23 Outubro 2014

Felizes os Mansos… Sorti garandi…

“Sorti Garandi pa kilis ki mansu pabia e na bin iarda terra”


Sorti Garandi! SIM!
  
Embora a Mansidão seja uma arma! Talvez a única arma que desarma os violentos… Só armado de Mansidão alguém é capaz de matar a fome ao adversário, a sede ao inimigo, aconchegar a roupa àquele que o ofendeu.
ISSO é oferecer a outra face… ESSA é a outra face da moeda

Sorti Garandi! SIM!

Porque a Mansidão é um Caminho para a construção da Paz sem vencedor e sem vencidos...
E a Paz que ressuma do Evangelho (dou-vos a minha Paz. Deixo-vos a minha Paz), a Paz que grita na palavra dos Profetas, até mesmo a Paz que é cantada na voz dos Poetas é um desequilíbrio permanente sobre pedras de tropeço… Uma experiência sofrida de arranhões e nódoas negras…
Também uma experiência grandiosa de clareiras de luz que se abrem aos olhos pasmados e agradecidos daqueles que não desistem e não se deixam adormecer apoiando a cabeça e as mãos num qualquer não vale a pena ou tenho medo

Felizes os Mansos porque vivem com fome e sede de Paz.

Sorti Garandi! SIM!

Porque a Mansidão é uma Sabedoria que não acusa nem põe frente a frente, a nu e sem pudor, as nossas perfeições e as in-perfeições do outro… Antes ensina cada um a descobrir que, no meio das falhas e dos desastres, é possível brotar a fraqueza que nos faz fortes e capazes de arriscar um pedido de desculpa, como quem lança uma ponte chamada dia-logo. Do outro lado espera-nos sempre alguma coisa que, por mais que a experimentemos, é sempre Nova. - DAR e RECEBER Perdão é, de todas as vezes, a primeira vez.
Dar e receber Perdão é sentirmo-nos RE-Criados. Acabados de Nascer… Vestidos de Novo e de Fresco…

Felizes os Mansos porque são, sempre, construtores de PONTES de entendimento.

Sorti Garandi! SIM!

Porque a Mansidão é uma Fonte de onde jorra Liberdade. E jorra com uma força tal que, enquanto nos desentope o coração de tantos EU que se sobrepõem a tudo e a todos, sempre prontos a mostrar-se na ponta da língua e a dizer-se, vaidosos, nos mais pequenos gestos, nos abre a um outro jeito de viver - àquele de que Jesus falou na Montanha e que, pelos séculos fora, tem sido experimentado, na Dor e na Alegria, por tantos! Tantos! TANTOS! homens e mulheres como nós.

Felizes os Mansos! Todos os que já se treinaram, treinam e hão-de treinar na intuição do que é uma Herança Sagrada, do que é tomar posse dEla já, do que é habitá-la já. Como Terra Nova, Mundo Novo, Novo Céu!

Felizes aqueles que, conhecendo ou não o Nome de Jesus de Nazaré, fazem Memória da Sua Vida e do Seu jeito único de ser Manso e Humilde de coração… 

Sorti Garandi! SIM! 

(hoje o Blog saiu mestiço, meio português, meio Kriol da Guiné. É que, por estas bandas cheira, cada dia mais, à terra da Guiné! À terra-da-cor-do-sol-poente, encharcada pela chuva sempre violenta, esperada e inesperada da monção… Que se deixe empapar pela chuva miudinha e mansa do Espírito da Paz e da Liberdade do nosso Deus…)


22 Outubro 2014

Tirar a máscara e perder a cabeça


João, o Profeta Baptista, tinha-se metido com quem não devia. Era alguém impossível... Não se domesticam homens destes, não se amansam com ameaças nem com ofertas. E o que estava em causa era grave. O que aconteceu é simples de entender. 

Havia naquela região um rei chamado Herodes que queria ser rei à moda antiga, com domínio sobre tudo e sobre todos. Os Romanos não deixavam, claro, que o Império deles tinha-se já estendido até ali, e os reis que havia eram apenas fantoches nas mãos longuíssimas e poderosas do Imperador que por todo o lado espalhava os seus governadores.

