25 Julho 2014

Viver Apaixonado! O que é isso?

Jesus vivia de forma apaixonada!
E se repararmos... vivia a rezar!

Por isso viver apaixonado, se calhar, é viver a rezar...

(Deixem-me explicar melhor, para que uma coisa bonita como esta não caia em beatice!)



Confesso que sempre me meteu alguma confusão pensar em criar uma rotina para rezar...
Sempre me soou forçado e fazia comichão pensar numa coisa importante como esta como algo rotineiro... mas... deixei sempre uma margem de dúvida! A verdade é que muita coisa precisa de algum treino para que possa começar a fazer sentido!...

No entanto... parei para olhar a frase já tantas vezes dita do: "Orai sem cessar!" ou se preferirem "Orai incessantemente!"

Continuamente? Sem interrupções??
Mas como é que isso se faz?
Não faço mais nada?

E heis que leio  José Tolentino Mendonça a dizer que "para Jesus, a oração não fazia apenas parte da vida: ela era a vida."

Jesus não parava apenas trinta minutos e rezava, ou colocava uma marca na agenda...
Pegava antes na própria vida e fazia dela uma oração!

Fazer da vida uma oração é colocar os olhos em Jesus e ver que os olhos e o coração aprendem dele... com graça do Espírito Santo e tudo (pacote completo, com tudo incluído!!)

Viver incessantemente, sem interrupções, sem reticências!
Viver sem cessar, sem desistir... viver sem deixar de existir!

Viver apaixonado!

"Quanto tempo devemos rezar? No nosso interior devemos sentir que rezamos continuamente.
Não há, talvez, outra maneira mais simples ou mais vibrante de compreender a natureza da oração de Jesus."


24 Julho 2014

Hoje o blog é das visitas!

 “Há coisas que não são de dizer mas, de experimentar”

VIVER APAIXONADO! O que é ISSO?



E, se... deixássemos a "experimentação" falar!?... Bora, lá!!!



Daniel Ferreira disse...
é estar constantemente à boca de...

Isabel Saldanha disse...

 Rui Santiago cssr disse...



É não estar apaixonado por si próprio, conjugar a vida em segunda e terceira pessoa... Estar apaixonado é também descobrir a quem e a quê entregar, de bandeja, a liberdade.
 Anónimo disse...
Não percebo Daniel pleaaase traduz um bocadinho aqui para esta lerdinha
Anónimo Anónimo disse...
… é em TUDO estar com o coração a arder de ENTUSIASMO, de ESPERANÇA, de AMOR… e recusar extintor!
 mila disse...
É sobretudo experimentar e saborear a GRATIDÃO. 
É o que a minha"experimentação" diz :)

Glória Marques disse...
... é sentir-me VIDA e PERTENÇA de ALGO que me transcende. É viver pendente e suspensa de OUTRO. É pôr-me em segundo plano e sentir que não perco nada, antes me está a ser oferecida a possibilidade de saborear a diferença incrível que há entre fazer ou estar(seja lá o que for,com quem for ou onde for) por paixão ou por obrigação... estar apaixonada é SER FELIZ!

Nuno disse...
Viver apaixonado é viver para o outro. É optar livremente por colocar uma pessoa no topo das nossa prioridades. É ficar acordado a pensar no que disse, como disse, no sorriso, nos olhos, mas sobretudo no que a pessoa quer ser. É lutar para transformar os seus sonhos em realidade.

Viver apaixonado é por de parte os nossos medos e lançarmo-nos confiando apenas no nosso coração, naquilo que arde cá dentro quando pensemos nela, quando a vemos.

23 Julho 2014

"Até logo, sr. Soares, e desejo as melhoras."



Hoje, como me oprimisse a sensação do corpo aquela angústia antiga que por vezes extravasa, não comi bem, nem bebi o costume, no restaurante, ou casa de pasto, em cuja sobreloja baseio a continuação da minha existência. E como, ao sair eu, o criado verificasse que a garrafa de vinho ficara em meio voltou-se para mim e disse: «Até logo, sr. Soares, e desejo as melhoras.»

(...)

