferindo à vida uma densidade nova e, deste modo, enriquecer a nossa plenitude definitiva. As pessoas que a longo da sua vida tomaram o tempo a sério, atingiram uma maior realização pessoal e fizeram a Humanidade avançar.

Estamos a tocar o mistério do ser humano cuja realização é um processo histórico. Deus criou-nos inacabados, a fim de completarmos a sua obra, realizando-nos de modo livre, consciente e responsável. Surgimos na vida com um leque de talentos ou possibilidades que podemos realizar ou não. Realizando-os fazemos emergir a pessoa que vai brotando no nosso íntimo como capacidade de comunhão fraterna.

Hoje é o dia em que podemos realizar as nossas possibilidades ou talentos fazendo emergir o nosso ser pessoal. À medida em que vamos construindo a pessoa que temos como tarefa realizar, o Espírito Santo vai-nos configurado com Jesus e incorporando na Família Divina.

Deste modo Jesus Cristo se torna o primogénito entre muitos irmãos. Eis o que diz São Paulo a este respeito: “Porque àqueles que Deus conheceu desde os tempos primordiais, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho, de tal modo que ele é o primogénito de muitos irmãos” (Rm 8, 29).

Se, mediante o amor, nos humanizarmos mais neste dia, é hoje que o Espírito Santo nos configura com Jesus Cristo e nos leva a chamar a Deus “Abba”, isto é, papá (Ga 4, 4-7). No coração do homem configurado com Cristo o amor tem um lugar especial, capacitando-nos para vencermos o egoísmo que é a lei da selva.

O tempo é, pois, o alfobre onde as nossas possibilidades atingem o nível de realizações definitivas. É em génese temporal que emerge a pessoa livre através de decisões, escolhas e opções na linha do amor.

No Primeiro Dia da Semana...
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias




13 Setembro 2014

Anunciação

Não tenho palavras, nem entendo
formas visíveis.
Elas vêm concretas como aragem
a que dou nome.
Tenho-me, eis tudo. Acontece.
Há uma folha que desce,
que sobrenada, que desce,
que submerge no ar e depois desce
longe de mim no ar fundo.
Nós não somos deste mundo.
Fresca e limpa como a chuva,
ouço a tua voz cantada
descer do céu ao silêncio
que vem da terra molhada.
Nós não somos deste mundo.
Ouso dizer-te o meu nome
como quem se atreve a dar-te
a minha imagem.
Nós não somos deste mundo.
O que não vejo, entendo.
Pelos rios do meu sangue,
atrevo-me.
Anoitecendo, a vida recomeça.
Dou-me em palavras
que ressuscitam.
Algures no céu amanhece.
Só, intranquilo, pela vereda, desce
o nómada meu amigo.

Ruy Cinatti




12 Setembro 2014

Procurar

É giro descobrir que nalguns locais do país a palavra PERGUNTAR é substituída por PROCURAR.

"Vai ali procurar à Filipa, o que ela quer!"



Por isso, de cada vez que nos interrogamos sobre quem é Deus, estamos a procurar!
E quem procura, sempre encontra.
Não sei o quê...
Mas sei que não vai só!

Quem procura, esforça-se por descobrir algo
Parte à aventura e arrisca descobrir, até mesmo o que não quer...

Porque sabe que aquilo que quer
É ser algo que ainda não é
Que ainda não sabe
E que ainda não viu...

Porque há sempre mais!

11 Setembro 2014

VELHOS



Encantam-me aqueles Velhos, cuja vida longa e ar feliz  é, claramente, uma graça imensa de Deus… dada a nós, os mais novos! Ainda que sejam daqueles Velhos que só sabem assinar de cruz, quanto saber feito de experiência e quantos olhares tão mais sábios que os nossos, que nos achamos cultos e actualizados…

Questionam-me aqueles Velhos, cuja vida se chama abandono, desaparecido que foi o contexto familiar alargado em que velhos, menos velhos e crianças se faziam uns aos outros em com-panhia. Mesmo com vícios e falhas, tornava impensáveis os extremos de solidão e desespero que hoje saltam à vista, e são notícia recorrente do telejornal…

Doem-me aqueles Velhos, escondidos em lares que não são LAR. Onde não cheira a ternura nem a família. Onde  cheira a feridas incuradas e silêncio. Onde uma higiene estéril mata as capacidades ainda vivas em tantos deles…


Esperançam-me aqueles Velhos que fizeram dos seus dias um Milagre de doação. Nada detiveram. Nada têm. Nada lhes falta. Os Pobres se encarregam de que não lhes falte Água, Pão e com-panhia…




São homens e mulheres em corpos já murchos, mapeados de rugas. Reagem à ternura com ternura e aos abraços com abraços embora a vida aconteça neles agora a um outro ritmo que, na nossa pressa desatenta, dificilmente entendemos, muito menos aceitamos como profecia…
Negamo-nos a ler nos seus olhos as lições que têm para a nossa  infância promissora ou adultez vigorosa E vamos desvivendo.