Ora, Herodes era cruel e ambicioso. O Povo não gostava dele e tinha já más memórias do pai dele, também rei. Para conquistar o Povo, Herodes montou um esquema manhoso... Havia uma família em Israel de quem toda a gente gostava, uma família antiga que tinha dado ao Povo os maiores libertadores dos últimos séculos, em períodos de alguma reconquista da harmonia e da paz naquela terra. Era a família dos Asmoneus. Havia uma descendente desta família chamada Herodíade, que estava casada com um outro rei daquelas bandas, menos ambicioso, chamado Filipe. Filipe era irmão de Herodes. Herodes pensou em casar-se com Herodíade e, dessa maneira, esperava cair nas boas graças do Povo, simpatia sempre desejada quando se quer explorar e oprimir. Então, tratou do assunto, com dinheiro, influências e ameaças. Tirou Herodíade do seu irmão Filipe e casou-se com ela.

João percebeu. E denunciou. Falava diante de todos que Herodes não podia fazer aquilo, abria os olhos ao Povo e desmascarava a jogada. O reizito só não fazia o que queria, que era mandar matar o Profeta, porque era muito supersticioso e, porque reconhecia que ele era um Homem de Deus, tinha muito medo que Deus depois se pudesse vingar dele. 

Mas chegou o dia... Numa festa que ele deu aos seus comparsas, num banquete bem regado a vinho, a filha de Herodíade dançou na festa e agradou tanto ao rei que ele fez uma promessa insensata: “Dou-te tudo o que me pedires!” O resto é história conhecida, e acabou com a cabeça de João num prato. O Poder é uma bebedeira que mancha o mundo com o sangue de mártires.











21 Outubro 2014

microconto

A ciganita romena que costuma pedir de porta em porta por aquela zona, bate nesse dia também.
A senhora lembrada que domingo é dia de almoçarada com a família, e a casa enche-se de gente e comida que sobeja diz:
- Olha, volta no domingo, por volta desta hora?
- Domingo. quatro da tarde? - pergunta a ciganita para confirmar.
- Sim. Domingo, quatro da tarde.
E assim foi. No domingo, à horinha, a ciganita batia à porta. A senhora estende-lhe um cabaz cheio de comida: sopa, arroz, frango, pataniscas, fruta, doces.
A ciganita agradeceu muito e foi rua fora, com comida para várias refeições.
Tivesse o convite sido feito para umas três horas antes e tudo seria diferente.

20 Outubro 2014

o sinal

Então, os fariseus e os saduceus aproximaram-se de ti; e, para te tentarem, pediram-te que lhes fizesses ver um sinal do Céu.
Tu respondeste: «Ao entardecer, dizem: ‘Vamos ter bom tempo, pois o céu está avermelhado’; e, de manhã cedo, dizem: ‘Hoje temos tempestade, pois o céu está de um vermelho sombrio.’ Como se vê, sabem interpretar o aspecto do céu; mas, quanto aos sinais dos tempos, não são capazes de os interpretar! Esta geração perversa exige um sinal! Mas sinal algum lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.» 
Mt 16, 1-4


Pressionado pelos especialistas, que julgavam saber tudo acerca de Deus, tu respondeste com o sinal de Jonas? A história que todos escutaram, desde crianças? 

Quando pedimos a confirmação das nossas certezas e julgamentos, trocas-nos as voltas, sentas-nos no chão, recordando a história da fuga do profeta amuado e arrogante.

Os três dias no ventre da baleia não mudaram o coração de Jonas. Precisava de outro sinal e foi do alto do monte que viu os homens e mulheres de Nínive cheios de esperança, confiando na bondade de um Deus atento e que se compadece.

Este é o sinal para Jonas... e para os fariseus e os saduceus... e para mim. 

Através da história de Jonas, convidavas os teus discípulos e os defensores da Lei a enfrentar a onda de esperança que percorria as aldeias esquecidas da Galileia, onde os fracos recuperavam forças, onde os proscritos eram abraçados, onde os pagãos - como aquela mulher cananeia - demonstravam mais fé do que os filhos de Israel. 

E hoje? 
Aqueles que são considerados perdidos, condenados e excluídos são capazes de escutar o convite do Pai para uma Vida nova, que começa no momento em que todos - todos - se sentam à mesma Mesa. Acredito nos sinais do teu Amor que não desiste e que nos alcança, apesar das nossas cobardias, das limitações dos profetas e especialistas do nosso tempo. 

O único sinal mais forte e eloquente é a Vida do Irmão. Este é o sacramento que nos toca e salva.

Só Tu, Jesus!
Só Tu és capaz de fazer isto. Adoro-te.