A fraternidade tem subtilezas.
Uns governam o mundo, outros são o mundo. Entre um milionário americano, com bens na Inglaterra, ou Suíça, e o chefe socialista da aldeia — não há diferença de qualidade mas apenas de quantidade. Abaixo destes estamos nós, os amorfos, o dramaturgo atabalhoado William Shakespeare, o mestre— escola John Milton, o vadio Dante Alighieri, o moço de fretes que me fez ontem o recado, ou o barbeiro que me conta anedotas, o criado que acaba de me fazer a fraternidade de me desejar aquelas melhoras, por eu não ter bebido senão metade do vinho.”





Do Livro do Desassossego
Bernardo Soares e Fernando Pessoa

22 Julho 2014

microconto

Quinta feira.
Um pequeno grupo preparava um encontro para partilhar, com gente destas andanças, a força do Evangelho, não só o que é dito nas linhas, mas o que é contado por entre as linhas: demorar-se nos lugares e nos ambientes, sentir a tensão ou a alegria, também os cheiros ou os símbolos e as imagens que Jesus usa...
O Rui comenta: "Podemos usar o texto da unção de Betânia, é forte nestas linguagens... a casa do leproso... o cheiro do nardo".
"Sim, podíamos mesmo partir um frasco de nardo, para que sentissem mesmo o odor, o aroma forte que fica no ar", propôs o José.
Sucederam-se caras de adesão e entusiasmo pela ideia.
Pausa.
Então o Daniel comenta:
"Ei! Que desperdício! O nardo é caríssimo!"
E logo me apercebi do que tinha acabado de fazer...

Mc 14, 3-9

21 Julho 2014

sensibilidade e bom senso

Idealistas. Utópicos. Românticos. Apaixonados irresponsáveis. Sonhadores inconsequentes. Ignorantes. Alienados.

É deste modo que são rotulados aqueles que não se conformam com este mundo e que procuram discernir qual é o sonho de Deus: o que é bom (cfr Rom 12, 2).
E se esta sensação de desconforto diante de situações de injustiça, de desigualdade for uma manifestação de resistência e de sanidade mental?

"As pessoas que são mais sensíveis às ideias de justiça e de equidade são movidas pela razão e não apenas pela paixão, segundo um estudo recente da Universidade de Chicago, publicado no Jornal de Neurociência". Para consultar, clicar aqui. Acreditava-se que a adesão a uma causa partia de um envolvimento emocional, incitado pelas canções de protesto e pelos discursos mobilizadores.

"O estudo demonstra que aqueles que se sentem mais estimulados emocionalmente, revelam maior acção nas áreas do cérebro associadas ao planeamento, organização e pensamento lógico".




A justiça e a bondade são questões de bom senso.

E por falar em bom senso, humanidade, maturidade e realismo alimentado de esperança... é inevitável ter presente o Mestre de Nazaré. 

Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando, anunciando a Boa Notícia do reinado de Deus entre nós. Pelo caminho, aproximava-se e tocava nas feridas individuais e sociais. Vendo a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor.
Disse, então, aos seus companheiros: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara.» (cfr Mt 9, 35-38)

Diante de situações de carência, de dificuldades, Jesus volta-se para nós, olha-nos nos olhos e lança o desafio: "Trabalhai. Dai-lhes de comer. Perdoai e ser-vos-á perdoado".
Só um Filho que conhece intimamente o Pai pode agir deste modo. Sabe que o Pai continua a trabalhar e, por isso, trabalha também, põe-se ao serviço (Jo 5, 17).

Numa época que em que se experimenta uma opressão que escraviza, ou uma condescendência que infantiliza, só o Pai é capaz de nos tratar como Filhos, amadurecendo-nos graças ao seu cuidado e às capacidades que descobrimos - em nós e nos irmãos - quando trabalhamos, estamos ao serviço lado a lado.

Quantas vezes, é durante o serviço que sentimos vontade de elevar o olhar e o coração ao Pai, para agradecer, bendizer a presença do seu Amor, que chega até nós por intermédio daqueles que persistem em lutar pelo sonho de Deus a nosso respeito: planos de felicidade, de nos garantir um futuro de esperança (Jer 29, 11)?!