A ciência e a medicina aprenderam a prolongar os anos mas não ensinaram os mais novos a descodificar as alterações biológicas e comportamentais que isso traz - as memórias a esboroarem-se… o esquecimento de quem são ou de quem são hoje os seus amados de ontem…. Alguns de nós irão acabar assim… Sem saber os nomes dos que nos são próximos e olhando perdidos o vazio…

Entretanto, nós, os que sabemos quem eles são, preferimos esquecê-lo deitando para trás das costas a Memória, que inscreve nas relações a Gratidão, a Alegria, o Perdão que nos restaurariam a nós e a eles… Porque nem tudo é linear nem belo nem humano na vida da gente…Na nossa nau navega tudo – o desmesuradamente bom e o incrivelmente mau de que somos capazes. Todos nós. Sem excepção!!!









Insensatez de coração a nossa quando menosprezamos o fio da História e o simples e natural envelhecimento que a todos toca, preferimos negar as evidências e esconder medos…

Também quando perdemos o sentido do valor de um sorriso ou de uma carícia que, passando como brisa suave saram, como que por encanto, todas as dores...

Também quando esquecemos a força de um mimo que pode encher de Graça um dia! Todos os dias!


 “Era velho e ouviste as minhas estórias, mil vezes repetidas e, quando fiquei com Alzheimer e deixei de “dizer coisa com coisa”, não te riste de mim, cuidaste de mim com mais ternura ainda”. "Mt 25"




Felizes os que ajudam com Misericórdia, porque esses serão ajudados com Misericórdia Mt 5

10 Setembro 2014

Os milagres de Jesus continuam cheios de actualidade quando nós percebemos que um milagre não é um momento de magia mas uma decisão de mudar de vida.

08 Setembro 2014

sabe bem




do blog Anawîm

"Sabe bem ver um sorriso sincero
Sabe bem acreditar que é possível a felicidade aqui e agora
Sabe bem sentir que fazemos parte de alguns sorrisos, nem que seja só um bocadito

Sim, há vidas muito duras,
Sim, há gente cruel,
gente que leva escrita no rosto mil histórias cruéis que sofreram
mil histórias cruéis protagonizadas por gente cruel

Mas há dias, muitos, em que...
... sabe bem ver rostos luminosos
olhos que sorriem
abraços que dão
gente das mesmas gentes
mas livres
e mais livres
e mais livres
Sabem quebrar essa corrente, esse condão maldito e diabólico
das mil histórias cruéis que ferem os rostos, os olhos, os abraços
quebram essa corrente que prendem e que não deixam respirar e sorrir

Os Livres são como chuva miudinha ou brisa fresca em dias de demasiado calor

Sabe bem acreditar que sim
SIM! É POSSÍVEL SER FELIZ
E NÃO TER MEDO DISSO!


Às vezes gostaria de ter vivido, nem que fossem uns segundos, perto de ti,
meu Yeshuah, lá por aqueles lados de Nazaré, ou junto ao Lago...
Mas verdade verdadinha, não sei se nesses dias eu saberia entender-te
ver realmente quem tu eras
porque cada vez mais vou percebendo que ÉS cada vez mais neste AGORA que vivo
A Ruah, essa seiva de vitalidade que deixaste a correr nas tuas veias deste Corpo que somos
tu e eu
alimenta-me a vida e o olhar
e vou vendo como tu estás hoje mais que nunca na beleza,
no sorriso,
e também na dor e no absurdo,
e ainda mais quando se assume tudo isso como oportunidade de crescimento e superação
somos sempre mais do que somos
e sei que é assim que tu e o Pai, que são Um, nos vês
Somos sempre o que ainda não acabámos de ser

E estás
estás sempre
sempre no hoje e no agora

É Hoje que a Vida está a acontecer a manifestar-se,
não ontem ou amanhã
Quase me apetece dizer da Vida o que disseste tantas vezes do Reino do Abba
A Vida de Deus está próxima...
... e que sabor delicioso tem esta expressão...