19 Outubro 2014

O Espírito Santo e os evangelizadores

O Novo Testamento garante aos evangelizadores que a sua missão terá o mesmo sucesso da missão de Jesus, pois o Espírito que fortalecia Jesus é o mesmo que fortalece e capacita os seguidores do Senhor:

“No decurso de uma refeição que partilhava com os discípulos, Jesus ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem lá o prometido do Pai, do qual Jesus lhes falou por várias ocasiões.

João baptizava em água, mas vós sereis baptizados no Espírito Santo, disse-lhes Jesus” (Act 1, 4-5). 

Podem estar seguros, pois o Espírito Santo será o guia e o mestre deles na tarefa da evangelização:

“Mas o Paráclito, o Espírito que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo e há-de recordar-vos tudo o que eu disse” (Jo 14, 16).

São Paulo diz que os evangelizadores são ministros da Nova Aliança, capacitados pelo Espírito Santo para o serviço do Evangelho:

“Não é que sejamos capazes de realizar algo como coisa vinda de nós. A nossa capacidade vem de Deus, pois é ele que nos torna aptos para sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito, porque a letra mata, mas o Espírito dá vida” (2 Cor 3, 6).

O trabalho evangelizador do Apóstolo será tanto mais eficaz quanto mais este acolher no seu coração a novidade da Palavra e do Espírito Santo.

O Apóstolo é uma mediação da qual Deus precisa, mas o protagonista da evangelização é o Espírito Santo. 

A eficácia da evangelização não depende do Apóstolo. A sua missão é pôr Deus a falar, tornando-se o servidor da Palavra.

Tomando São Paulo como modelo, podíamos dizer que o evangelizador deve agir como se tudo dependesse dele, sabendo, no entanto, que o fundamental é obra de Deus.

Eis o testemunho da Primeira Carta aos Coríntios: “Mas quem é Apolo? Quem é Paulo? Simples servos por cujo intermédio abraçastes a fé.

Na verdade cada um de nós actua segundo a capacidade que Deus nos concedeu: Eu plantei. Apolo regou. Mas foi Deus quem deu o crescimento. 
Isto quer dizer que nem o que planta nem o que rega é alguma coisa por si, pois só Deus é capaz de fazer crescer.

O que planta e o que rega formam uma união em Cristo e cada qual receberá o prémio do seu trabalho.

Nós somos, de facto, cooperadores de Deus e vós sois o campo de cultivo do Senhor” (1 Cor 3, 5-9).

Jesus tomou muito a sério a sua condição de consagrado pelo Espírito Santo. Eis as suas palavras no evangelho de São Lucas:

“Jesus veio a Nazaré onde se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler.

Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito:

“O Espírito do Senhor está sobre mim porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres.
Enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista. Enviou-me a libertar os oprimidos e a proclamar o ano da graça” (Lc 4, 18-19).

A fecundidade da nossa acção evangelizadora vem-nos do facto de estarmos unidos de modo orgânico a Jesus, diz o evangelho de São João:

“Permanecei em mim que eu permaneço em vós. Tal como o ramo da videira não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco se não permanecerdes em mim. 

Eu sou a videira. Vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 4-5).

São Paulo não tinha quaisquer dúvidas de que o Espírito Santo nos dá os dons necessários para realizarmos a nossa missão de evangelizadores: 

“Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de serviços, mas é o mesmo Senhor. 

Há diversos modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum (1 Cor 12, 4-7). 

O evangelizador deve ser uma pessoa humilde e reconhecer que os frutos da sua missão têm como origem a acção de Cristo ressuscitado.

Por outras palavras, a nossa acção evangelizadora é uma continuação da missão de Jesus Cristo.

O Apóstolo bem formado sabe que não leva Cristo às pessoas. Quando ele chega ao campo de missão, o Espírito Santo já lá está disposto a actuar pela mediação do mesmo Apóstolo. 

Na verdade, o Senhor ressuscitado precede o apóstolo, mas temos de estar cientes de o Senhor precisa de mediações para realizar a obra do Evangelho.

É isto que São Paulo quer dizer quando afirma que nós somos o Corpo de Cristo, isto é, mediações de encontro de Cristo com o mundo:

“Vós sois corpo de Cristo e seus membros, cada qual na parte que lhe toca” (1 Cor 12, 27). O corpo de Cristo ressuscitado é espiritual, não físico, diz São Paulo. 
É por esta razão que Jesus se une a nós de modo orgânico, a fim de comunicar com o mundo através de nós:

“Mas perguntam alguns: como ressuscitam os mortos? Com que corpo ressurgem? Insensatos! O que semeais não volta à vida se primeiro não morrer.