20 Julho 2014

Hino de Gratidão

 


Senhor Deus, Trindade Santa,
dou-vos graças por esta caminhada na Fé
que me tem ajudado a compreender
o mistério de Deus e o mistério do Homem.

Esta caminhada na Fé não podia acontecer
sem a vossa revelação e sem a iluminação do Espírito Santo
que actua no nosso coração sempre que lho permitimos.

Agradeço-te, Pai Santo, por me acolheres
como um pai acolhe o seu filho.
Filho Eterno de Deus,
eu te agradeço a decisão maravilhosa de te fazeres meu irmão
mediante o mistério da Encarnação.
Eu te louvo e bendigo, Espírito Santo
por este teu jeito maternal de estares comigo
e me conduzires maternalmente até ao pai que me acolhe como filho
e até ao Filho que me acolhe como irmão.

Na verdade é por ti, Espírito Santo
que somos incorporados na Família divina,
como diz São Paulo na Carta aos Romanos.
É por ti que clamamos Abba, ó Pai (Rm 8, 14-15; Ga 4, 4-7).
Tu és, Espírito Santo, "o amor de Deus derramado no nosso coração".

Trindade Santa,
o que não nos dizeis de vós mesmos, nós não o podemos conhecer.
Eis a razão pela qual eu não quero deixar
de continuar a aprofundar a vossa Palavra,
a fim de melhor vos conhecer, para melhor vos poder anunciar.

Na verdade, a qualidade da nossa acção evangelizadora
depende da compreensão que temos
do mistério de Deus e do mistério do Homem.
Eis a razão pela qual a minha gratidão por vós
não cessa de crescer, Deus Santo.

Nós sabemos que vós sois uma novidade
a acontecer e a revelar-se de modo constante.
Isto é assim porque sois amor e o amor nunca se repete.
Sem deixardes de ser sempre o mesmo Deus, Trindade Santa,
vós o sois de maneira sempre nova.

Dizer que a vossa natureza é imutável,
não significa que sois uma essência estática.
A vossa natureza é relações interpessoais
em plena e permanente comunhão amorosa.

Neste sentido sois uma natureza imutável,
pois nunca deixais de ser um dinamismo de bem-querer
que tem como origem cada uma das pessoas e como meta a comunhão trinitária.

Sem vós, Deus Bendito, a minha vida não tinha sentido.
Eis a razão pela qual vos quero dizer com toda verdade de que sou capaz:
eu vos pertenço, Santíssima Trindade!
Glória a vós, Deus três vezes santo 
que sois Pai, Filho e Espírito Santo.

Amen!

No Primeiro Dia da Semana...
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias

18 Julho 2014

Porque Deus também se diz assim!

Composta em 1936, o texto da cantata Carmina Burana de Carl Orff foi descoberto em 1803 no Mosteiro de Benediktbeuern, perto de Munique, como parte de uma colecção de poesia latina escrita pelos goliardos e que remonta aos séculos XII e XIII.

Escrita em latim vernáculo, francês medieval e alemão canta a sorte, a primavera, o vinho e o amor.

Porque gosto muito desta obra e porque ela está cheia de vida e sentido, capaz de tocar o passado, presente e futuro de cada um, partilho hoje um excerto.

Com vocês... "Omnia Sol Temperat"!


"O Sol a Tudo Aquece

O sol a tudo aquece
puro e suave,
novamente revela ao mundo
a face de Abril;
para o amor é impelida
a alma do homem
e jovial impera
o deus-menino.

Toda essa renovação
na gloriosa estação
e por ordem da primavera
leva-nos a rejubilar;
abre-te os caminhos conhecidos,
e em tua renovação
é justo e correto
que desfrutes do que é teu.

Ama-me fielmente!
Vê como sou fiel:
com todo o meu coração
e com toda a minha alma,
estou contigo
mesmo quando distante.
Quem quer que ame assim
gira a roda."


17 Julho 2014

Ele há GENTE!?