A Vida de Deus está próxima
está perto.
A Vida de Deus está próxima, e já chegou...

A Vida de Deus é como um homem que saiu a semear...
A Vida de Deus é como uma semente de mostarda...
A Vida de Deus é como o fermento que a mulher usa...
A Vida de Deus é como um pai de família que plantou uma vinha...
A Vida de Deus é como um pedaço de tecido novo...
A Vida de Deus é como o vinho novo...
A Vida de Deus é como um juiz injusto e uma viúva persistente na esperança...
A Vida de Deus é como um campo...
A Vida de Deus é como um tesouro escondido...
A Vida de Deus é como um negociante que procura...
A Vida de Deus é como uma rede que é lançada ao mar...
A Vida de Deus é como um pai que tinha dois filhos...
A Vida de Deus é como um pastor que deixou as 99 ovelhas no deserto para ir buscar a que perdeu...
Dificilmente um rico entrará na Vida de Deus...
A Vida de Deus é como um proprietário que saiu para contratar...

Felizes os de mãos abertas para acolher e para dar... porque deles é a Vida de Deus
Felizes os que sofrem a injustiça... porque deles é a Vida de Deus
Pelo caminho, proclama que a Vida de Deus está próxima
... enviou-os a proclamar a Vida de Deus e a curar os doentes...
A Vida de Deus não vem de maneira espetacular. Ninguém poderá afirmar: 'Está aqui' ou 'Está ali', porque a Vida de Deus está entre nós
Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar na Vida de Deus

E a Vida de Deus acontece diante dos nossos olhos...
Suplico-te que escrevas em mim este evangelho, esta boa notícia tão tua!

É sempre Hoje que tudo começa



E agora deixa-me só cantar-te esta música baixinho, Yeshu...
debaixo de uma árvore baobá qualquer
... e deixa-me escutá-la de ti também"


07 Setembro 2014

A Presença Íntima de Deus



Deus nunca está longe de nós, pois a sua morada é a interioridade máxima do Universo!
Isto significa que Deus habita no limiar do nosso do nosso coração.

A morada de Deus é um campo espiritual contínuo de interacções amorosas, 
constituindo a interioridade máxima do Universo. 
No ponto onde termina a nossa interioridade espiritual limitada, 
começa a morada de Deus infinita e ilimitada.

A Divindade é um Deus sempre presente. 
O ponto de encontro entre nós e Deus é o nosso coração.
Apesar de estar tão próximo, Deus nunca nos invade. 

Deus é amor, Diz a Primeira Carta de São João (1 Jo 4, 7).
É esta a razão pela qual ele nos toma tão a sério. 
A sua vontade coincide sempre com o melhor para nós.

O Deus que Jesus nos anunciou é fiel e verdadeiro. 
Nunca nos manipula nem joga com a nossa vida.

Quando abrimos o coração ao amor, 
o Espírito Santo torna-se em nós uma presença criadora 
que nos faz renascer para a Vida Eterna.
O Livro do Génesis diz que o Espírito Santo é o Hálito da Vida 
que nos faz emergir para a Vida Espiritual:
"Então o Senhor Deus formou o Homem do pó da terra 
e insuflou-lhe pelas narinas o hálito da vida 
e o Homem transformou-se num ser vivo” (Gn 2, 7).

É pelo Espírito Santo que comunicamos de modo familiar 
com Deus Pai e com o Filho de Deus (Rm 8, 14-17).

Sem a sua acção, Espírito Santo, nos nossos corações, 
a sua Palavra, em nós, era apenas letra que mata, como diz São Paulo (2 Cor 3, 6).
Com seu jeito maternal de amar, 
o Espírito Santo é o grande animador do mistério da encarnação, 
dinamizando a união orgânica que existe entre o Filho Eterno de Deus 
e Jesus de Nazaré, o Filho de Maria.

Ele é a Água Viva que faz brotar no nosso coração uma fonte de Vida Eterna (Jo 7, 37-39).
Ele é a ternura maternal de Deus que optimizou o amor maternal de Maria, 
a fim de ela amar o seu filho ao jeito do próprio Deus.

São Paulo diz que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).
A Primeira Carta aos Coríntios diz que o Espírito Santo habita nos nossos corações 
como num templo (1 Cor 3, 16).