E o que semeais não é o corpo que há-de vir, mas um simples grão de trigo, por exemplo, ou de qualquer outra espécie.

É Deus que lhe dá o corpo, pois ele dá a cada semente o corpo que lhe corresponde (…). Assim também acontece com a ressurreição dos mortos: 
semeado corruptível, ressuscita como corpo incorruptível. Semeado na desonra, ressuscita glorioso.

Semeado na fraqueza ressuscita cheio de força. Semeado corpo físico, ressuscita corpo espiritual.
Na verdade há corpos terrenos e corpos espirituais” (1 Cor 15, 35-44).

O raciocínio de São Paulo é o seguinte: como o corpo do Senhor ressuscitado é espiritual, ele precisa da mediação de um corpo físico para se encontrar com as pessoas.

É por esta razão que o Senhor se une de modo orgânica às comunidades cristãs, fazendo delas o seu corpo.

Evangelizar é, pois, ser mediação de encontro de Cristo com o mundo. É, também, pôr Cristo a falar para os homens de hoje.

É esta a maneira de os cristãos viverem o baptismo no Espírito que é a dimensão pentecostal da vida cristã.

Perante esta verdade importante, o evangelizador tem de ser uma pessoa humilde. Como Jesus disse aos discípulos, a grandeza e a autoridade do Apóstolo radica no serviço aos irmãos: 

“Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: sabeis que os chefes das nações as governam como senhores e que os poderosos exercem sobre elas o seu poder. 

Entre vós não deve ser assim. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo. 

O Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela Humanidade” (Mt 20, 25-28).

Os evangelizadores têm qualidades diferentes. Ao consagrar estas qualidades para a missão, o Espírito Santo faz que elas se tornem carismas, isto é, dons em favor de todos.

Deste modo, como diz São Paulo, Deus torna fecunda a vida dos cristãos, servindo o Evangelho e fazendo que a acção de cada um seja incorporada de modo harmonioso na vida e no serviço evangelizador da comunidade (1 Cor 3, 5-9). 

O Espírito Santo conduz e ilumina os evangelizadores de modo a que estes compreendam que o sucesso da sua missão está na cooperação e não na competição (1 Cor 3, 5-9).

Por outras palavras, o Espírito Santo conduz os apóstolos a trabalhar em comunhão com Cristo e os irmãos, a fim de a sua missão ser eficaz.

Através do evangelizador, o Espírito Santo ajuda as pessoas a saborear a Verdade de Deus e do Homem na sua profundidade máxima, ajudando-as a sentirem-se pessoas livres e felizes.

Na verdade, as pessoas que nada fazem para sair do erro, da mentira e da ignorância nunca chegarão ser pessoas profundamente livres.

No evangelho de São João, Jesus diz que o Espírito Santo possui a Verdade Plena e quer conduzir-nos para ela (Jo 16, 13).

A Carta aos Gálatas diz que o Espírito Santo é o Espírito da Verdade é também o Espírito da liberdade (Gal 5, 1-2).

A verdade é a compreensão e enunciação correcta e adequada da realidade de Deus, do Homem, da História e do Universo. 

Quanto mais crescermos Verdade, mais capacitados estamos para avançar no processo da nossa humanização e facilitar aos irmãos o seu crescimento humano. 

Na véspera da sua morte, Jesus disse aos discípulos que depois de ressuscitar lhes ia enviar o Espírito Santo, a fim de nos conduzir à Verdade Plena (Jo 16, 13). 

Uma vez que a verdade tem como horizonte a compreensão e enunciação correcta e adequada da realidade de Deus, do Homem e da História, só Deus a pode possuir em plenitude. 

É por esta razão que só o Espírito Santo nos pode conduzir com segurança à Plenitude da Verdade. 





NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias

18 Outubro 2014

é proibido


O que é verdadeiramente importante?
Busco no meu interior a resposta,
e é tão difícil encontrar.

Falsas ideias invadem a minha mente,
acostumada a mascarar o que não entende,
aturdida num mundo de falsas ilusões,
onde a vaidade, o medo, a riqueza,
a violência, o ódio, a indiferença,
se convertem em heróis adorados.