       
Há já alguns dias que não me sai da cabeça uma pergunta/constatação muito bem “recheada” - delícia, emoção, espanto, gratidão:

- Ele há GENTE!? Passa por nós, como que por um acaso, quando a História já lá vai a caminho, partilha connosco uns poucos dias e… fica. Permanece e continua a alimentar e a iluminar a História dos dias que continuam a ser os nossos aqui, à luz deste sol!?.Ele há GENTE!? ...

ACREDITO que ISTO só acontece com aqueles que fazem das suas vidas um permanente dar-se em Amor, numa dádiva a que nunca impuseram limites.

ACREDITO que só gente apaixonada, pela Vida, por uma Missão e por Alguém chegará aí.

ACREDITO que nem os que se deram, nem os que hoje se dão do mesmo modo inteiro, nem os que receberam ou recebem sem mérito nem pedido, ninguém poderá imaginar sequer onde nem quantos colherão o fruto desse AMAR BEM...

 "A Fé e a Esperança cessarão, mas o AMOR...esse permanece..." Está mais que confirmado!





16 Julho 2014

15 jul 2014 - 15.25h


Há muito tempo que ali fica. É uma estátua de um ardina, no meio do passeio, com o braço esquerdo apoiado sobre o clássico posto de correio e o direito estendido com a primeira página aberta de um jornal qualquer. A boina, as calças, o bornal, tudo o que faz parte ali está, a espreitar lá do fundo a Avenida dos Aliados, mesmo à porta da igreja dos Congregados. 

Lembro-me quando, em miúdo, na noite de S. João não dispensava de lhe dar uma martelada! E ele sempre na mesma. E não era só comigo, que eu bem via outros a dar-lhe marteladas também e ele sempre na mesma. 

Ontem houve um garoto que quis claramente tirar-lhe as medidas. Enquanto os pais faziam fotografias à Avenida, e depois se viravam para fotografar a Estação de S. Bento, e apontavam, e comentavam, o garoto metia-se com o ardina. Do outro lado da rua eu tive de parar para ver. Primeiro, tocou-lhe na mão. Manso, manso. Nada. Depois, esticou-se para lhe fazer uma festa na cara. Nada. Deu um passo atrás e começou a fazer palhaçadas, caretas, pantomimas, saltinhos e barulhos. Nada. O garoto estava em silêncio a olhar para ele, pensativo. Pisou-lhe um pé com força. Nada!!!

Chegava. Empertigou-se, abriu o peito e deu-lhe uma reprimenda de todo o tamanho: "Ri-te!!! Ou chora!!! Porque é que tu não queres ser uma pessoa???"


 

15 Julho 2014

Semeador

A semana passada escrevia aqui como o livro de Isaías apresenta profundas semelhanças com os Evangelhos, e como o próprio Jesus e os evangelistas (especialmente Mateus), vão beber de Isaías. Dá para notar que, embora com cerca de quinhentos anos a separá-los, Isaías terá sido um dos amigos mais íntimos de Jesus.

À medida que nos adentramos pelo livro de Isaías vão-nos aparecendo inúmeras expressões que já conhecemos de tantas vezes as ouvimos na boca de Jesus.

E isso é bom! Começamos a traçar pontes e apanhar um fio condutor que liga Jesus às Promessas de Deus e à Esperança do Povo que os Profetas não cessam de anunciar.

MAS... no meio de tanta semelhança é importante ter os ouvidos atentos para quando aparecem diferenças!
Afinal de contas, se Jesus passa a vida a decalcar expressões de Isaías... quando há uma palavrinha, uma ideia que aponta para outro lado, não será por acaso! Digo eu...

Quando escutamos Jesus nos evangelhos, a usar imagens, expressões e parábolas de Isaías... mas, se desta vez, ele muda o tom, essa é a altura de abrir os ouvidos e escutar porque aí vem Boa Nova.

Isaías - contei eu - ao longo dos 66 capítulos, faz 17 referências ao semeador, semente ou à arte de semear. É uma imagem que lhe é querida, e Jesus, como sabemos, vai-lhe apanhar o jeito. Por agora ouçam esta...
 