O Espírito Santo é o sangue de Cristo ressuscitado a circular nos nossos corações (Jo 62-63).
O Espírito Santo é o grande animador das relações de amor entre as pessoas, 
inspirando-lhes constantemente atitudes novas, 
a fim de fortalecer a comunhão fraterna entre elas.





NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias









06 Setembro 2014

Dobrada à Moda do Porto


"Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio."


por Álvaro de Campos
  

05 Setembro 2014

DeVagar

O Amor de Deus Criador, não tem outra forma...
Só sabe vir devagarinho e em silêncio. Como que a escutar os nossos passos, sem impor os seus...

Não impõe, é assim que cria!
É assim que nos transforma e molda.
É assim que nos faz felizes...

Ele sabe que somos filhos desconfiados, que levam o seu tempo.
Somos seres de tempo(s)...

Agora sim!
Agora não!

Com a nossa permissão e, tantas vezes, sem nos darmos conta ele vai-se revelando em nós!

Acredito que é assim...
Não tem outra forma....

Devagar,
E com vagar...


Quero apre(e)nder isto de ti bom Deus!
Devagar, e com vagar...

Devagar, e com vagar...

Devagar, e com...

Devagar, e...

Devagar...

Porque só a inquietude, me dá pressa...
E só a calma, me dá quietude!

Em ti... sossego...

04 Setembro 2014

acabaram as férias!

a flor de sal... à flor da Vida...

Coisa boa é o sal; mas se perder o seu sabor, como há de ele temperar? Se o sal não salgar…
 Lc 14, 34-35


ELES, Maria, José, Pedro, Tiago, João, Matias, Timóteo (…) Anselmo, Crisóstomo, Justino, Inácio (…) Francisco, António, Bernardo, Bento, Teresa, Lutero, Xavier, Vieira, Celeste, Afonso, Gerardo, Clemente (…) Gandi, Luther King, Roncalli, Dietrich, Aristides, Schindler, Sophia, Santos, Mandela (…) 

E… TANTOS, tantos, tantos, FELIZES, vindos dos 4 cantos da Terra, cujo nome não ficará na História nem no Santoral, foram de muitos modos, o sal da Terra, sal que salgou...



E Nós, Pedro, Fabíola, João, Paulo, Joaquina, Francisco, Ana, António, Miguel, Fernando, Rui, Maria, Inês, Mariana, Carlos, José, Manuela, Graça, Abel, Emília, Vasco, Andreia, Ricardo, Isabel, Teresa, Joana, David, Conceição, Victor, Alice, Jorge, Branca, Tânia, Ana Paula, Zélia, Eduarda, Mónica, Jonathan, Maria Luísa, Nealtina, Carolina, Silvina, Fabiana, Rui Pedro, Ana Rosa, Abraão, Armanda, Delfim, Maria João, Mafalda, Maria Lúcia, Fernando, Marco, Gustavo, Filipa, Leonor, César, Ilda, Crisanta, Silvério, Carla, Josefina, Paula, Elsa, Rosa, Fátima, Célia, Susana, Álvaro, Rosário, Margarida, Antónia, Maria de Jesus, Manuel, Regina, Gaspar, Olga, Raquel, Luísa, Luís, Maria José, Claudine, Glória, Helena, Santiago, Hugo, Adélia, Madalena, Mário, Irene, Amélia, Elisa, Leonel, Cristiano, Fernanda, Laura, Manuel António, Clara, Arnaldo, Deolinda, Rute, Idalina, Céu, Adelaide, Telmo, Daniel, Faustino, Celeste, Nuno, André, Odete, Catarina, Sofia, Patrícia, Vânia, Cristina, Micaela, Natália, Joaquim, Eugénia, Leonor, Filipa (…) somos o sal da Terra?

 Parece que esta é a nossa Hora! Este é o nosso Tempo!Tempo de não nos com-formarmos a nenhum jeito de ser mundo que nos faça esquecer que TODA a gente  é destinatária do Projecto Salvador do nosso Deus. Um Projecto com um Nome à cabeça - Jesus, o Cristo. Um Projecto com-forme ao Bem, à Beleza, à Felicidade...  
Não como prémio, depois da morte, para um certo o jeito de viver aqui mas, é AQUI, à flor da vida, que esse Projecto se vai experimentando e dando a experimentar como flor de sal...  tão frágil, pura e delicada, que quase não se nota.  Mas é Sal ... do melhor! E salga...  de verdade! E dá Sabor... de primeira!!!

Porque "a Fé não é senão a CRISTIFICAÇÃO da VIDA"!