Perguntas-me como se pode ser feliz,

como, entre tanta mentira, se pode viver,
cada um é que tem de responder,
ainda que para mim, aqui, agora e para sempre:

É proibido chorar sem aprender,

levantar-me um dia sem saber o que fazer,
sentir medo das minhas lembranças,
sentir-me só alguma vez.

É proibido não sorrir aos problemas,

não lutar pelo que quero,
abandonar tudo por sentir medo,
não tornar os meus sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar-te o meu amor,

fazer que pagues pelas minhas dúvidas e mau humor,
inventar coisas que nunca aconteceram,
recordar-te só quando não estás perto.

É proibido deixar os meus amigos,
não tentar compreender o que vivemos,
chamá-los só quando preciso deles,
não ver que também somos diferentes.

É proibido não ser eu diante dos outros,
fingir diante das pessoas que não me importam,
fazer-me engraçado para que me recordem,
esquecer todos os que me querem bem.

É proibido não fazer as coisas por mim mesmo,

não acreditar no meu deus e fazer o meu destino,
ter medo da vida e dos seus castigos,
não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir a tua falta sem alegrar-me,

esquecer os momentos que me fizeram gostar de ti,
tudo porque os nossos caminhos deixaram de abraçar-se,
esquecer o nosso passado e compensá-lo com o nosso presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,

pensar que as suas vidas valem mais do que a minha,
não saber que cada um tem o seu caminho,
pensar que com a sua ausência o mundo termina.

É proibido não criar a minha história,

deixar de agradecer à minha família pela minha vida,
não ter um momento para as pessoas que precisam,
não compreender que o a vida nos dá, também nos tira.

Alfredo Cuervo Barrero




17 Outubro 2014

ÉsTUdar

Quando penso em construir um Reinado de Amor, lembro-me de que preciso de crescer...
De me formar...

 
Em PESSOAS e em IMPOSSÍVEIS!

Faltará alguma coisa?
Não é lá que tu estás?

 

16 Outubro 2014

é… Fogo Posto!

Que a Terra produza flores de todas as coreserva verde e frutos de todos os tamanhos e sabores…  que a água jorre cristalina e pura e uma brisa suave refresque os dias de maior  calma… 
E o Senhor viu que era bom”… Gn 1, 11



Se Deus não especifica para quem é tudo isto, é porque TUDO é para TODOS! 
O que não consta faz parte do relato”, diz Erri de Luca. E quem sou eu para discordar?!
Contudo…

Dizem as notícias do Mundo que ele está a arder e… que é fogo posto! Porque há o suor de muitos a enriquecer uns poucos que se habituaram a chamar seu àquilo que pertence a TODOS por direito e Justiça…

E os homens gritam, clamam e revoltam-se…

E mais dizem as notícias do Mundo que a Mesa da fartura, da beleza e da Paz está a ser roubada pela ganância de quem ainda não percebeu que a própria vida é um empréstimo e todas as gestões são passageiras…

E, porque às vezes os Homens se calam e não se revoltam, gritam as pedras…

Mas o que as notícias do Mundo não dizem  é que o Mundo também está a arder de um OUTRO FOGO!
E que também é… Fogo Posto! Mas manso e brando. Não destrói, antes purifica e desinfecta… Não dá nas vistas… Não faz ruído nem grandes labaredas. Incandescência e braseiro, vai incinerando teimosamente  o coração da nossa desHumanidade, Humanizando-o.

Purificado nesse fogo, o mais pequeno  e simples  gesto pode falar de  Amor IRMÃO e nascer divino - alarga os lugares do coração... aumenta os lugares em cada mesa...
Ardendo nesse Fogo, as vidas mais corriqueiras podem tornar-se um Milagre de Delicadeza, Sensibilidade, Perseverança e com-Paixão. 
E a Força maior chamar-se-há sempre não-violência… mas,não se chamará silêncio... 

À luz desse Fogo os comensais que partilham a Mesa posta do Mundo aprendem a Celebrar, em todas as línguas, a todas as Horas, a Generosidade do Criador de um Universo que para todos trabalha no segredo e sem cessar…
E aprendem a não poupar o coração...  E a Chorar em comunhão… E a BemDizer  em comunhão… E a Orar a Vida... E a pagar o mal com o Bem... E a ser Alegres... E Esperançados... E a dar as mãos para agir onde é preciso agir…

Porque é assim, de mãos dadas ASSIM, que vamos aprendendo a rezar ABBA, Pai NOSSO, com toda a verdade de coração… 
O "Pai Nosso" que só se "diz" é vazio...