Escutem-me bem e prestem atenção! Ouçam o que tenho para vos dizer.  
Porventura o lavrador que vai semear nada mais faz do que arar e abrir regos na terra? Não! 
Depois de ter preparado a terra, ele semeia os grãos de nigela e depois os de cominho, semeia o trigo, o milho miúdo e a cevada, nos regos convenientes, e o trigo duro nas bordas.  
Assim o instrui o seu Deus e lhe ensina as regras a seguir
 - Não se debulha a nigela com o trilho de ferro, nem as rodas do carro devem passar sobre o cominho.  
 - A nigela deve ser sacudida com uma vara e o cominho com um pau.  
 - O trigo tem que ser debulhado, mas sem ser triturado em demasia. 
 - As rodas do carro põem-se em movimento, mas de modo a não esmagar o grão.
Este proceder vem do SENHOR do Universo, que demonstra como é admirável o seu plano e como é grande a sua eficiência.
 
Is 28, 23-29 


Se estão familiarizados com os Evangelhos, neste momento a vossa cabeça já fez: alto lá! isto aqui está diferente. Mas vamos lá agora escutar Jesus (que nos conta a parábola do semeador, aquela mesma que escutámos no Evangelho deste Domingo):

O semeador saiu a semear. Enquanto semeava, parte da semente caiu à beira do caminho: os pássaros vieram e comeram-na. Outra caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra: e logo brotou porque o terreno era pouco fundo, mas quando veio o sol queimou as plantas, porque não tinham raízes. Outra parte da semente caiu entre espinhos, que cresceram e abafaram as plantas. Outra parte, porém, caiu em boa terra e deu fruto à razão de cem, de sessenta e de trinta grãos por semente. 
Jesus acrescentou: 
- Quem tem ouvidos, preste atenção!
 
Mt 13, 3-9 


Se prestámos atenção, se ouvímos bem; se, por momentos, parámos de nos preocupar com que leira de terra nós somos, e tratámos de escutar Jesus, percebemos que Jesus não está a falar de nós. Está a dar-nos uma tremenda Boa Notícia: um Deus semeador, que já saiu a semear, ainda a terra não está preparada. E que, com tanto terreno pedregoso, caminho, espinhos entre terra boa... só há uma certeza: a semente vai dar fruto em abundância!!!!
Bem, ou isso, ou então está apenas a querer dizer que Deus desaprendeu os dotes de agricultura que Isaías tanto fez questão de defender.

(Jesus, tenta levar-nos de volta para a imagem de Isaías, para percebermos a diferença e notarmos a Novidade deste Deus Semeador!!! Reparem que ele até usa o negrito!, para chamar a atenção: ele termina usando a mesma expressão com que Isaías começa. Isto é o negrito do tempo de Jesus, uma vez que não tinham corzinhas para usar no discurso, como eu tenho neste post.)

Era desta certeza que Isaías também falava, quando mais uma vez andava a falar de semeadores e sementes ao dizer que:
Assim como a chuva e a neve que descem do céu, 
não voltam mais para lá, senão depois de empapar a terra, de fecundar e fazer germinar, 
para que dê semente ao semeador e pão para comer, 
o mesmo sucede à palavra que sai da minha boca
não voltará a mim vazia, sem ter realizado a minha vontade, sem cumprir a sua missão.

Is 55, 10-11
 

Caramba! Isto sim, isto é Boa Notícia!
 
Deus semeador, tu não fazes acepção de terras onde semear a tua Boa Notícia,  
mas és fruto da Graça para aqueles que te acolhem.
Amen!

14 Julho 2014

em comunhão

Durante muitos anos, espreitava os textos deste blog e fechava rapidamente a janela.
Regressava mais tarde para ler os comentários. Precisava das palavras de outras pessoas para subir e ler o texto original com outro olhar. Foi assim que fui conhecendo alguns nomes.

Mas, a partir de Junho de 2010 tornou-se mais evidente que havia Vida comprometida, para além das palavras escritas. Nessa época, os textos e os tweets deixavam transparecer que se viviam Horas extraordinárias, acompanhando o Padre Santos Calmeiro Matias. Até uma estranha, como eu, percebia que havia uma comunidade em vigília. 