15 Outubro 2014

E sobre DIARREIA, posso dizer uma palavrinha?


Pronto. Agora que já consegui chamar a tua atenção, por dever de honestidade tenho de dizer-te já que o que me leva a escrever-te é o vírus chamado Ébola que ultimamente tanto dá que falar. Libéria, Serra Leoa, Guiné Conacri e, mais distante um pouco, a Nigéria, são os países em que esta epidemia - ou pandemia já, segundo alguns - tem o seu foco. O epicentro da difusão destruidora deste vírus está localizado nestes países da África Ocidental, ali à volta da minha Guiné-Bissau.

Estão contabilizados cerca de 4000 mortos nos últimos 7 meses, no conjunto destes 4 países. Estes números são repetidos, metralhados, em cada serviço noticioso e jornal! Gostava que soubesses uma coisa: o Ébola está longe de ser a principal causa de morte nestes países durante os últimos 7 meses… e durante os últimos 7 anos, já agora! Nestes países morrem, EM MENOS DE MEIO ANO, cerca de UM MILHÃO de crianças com menos de cinco anos! UM MILHÃO!!!!!!!! Não de Ébola mas de diarreias, sobretudo, quase todas causadas por subnutrição e dificuldade em aceder a água potável e condições de salubridade.

Nestes países, agora tão falados por causa do Ébola, morrem POR MÊS, MAIS DE 4000 pessoas por causa de PNEUMONIAS, DIARREIAS E PALUDISMO. Estas são as três principais causas de morte nestes países da África Ocidental.

Porque é que estas coisas não são NUNCA notícia entre nós?! Porque nós temos esses assuntos resolvidos, aqui no quentinho do primeiro mundo branco. Resolvemos bem as pneumonias, temos comprimidos que enfrentam as mais fortes diarreias e em qualquer farmácia podemos comprar um  anti-palúdico sem sequer precisarmos de receita médica. Eles que morram, que isso não nos dá notícias nem tira o sono, já que temos tudo isso resolvido. Eles não têm água potável em tantos lugares… temos pena! Nós temos. No máximo, fazem-se de vez em quando umas reportagens, mas não notícias.

Mas, agora vem de lá um tal de Ébola que - oh surpresa! - nós também não temos como combater!!! Então sim, assustamo-nos, e vamos continuar a assustar-nos enquanto nos ameaçar A NÓS. Esse é o motivo do pânico instalado pelo Ébola, a nossa falta de solução para ele. Quando a encontrarmos, pronto, ficaremos de novo tranquilos, porque passará a ser mais um dos problemas dos países pobres de África, onde se morre com muita facilidade.

Este pânico é hipócrita. Este susto ocidental revela a maneira como pensamos a vida no “primeiro mundo” e a maneira como equacionamos os problemas dos “outros”.

O Ébola é terrível? Claro que sim! Devemos a todo o custo fazer o que estiver ao nosso alcance para resolver isto ou, pelo menos, para nos protegermos? Claro que sim! Mas é URGENTE dizer que esta não é, nem de longe, a principal causa de morte nos países da África Ocidental dos quais agora tanto se fala nas notícias. Deixem-me repetir: PNEUMONIAS, DIARREIAS E PALUDISMO! Podem juntar-lhe o vírus HIV, que também é extraordinariamente mais mortífero por aquelas bandas que o Ébola!

Enquanto escrevi isto, foram mais as pessoas que morreram destas coisas do que de Ébola mas, “estas coisas”, são aquelas que nós temos resolvidas… E, também, “estas coisas” são as que nós, como união de países ricos, poderíamos ajudar a resolver nos países mais pobres!

Não posso fazer nada para mudar isto, mas posso “mandar vir”, posso pedir aos meus amigos que não se deixem cegar pelo pânico noticioso de um “primeiro mundo” hipócrita e desonesto. Estes são os países em que é mais alta a percentagem de crianças que morrem nos primeiros cinco anos de vida… e não é o Ébola que as leva! É a injustiça profunda que divide o mundo em resorts e em favelas. E nós, nestas semanas, somos os chiques do resort que, estupidamente, deixaram entrar no condomínio o bicho invisível e perigoso que vem daqueles pobres que antes só morriam longe.





14 Outubro 2014

boa NOVA de Jesus

Muita gente, ao passar os olhos por textos do Antigo Testamento estranha o facto de haver páginas e páginas onde o que nos é narrado é de uma crueldade tremenda e onde transparece uma sede de vingança muito grande, o que contraria a visão cristã (infelizmente, muitas vezes pintada cor-de-rosa) do amor ao próximo. Então essa mesma gente fica escandalizada quando vê que tais vinganças e maldade recebem a aprovação e o incentivo do próprio Deus.

Tal facto provém de (não vou dizer falta de formação!) que muita gente conhece um texto da bíblia e depois outro muitas centenas de páginas à frente, ou seja, conhece a bíblia em modo "avulso" sem ter uma visão geral da sua "narrativa".

Podia aqui entrar pela Tese (mais que verdadeira) que a bíblia não procura ser edificante e que nela encontramos o que o homem tem de bom e de perverso, e uma visão de Deus marcada pelo contexto histórico e religioso. Mas não vou por aí!

Para nós, a lei do "olho por olho, dente por dente" (Ex 21, 23) (Lei de Talião) que perpassa muitos dos textos do Antigo Testamento soa a vingança e maldade, contrariando a perspectiva do perdão, quando de facto é uma lei que visa justamente o contrário: subverte a lei da vingança sem medida e da espiral de violência que Lamec introduz na História: "matei um homem porque me fez um arranhão, e uma criança porque me pisou o pé" (Gn 4, 23).

Podia entrar também pela reflexão sobre se a sociedade civilizada em que vivemos já abandonou essas duas leis, esses dois modos de proceder para passar a um outro que considere o perdão e a restauração do ser humano. Mas não me vou perder do meu ponto.

É um erro pensar que a lei do Amor é um dado adquirido no Novo Testamento e dada por Jesus, e que o Antigo Testamento e o Deus dele regem-se pela lei de Talião. Nada mais errado! A narrativa bíblica mostra-nos que a Lei de Talião, que vinha para substituir a lei de Lamec, ela própria vai sendo substituida. Já no Antigo Testamento.

Quando os fariseus e os doutores da Lei perguntam a Jesus qual é o maior mandamento da Lei (Torah), ele remete-(n)os para dois livros que se encontram entre os cinco primeiros de toda a bíblia.
"Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força" (Dt 6, 5)
e
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Lv 19, 18)

Parece que Jesus tinha uma visão das escrituras no seu conjunto e percebia nelas uma narrativa de um Amor maior que tudo, ou seja, o próprio Jesus olha para trás e resume os escritos no amor a Deus e ao próximo. Algo que vai sendo já anunciado pelos profetas (tantos!) que precedem Jesus e para ele apontam.

Perguntam então: se assim é, qual a novidade do Novo Testamento? Introduziu Jesus algo de novo?!
Sim, claro que sim. Introduziu o EXAGERO! Isso é que ainda estamos longe de entender:

"Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te quiser ficar com a túnica, dá-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, caminha com ele duas. AMAI OS VOSSOS INIMIGOS E ORAI PELOS QUE VOS PERSEGUEM." (Mt 5, 39-44)

A resposta do mal com o bem, o exagero da bondade e o restauro pelo perdão! 
Essa é a Boa NOVA introduzida por Jesus.

13 Outubro 2014

encontro

Numa noite, um homem importante da sinagoga procurou Jesus, carregado de incertezas e de perguntas:  «Como é possível começar de novo?»  João 3, 1-21

Esta é a dúvida de todas as noites. Este é o desafio de cada manhã.

Em vez de lhe dar garantias e seguranças, Jesus convidou o amigo a abrir-se à aventura, confiando no Amor do Pai, que está comprometido connosco. Disse-lhe:
«O vento sopra onde quer e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai.»

Assim acontece connosco. Percorremos caminhos diferentes e – hoje – passamos por aqui, esperando entrar em sintonia com o Espírito de Jesus, que continua a desinquietar-nos Por vezes, parece que se caminha devagar e “pouco a pouco, só pouco a pouco”...


"mas a semente nasce
onde o vento a deixou..."


12 Outubro 2014

Amor e Liberdade


A expressão máxima da liberdade é o amor. As escolhas pessoais na linha do amor exprimem a liberdade como capacidade adquirida, ao mesmo tempo que dinamiza o mesmo crescimento da liberdade. Podemos dizer que a capacidade de amar de uma pessoa é o termómetro que indica o nível de liberdade dessa pessoa.

Como sabemos, o grau de liberdade de uma pessoa não é evidente, mas revela-se pelas suas escolhas, opções e orientações na linha do amor. Do mesmo modo, o grau de amorisação de uma pessoa não é evidente, mas revela-se no seu estilo de se relacionar com os outros.