Do outro lado do ecrã, sentia-se o calor, ouvia-se o silêncio e adivinhava-se o mimo nos gestos de quem sabe que todos os minutos contam.

À distância, eu respigava as palavras e aprendia um dialecto novo, que me enchia de esperança para as Horas inevitáveis que teria de enfrentar.

Hoje só consigo agradecer
a todos aqueles que passam por aqui
e ao Senhor
que cumpre a promessa de que estaria sempre connosco.
É verdade: não nos faltam irmãos.

Quantas pessoas precisamos de nomear para contar a nossa vida?

Naquele dia, Jesus olhou para aqueles que tinha feito seus amigos e irmãos (Lc 10, 1-11).
Chamou-os, dois a dois, como no princípio.
Chamou-os pelo nome.
Chamou-os tal como eram, homem ou mulher e enviou-os.
Primeiro, enviou-os um ao outro, pelo caminho.
Fez uma investidura ao contrário das missões deste mundo: em vez de investi-los, despiu-os das seguranças materiais, dos véus que servem para cobrir, esconder e criar distâncias.
Deu-lhes o poder mais forte: o de quem ama até ao fim, suporta tudo, até a impotência.
Entregou-os um ao outro, tal como eram, tal como estavam.
Enviou-os despojados, a necessitarem do apoio e suporte dos outros.
Enviou-os a partilhar a fragilidade e, nela, anunciar a boa notícia da proximidade do Pai que nos sente, como no princípio.

Veio a tarde e, em seguida, a manhã: este é o novo dia.

Glória ao Deus que não nos criou acabados, 
dando-nos assim a oportunidade de nos construirmos de modo livre, 
consciente e capazes de comunhão!” 
Calmeiro Matias


13 Julho 2014

A Fé dá Sabedoria e transforma a Vida


Os horizontes da fé cristã são os mesmos horizontes da Palavra de Deus.

Isto significa que a fé é um dom de Deus e não um simples resultado da reflexão humana.

Por outras palavras, os conteúdos da fé cristã brotam da revelação, a qual vai moldando o nosso modo de ser e agir, graças à acção Espírito Santo em nós.

Eis alguns conteúdos da fé que configuram o modo como vemos o sentido da vida e dos acontecimentos:

Em primeiro lugar acreditamos que há um só Deus, o qual é uma comunhão familiar de três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Acreditamos que Deus é amor, como diz a Primeira Carta de São João (1 Jo 4, 7; 4, 16).

Acreditamos que a Criação é essencialmente boa, pois é obra de um Deus que é amor.

A nossa fé diz-nos também que, pelo mistério da Encarnação, o divino se enxertou no humano, a fim de nós sermos divinizados.

Acreditamos que o Filho Eterno de Deus se exprimiu em grandeza humana através de Jesus de Nazaré.
Acreditamos que, em Cristo, o humano e o divino fazem uma união orgânica e interactiva.

Graças a esta união, o Filho Eterno de Deus e Jesus de Nazaré, o filho de Maria, fazem um, mas sem se confundirem nem fundirem.

Acreditamos que o Espírito Santo é uma pessoa cujo modo de ser e agir consiste em dinamizar as relações de amor entre as Pessoas de Deus Pai e a pessoa do Filho Eterno de Deus.

Por outras palavras, acreditamos que o Espírito Santo, com seu jeito maternal de amar, exerce um papel fundamental no acontecimento de Cristo.

É isto que o credo quer dizer quando afirma que o Filho de Deus encarnou pelo Espírito Santo.

Acreditamos que Deus decidiu revelar-se ao Homem, escolhendo, para isso, um povo que seja o medianeiro da revelação para a Humanidade.

Até Jesus Cristo o medianeiro da dinâmica histórica da revelação foi o Povo Hebreu.

Jesus Cristo dá início ao Povo da Nova Aliança constituído, não por uma raça e uma língua, mas por gentes de todas as raças, línguas, povos e nações.

Deste modo, o Novo povo de Deus pode anunciar a Palavra de Deus no interior de todas as raças, línguas, povos e nações, tornando-se assim o sacramento do plano da salvação universal de Deus.