O núcleo da identidade de uma pessoa é o seu jeito de amar. É este jeito de amar que nos revela até que ponto uma pessoa é livre, consciente, responsável, único, original, irrepetível e capaz de comunhão fraterna. Depois de tudo o que foi dito já podemos compreender como o amor possibilita a emergência da liberdade pessoal e capacita a pessoa para agir amorosamente. Podemos ter a certeza de que quanto mais ricas e profundas for a capacidade de comunhão de uma pessoa mais livre ela é.

Como podemos ver, a nossa liberdade não é inimiga da liberdade dos outros, tal como a nossa liberdade não é inimiga da liberdade dos outros. Pelo contrário, a nossa liberdade possibilidade a liberdade dos outros e a dos outros possibilita a nossa.

Quando se diz que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros as pessoas estão a falar da orientação egoísta do livre arbítrio. De facto, a nossas decisões e escolhas na linha das nossas tendências egoístas terminam onde começam as opções, escolhas e decisões de tendência egoísta dos outros.






NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias


11 Outubro 2014

Coisas, Pequenas Coisas

"Fazer das coisas fracas, um poema.

Uma árvore está quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que não sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.

Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade."

por Fernando Namora
 
 

10 Outubro 2014

Que eu leve!

"Onde houver ódio,
Que eu LEVE o amor.
Onde houver ofensa,
Que eu LEVE o perdão.

Onde houver discórdia,
Que eu LEVE a união.

Onde houver dúvida,
Que eu LEVE a fé

Onde houver erro,
que eu LEVE a verdade.

Onde houver desespero,
que eu LEVE a esperança

Onde houver tristeza,
que eu LEVE a alegria.

Onde houver trevas,
que eu LEVE a luz."                                                                                                    Oração de São Francisco





Assim bom Deus, leve e simples... IR!
Não me pedes apenas para te anunciar, mas para o fazer...

És de exigência tal que pedes que te procure no mais íntimo de mim mesma, e que te LEVE à tona, de tal forma que transbordes e te faças PRESENTE na vida de tantos... que até agora só ouviram falar de ti!

Não é isto que me pedes?

Que tenhas sabor a COMPANHIA nos meus gestos!
Onde quem te receba de mim, descubra que não está só.


A verdade é que nunca disseste que seria fácil... mas sim. que valeria a pena!
Será que algum dia vou desejar que deixes de me INCOMODAR para ser mais?

 

09 Outubro 2014

NO AMOR, não!


A distância está nas palavras que eu digo e tu dizes, e emudecem logo ao sair-nos da boca, e caem no silêncio sem ninguém para as escutar….

A distância conta-se pelos apertos do coração quando o ciúme, a ganância e o sentido de posse dão sinal de si até fazer doer o coração da gente…

A distância mede-se pelos tantos medos que desde pequeninos nos vestiram, ensinando-nos a des-confiar…

E, então, a distância passa a contar-se em tijolos, aqueles com que vamos levantando muros e marcando fronteiras que nos resguardam da maldade que tem sempre um nome que não é o nosso…

Abrir por dentro as portas do coração é tão difícil e tão penoso como carregar esses tijolos… 
Cansa desmarcar o território já marcado…. 
Mas, ao acordar veremos, espantados, que perdemos o medo do escuro…

Embora a gente viva num século em que parece que basta fazer zoom (ou clic) para termos a vida ao alcance do dedo, essa é uma aproximação que não passa de um enganador “efeito” da técnica…

É preciso debruçarmo-nos uns sobre os outros para experimentarmos, no calor do abraço, a regular a vida pelo bater com-passado e com-passivo dos corações.
É aí que cessam todas as distâncias e todos os julgamentos.
É aí que começa o Amor ao outro como ele é (“como si mesmo”!) e com tudo o que eu sou ("como mim mesmo" )…
É aí, debruçando-nos que podemos sentir melhor as mudanças que a proximidade gera…

E é GRANDE ver um ser Humano debruçado sobre outro ser humano porque isso fala de Evangelho.

Porque isso fala da Boa Notícia de um Deus que continua a fazer-se Homem e a dizer aos caídos que a valeta é um não lugar  e as distâncias são construção do nosso egoísmo e que, por isso, ninguém pode ficar  caído na valeta para sempre . Nem longe para sempre…  No Amor, NÃO!