Acreditamos que Deus é amor e, portanto, não condena ninguém, pois não se pode negar a si mesmo.

Acreditamos que a pessoa humana é capaz de romper a comunhão amorosa com Deus, mas não é capaz de fazer que Deus deixe de a amar de modo incondicional.

Por ser amor, Deus não condena ninguém. As pessoas que vão para a morte eterna condenam-se por sua própria decisão.

Devido ao facto de o Homem ainda não estar acabado, nós acreditamos que Deus o está criando à sua imagem e semelhança.

Na verdade, o Homem é um ser em construção, tanto na sua dimensão física, como psíquica, social ou espiritual.

Acreditamos que a pessoa humana não se esgota na sua dimensão biológica.

Acreditamos que a morte não mata a pessoa, mas apenas o seu ser exterior.

Acreditamos que no momento da morte da pessoa, a sua interioridade espiritual é assumida e incorporada na Família de Deus.

Acreditamos que a Vida Eterna acontece através da ressurreição e não apenas através de uma simples subsistência imortal.

Acreditamos que o núcleo do Evangelho é a Boa Notícia da ressurreição e não uma simples crença na imortalidade da alma.

Com efeito, a imortalidade é um conceito que já existia no mundo pagão muito antes de Jesus Cristo.

Acreditamos que a humanização do Homem é uma tarefa ética que, em síntese, implica dizer sim aos apelos do amor e dizer não ao que se opõe ao amor.

Jesus fez do amor o seu único mandamento, pois sabia que o amor é a dinâmica que possibilita a emergência e estruturação da pessoa humana.

Acreditamos que o anúncio do Evangelho é um serviço importante para o bem da Humanidade.

Acreditamos que para o cristão, a disposição de viver como discípulo de Jesus Cristo é a melhor opção para o cristão se realizar e ser feliz.

Acreditamos que Deus não é uma entidade que se limita a pedir-nos práticas religiosas, fundadas em cultos e ritos bem executados.

É sinal de maturidade cristã ter presente que o Espírito Santo habita no nosso íntimo e aí nos vai moldando à imagem e semelhança de Deus.

Quanto mais vivermos esta realidade de modo consciente, mais aptos vamos ficando para testemunhar o amor de Deus para com os seres humanos.

O sentido da vida humana não é uma evidência que se impõe logo à partida, mas uma descoberta gradual e progressiva que vai amadurecendo em nós.

Em primeiro lugar trata-se de uma descoberta que vai amadurecendo no coração da pessoa que tenta encontrar as razões do que lhe acontece.

Para os cristãos, o sentido da vida é visto numa perspectiva mais profunda:

Trata-se de uma revelação, isto é, de uma confidência do Espírito Santo que habita em nós e vai balbuciando em nós a Palavra de Deus.

Por outras palavras, o sentido cristão da vida tem como horizonte a Sabedoria que vem da Palavra de Deus.

Eis o que diz o evangelho de São João: “Quando o Espírito da Verdade vier, ele vai guiar-vos para a Verdade Plena.

Ele não falará só por si, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos-á o que há-de vir” (Jo 16, 13).

Os crentes que se abrem à Palavra de Deus e à luz do Espírito Santo começam a adquirir uma sabedoria cujos horizontes transcendem o alcance da inteligência Humana.

As mediações de que o Espírito Santo se serve para fazer esta confidência no nosso íntimo são a Escritura, a Comunidade Cristã e os acontecimentos da História Humana.

À luz da Palavra de Deus, a grande razão pela qual vale a pena viver é o amor.

Jesus ensinou aos discípulos que o amor é uma razão que vale tanto para viver como para morrer. Eis as suas palavras:

“É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.

Ninguém tem mais amor do que aquele que dá ávida pelos seus amigos” (Jo 15, 12-13).

Na verdade, só o Espírito Santo pode projectar luz sobre muitos acontecimentos que parecem tirar todo o sentido à vida. Com efeito, a Palavra de Deus optimiza o sentido daquilo que já o tem e confere sentido àquilo que parece não o ter.
NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias