19 abril 2015

Jesus é um dom tão grande para nós



Espírito Santo,
Eu te louvo pela força que imprimiste no coração de Jesus, 
capacitando-o para realizar de modo maravilhoso a sua missão messiânica.

Apesar das terríveis resistências que encontrou, 
ele conseguiu inaugurar o Mundo Novo, 
sonhado por Deus como uma Família constituída pela Divindade e pela Humanidade. 

Jesus anunciava o Mundo Novo como uma Comunhão de pessoas livres.
Por isso, começou logo por abolir a multidão de leis religiosas do judaísmo, 
bem como os seus preceitos e normas.

Todas essas leis são sintetizadas numa só Lei: o Amor.
Eis as palavras de Jesus:
"Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros" (Jo 13, 34).

Obrigado, Deus Santo, porque enviaste Jesus Cristo 
com a missão de instaurar uma Nova Aliança, 
a fim de emergir um jeito novo de ser Homem.

São Paulo entendeu muito bem o alcance da salvação realizada em Jesus. 
Por isso escreveu:
"Se alguém está em Cristo é uma nova Criação. 
Passou o que era velho. Eis que tudo se fez novo.
Isto vem de Deus que, em Jesus Cristo, nos reconciliou consigo, 
não levando mais em conta os pecados dos homens" (2 Cor 5, 17-19).

Trindade Santa, obrigado por nos chamardes a comungar convosco eternamente.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!






NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias








18 abril 2015

no Futuro



No futuro
iremos parar durante
um minuto todos os dias,
interromper o que estivermos 
a fazer, de repente, a meio
de uma palavra, de uma passada,
de uma garfada. E, perfeitamente
imóveis, veremos que o mundo
é uma cruz para quem o carrega
e um berlinde para quem o empurra.
Depois é só escolher.

Peter Stamboliski, Poesia



17 abril 2015

Felizes os Justos




Aqueles que procuram a justiça de Deus, concretizam-se... vivem saciados...justificados...
Ser justo com Deus é ser uma possibilidade de restauro para o outro. É contribuir para a recuperação da obra inscrita na vida do outro, quando danificada ou desgastada pelo tempo...
 
Ser justo não é retribuir... é aceitar restaurar...
Não é dar ao outro o que ele merece, mas o que ele precisa...
E Bom Deus, penso se isto não implicará aceitar tantas vezes as niquices do outro...
 
Para mim a melhor expressão que já ouvi para explicar o que é ser injusto, foi esta (que não me canso de repetir):
Injusto é aquele que podendo dar não dá!
 
Mas até onde pode o outro dar?
Onde saio prejudicada?
 
Teremos todos aprendido a multiplicação dos pães e dos peixes?
Ou será que na nossa fragilidade ainda acreditamos que podemos pouco com Deus?
 
Ser justo com Deus é saciar e ainda sobrar...
Porque com Ele podemos muito...
 
Felizes os contratados para a vinha...
Esta vinha onde os últimos se tornam primeiros.
Onde o que conta é estar ao serviço e não "quanto serviço"...
 
Bom Deus tu dás-nos Juízo... uma capacidade de julgar a realidade com lentes graduadas em amor...
Dás-nos sensatez, uma capacidade de sermos cautelosos nos nossos julgamentos...
Um bom entendimento...
 
Que sejas o nosso Juiz, aquele que convocamos para resolver connosco uma situação... para que seja uma sentença de irmandade...
Uma sentença que cure, que nos liberte, que nos humanize e dignifique...
Que não tire valor a nenhuma das partes... ou melhor talvez, que não crie partes...
 
E felizes os justos que se apressam nestas coisas, porque assim não se prolongam sofrimentos nem se amolgam corações...


16 abril 2015

Des-Compasso



Eram dois rapazes conhecidos do pároco… Teriam vinte anos ou coisa parecida…
Aguardavam, do lado de fora da igreja, que a missa acabasse e o pároco se fosse… a pregar a outra freguesia…
Então foi a vez de eles entrarem nas casas daqueles que estavam dentro da igreja, enquanto eles estavam de fora…
- Então e vocês como se chamam? Para a gente saber…
- Acólitos.
- Que engraçado! Logo os dois haviam de ter o mesmo nome

E foi assim. Tudo a des-compasso. Desde o cimo até ao fundo do Povo


15 abril 2015

Maria de Magdala e outras discípulas


Diz-se por aí que o sepulcro estava vazio.
Mas não dizem assim os evangelistas.
Eles contam que o sepulcro estava cheio… de sinais.
E o sinal maior era a ausência,
como uma semente escondida na terra
à espera de fazer-se raiz, caule, flor e fruto.
Diz-se por aí que tudo começou com um rumor de mulheres,
um murmúrio de madrugada,
quando elas tinham saído para ir cuidar de um morto
e voltaram de lá como se tivessem visto um vivo!
Levavam, embrulhados na túnica, frascos de perfumes e unções,
aromas e unguentos para disfarçar aquela hora.
Andavam com o coração debaixo de uma pedra,
e perguntavam umas às outras: “Quem nos fará rolar pedra tão grande?”
Diz-se por aí
- as más línguas -
que as mulheres foram as primeiras a quem ele se deu a encontrar,
porque ele queria que todo o mundo ficasse a saber!
Mas é mentira.
Não é porque as mulheres não saibam guardar um segredo…
É porque as mulheres têm o segredo
que as faz começar a descortinar estas coisas. 
Aquele sepulcro é cheio de insinuações,
entre panos à cabeça e planos aos pés,
pedras roladas e faixas enroladas,
luz em forma de gente e gente em tom de anjo. 
É com a intuição das mulheres que o véu da tristeza e do fracasso começa a remover-se.
É à sensibilidade das mulheres que a insinuação pascal consegue encostar-se para pôr-se à conversa,
redizendo nomes, perguntas e mandatos. 
Entrar nos evangelhos da experiência pascal é pôr-se em cuidados!
Porque é atrás de mulheres em cuidados que nos pomos,
gente que sabe de ternura e subtilezas.
Foram elas que puseram o mundo d’esperanças desde esse dia!
Aquelas que levavam os perfumes embrulhados na ponta da túnica e não sabem já onde os deixaram!


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Para ouvir a gravação do primeiro encontro da Caminhada Pascal 
do Centro de Espiritualidade Redentorista, 


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A improbabilidade das mulheres

Tudo começa com uma conversa de mulheres, não há hipótese de fugir disto quando estamos diante dos relatos pascais. Tudo começa com um murmúrio feminino entre aquelas que iam ao sepulcro com perfumes e unguentos fazer o que não tinha sido possível fazer dois dias antes, por causa de ser véspera de Sábado e, ainda por cima, nesse sábado calhava a Páscoa dos Judeus nesse ano. 

No princípio, era… o feminino, no princípio estavam lá as mulheres. Só elas. Dos homens diz-se que estavam numa casa, de portas fechadas, blindados, escondidos, com medo de serem reconhecidos pelos judeus ou apanhados pelas autoridades.

Numa cultura patriarcal, estes relatos da experiência pascal que se conjugam no feminino desde a primeira hora são uma surpresa incrível. E são, acima de tudo, uma marca de historicidade que não se pode ignorar. Se o objectivo destes relatos pascais fossem convencer as pessoas da ressurreição de Cristo e dar autoridade ao movimento de discípulos dele, então esta seria a pior opção de marketing possível! Num tempo e lugar em que o testemunho das mulheres nem sequer contava em tribunal público, fazer depender do testemunho delas o acontecimento fundamental e fundante deste movimento é uma improbabilidade quase tão grande como a própria ressurreição de um morto.

A verdade é que teve de ser assim mesmo, porque ninguém teria a ingenuidade de inventar uma história tão pouco eficaz e que, na altura, trazia ao grupo mais ambiguidade e descrédito do que autoridade e credibilidade.

De qualquer maneira, reconhecemos que estas coisas têm a pinta do Deus de Jesus… O Senhor das Surpresas e dos Últimos, que conta com quem não conta, que transmite a Sua Palavra através de quem não tem voz. 

Se nos pomos a olhar o quadro do evangelho de Lucas, por exemplo, ficamos espantados com o enquadramento que ele faz. Tudo começa com mulheres d’esperanças (a jovem Maria, a demitida Isabel, e a velha Ana) com os homens a assistir a estas coisas só de esguelha (José nunca é tido nem achado pelo anjo, Zacarias perde o pio e o velho Simeão, companheiro de Ana no Templo das esperas, o que tem a dizer é que “agora já posso morrer em paz”, enquanto a Ana vai por Jerusalém afora para contar a Boa Notícia do menino a toda a gente). 


Tudo começa com mulheres d’esperanças e, no fim, culmina com mulheres em cuidados, dirigindo-se ao sepulcro para amansar a dor de morrer com bálsamos e perfumes, enquanto os homens ficaram escondidos e tolhidos. Vão ter que ser elas, depois, a inquietá-los, a meter-lhes no corpo visões e palavras de coisas novas.





14 abril 2015


A Experiência Pascal não é um momento, mas um Caminho e um processo contínuo da vida dos discípulos.
É um processo de Fé que é profundamente Pessoal (não individual) e Comunitário.

13 abril 2015

Felizes os que acreditam sem terem visto!

Muitos outros sinais fez ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. 
João 20, 29-30

E se nos pedissem para contar a história do nosso Encontro, do momento do face a face?
Encontraríamos as palavras para explicar o nosso olhar e o desconcerto do sorriso?
De quantos Nomes teríamos de nos lembrar?
Quantos Rostos veríamos diante de nós?

Há Encontros a acontecer hoje.
Há histórias muito bonitas por contar.



Todos os encontros são às 21.30h, no seminário de Cristo Rei

12 abril 2015

O Deus de Jesus é Amor


Face à morte cruel sofrida por Jesus, os primeiros cristãos não viam com clareza o sentido de tudo aquilo e daquela maneira de morrer. Foi esta a razão pela qual houve cristãos que começaram a pregar dizendo que a morte cruel de Jesus foi decidida por Deus, a fim de perdoar os pecados dos homens. Este modo de falar distorceu o rosto de um Deus que é amor (1 Jo 4, 7-8; 16).
Se Deus é amor, então ele não pode fazer nada que vá contra o amor, pois seria negar-se a si mesmo. Se Deus é amor não pode deixar de amar de modo incondicional.
Tudo isto significa que Deus não esteve à espera que fôssemos bons para gostar de nós. Se Deus é amor, então a justiça de Deus não é a justiça dos tribunais, mas sim a justiça do amor, isto é, aquela que está presente nas relações dos pais para com os filhos dos quais gostam muito.
A justiça do amor é aquela que anima as relações dos esposos que se amam profundamente. Dizer que Deus é amor significa que perdoa de graça e sem necessidade de sacrificar seres humanos. Se Deus é amor, então só pode aquilo que pode o amor, isto é, amar a todos e de modo incondicional. Quando o casal recorre aos tribunais para resolver os seus problemas ou dificuldades é sinal que o amor já morreu entre eles.
Um pai humano, apesar de ser limitado, é incapaz de matar o seu filho para perdoar ou satisfazer a sua sede de justiça. Por outras palavras, apesar de pecadores, os pais humanos sabem perdoar de graça.
Jesus pedia às pessoas para imitarem o Pai do Céu, procurando ser bondosos, compassivos e sempre dispostos a perdoar (Lc 6, 36). Jesus ensinava os discípulos a exercitar a bondade, a fim de serem perfeitos como Deus é perfeito (Mt 5, 48). O próprio Jesus perdoou aos seus assassinos, pedindo para eles o perdão de Deus no momento da sua morte.
O que agradou a Deus foi a fidelidade total de Jesus e não aquela morte, que não foi mais que um crime perpetrado pelas chefias daquele povo e daquele tempo, como tantas vezes se repete noutros povos e noutros tempos.
São Paulo diz que Jesus foi fiel e obediente até à morte e morte de cruz (Flp 2, 8). A sua paixão pelo Evangelho e pelo plano salvador de Deus levaram-no a correr todos os riscos. Apesar de se aperceber que o iam matar, não deixou de anunciar a Palavra de Deus. Isto quer dizer que a morte de Jesus nada tem a ver com uma exigência de Deus para perdoar aos pecadores.
A Carta aos Efésios faz uma síntese importante dos ensinamentos de Jesus sobre o amor e a misericórdia de Deus. Eis as suas palavras: “Deus é verdadeiramente rico em misericórdia. Graças ao grande amor nos tem vivificou-nos em Cristo, quando ainda estávamos mortos pelos nossos pecados” (Ef 2, 4-5).
Isto significa que Deus não esteve à espera que fôssemos bons para gostar de nós. Pelo contrário, acolheu-nos de modo gratuito na Família Divina através da Graça de Cristo.
As atitudes de Jesus para com os pecadores demonstravam exactamente a bondade de Deus para com os pecadores: “Ao verem Jesus comer com os pecadores e os cobradores de impostos, os fariseus perguntaram aos discípulos: “por que é que ele come com cobradores de impostos e pecadores?” Jesus ouviu e respondeu: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Ide aprender o que significa: “Eu quero misericórdia e não sacrifícios. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9, 11-13).
Podemos ter a plena certeza de que é assim o coração de Deus, o qual não quer sacrifícios humanos. Como é amor, Deus só pode aquilo que pode o amor, pois não se pode negar a si mesmo. Ora, o amor é incapaz de matar um inocente, para perdoar aos pecadores. Além disso, não precisa de sacrifícios humanos, pois perdoa de graça.
Não temos razão para ter medo de Deus, pois ninguém tem razão para ter medo do amor. Nos evangelhos Jesus diz muitas vezes que só ele conhece o Pai. Tudo o que os homens afirmem de Deus Pai que não esteja em sintonia com o que Jesus ensinou carece de fundamento: “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Lc 10, 22).





NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias






11 abril 2015

Esplanada

Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.





Manuel António Pina

10 abril 2015

Felizes os Mansos

E foi assim que entendi em mim o que quer dizer "felizes os mansos!"
Pus-me a olhar o mar e disse para comigo: "A mansidão de Deus deve parecer-se com algo assim!"


É um Deus calmo, pacífico, mas que tem movimento...
Que chega perto de cada um de nós e rebenta (como no templo) para nos despertar...
Ou que vai ondeando, chegando devagarinho, até conseguirmos entrar na sua dança...

E felizes são aqueles que são mansos como Deus, que são domesticados, domados pela lei do amor...
Felizes aqueles que são capazes de viver em civilização... de viver todos os dias com se estivessem em casa...

Ser manso é ser feito de cedências... é dar-se por vencido...
Pois já não é preciso vencer a nada nem a ninguém pois alguém já nos venceu no Amor...
É as duas faces e o olho por olho e dente por dente que deixam de caminhar em pares...

Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a mais torta ou feia...
Faz a coisa por inteiro! Já não se trata de posições de esquerda ou de direita..

E parece-te difícil amar o inimigo? O teu lado menos bonito?
Olha como Deus o faz em mansidão...

E caminhar de forma mansa é  caminhar devagar... com os olhos postos no horizonte...esperançados...
Não parados... a caminho...

E no meio dos irmãos, ser manso com Deus é levar serenidade doçura e bondade... ser sinal de Paz na vida dos irmãos.
É ter carácter brando, suave ao toque, ser agradável (não por simpatia, mas por verdade)...
É tornar menos "rochedo", através da erosão, os calhaus que se vão instaurando ao redor...

Ser um manso feliz? Talvez seja viver em rebentação amorosa!!


09 abril 2015

O meu nome é: - FELIZ!


(eco da Semana Maior)


Porque há SORRISOS que salvam…E  ABRAÇOS que recriam…

Porque há PALAVRAS que saem da boca de anjos… E cintilam como estrelas…

Porque da Fé e da Esperança nascem GESTOS que trazem em si a força da semente…
Rompem a esterilidade que enche os dias de pecado, de religião, de obrigação sem Graça…
Florescem perfumando de Vida Nova o chão duro e seco,
O barro ainda por moldar, o impossível dom…

Porque há BOAS NOTÍCIAS de Perdão e de Mesa para TODOS…
Que irrompem como fogo, saltam como faúlha a iluminar o escuro…
E fazem renascer Gente com um nome novo – FELIZ!






07 abril 2015

um HOJE que não acaba!

Depois, eles levaram o corpo de Jesus e o envolveram-no de ligaduras de linho, embebidas nos aromas que tinham preparado. Havia um jardim, no lugar onde ele fora crucificado e, no jardim, um sepulcro fresco, por estrear. Ali, então, porque estava à mão de semear, eles sepultaram Jesus.

No Primeiro Dia da Semana, ainda noite, Maria, a Magdalena, vai ao sepulcro e que a pedra foi rolada. Corre, então, e vai ao Simão Pedra e ao outro discípulo, o Amado, e lhes diz: «Levaram o Senhor e não sabemos onde o colocaram.»

(Jo 19, 40 - 20, 2)


O evangelista João anuncia o Re-Suscitado de Presente de forma bonita: no Presente.

O Tempo do Re-Suscitado é o Presente! O Senhor Re-Suscitado Vive no nosso Tempo. Está Presente!
O Hoje da Ressurreição ainda não terminou. «Ressuscitou e Está Vivo!»

Hoje ainda é manhã de Páscoa! Todos os gestos são Presente:
Hoje, o Re-Suscitado sai ao encontro, 
                   pergunta "porque choras?", "a quem procuras?", 
         chama pelo nome, "Maria", 
e provoca a experiência que dá a volta à Vida.

Hoje é dia de Páscoa! Hoje é a Plenitude do Tempo. Hoje é o Primeiro Dia de um Novo Tempo. 
Hoje começa a Nova Criação.

Aquele que vive da vida de Deus, está Vivo! Cumpre-se HOJE mesmo aquela profecia antiga de Deus:
Tu és Meu Filho, eu HOJE te gerei. (Sl 2, 7)

Páscoa do ano da Graça de 2015

Depois da Semana Maior segue-se a Semana Inteira, que mantém em suspenso e faz ressoar o dia - este dia que se chama Hoje.

É um ritmo de eternidade que desafia o regresso às rotinas, ao trabalho, às aulas, às notícias de violência que nos fazem estremecer. Estamos mais habituados a preparar os momentos importantes. Talvez seja necessária a vida inteira para aprender a ver aquilo que passa, quase despercebido, no tempo comum.

Quando o medo e a morte pareciam ter o domínio e antes do nascer do sol, 
algumas mulheres saíram, levando perfumes…    
Marcos 16, 1

Isto é tão revolucionário, tão fora de lugar em todas as épocas, que só pode ser verdade!
O mimo é um dogma de fé.

No momento em que a violência tolhe as forças de todos, na hora em que o sofrimento só permite tratar de uma ferida de cada vez, começa o trabalho redentor e salvador da ternura.

Lentamente, os gestos de cuidado entre irmãos tornam visíveis os sinais da presença do Amor e da Vida entre nós. Aqui e agora, nos dias normais, entre as coisas pequenas, naquilo que parece pouco importante e ordinário.

Quanto tempo demorou?
Quantos gestos de mimo e de consolação foram necessários para se ouvir o primeiro “Sim, Ele está vivo, no meio de nós!”?

Diante do que acontece no Quénia ou dentro das portas fechadas de um apartamento, num subúrbio qualquer, ouve-se ainda a tua voz, Bom Deus, clamando: “Consolai, consolai o meu povo!”… até que chegue – e permaneça – a Boa Notícia da vitória do Amor e da Paz.

02 abril 2015

Última Ceia

Trouxe as palavras e colocou-as sobre a mesa.

Trouxe-as dentro das mãos fechadas (alguns disseram
que apenas escondia as feridas do silêncio).

Pousou-as na mesa e começou a abri-las devagar,
tão devagar como passa o tempo quando o tempo
não passa. E depois distribuiu-as pelos outros,
multiplicou-se em dedos, em palavras (alguém disse
que chegariam a todos, ultrapassariam os séculos e
teriam a duração do tempo quando o tempo perdura).





Ceou com todos pão que não levedara e vinho áspero
das videiras magras do monte que os ventos dizimavam.
Quando se ergueu, havia ainda palavras sobre a mesa,
coisas por dizer no resto do pão que alguém deixara,
feridas profundas nas mãos que fechou em silêncio e devagar.

Perto dali uma figueira florescia. À espera.

Maria do Rosário Pedreira, 'Poesia Reunida', Lisboa 2012




01 abril 2015

tríptico



Jesus anunciava a Boa Notícia do Reino de Deus, mas nunca o ouvimos chamar “rei” a Deus. Jesus chamava PAI a Deus e ensinou-nos a chamá-lo assim também. Quem reina é um PAI bom e leal, o nosso PAI! Somos filhos do rei: não há razão para temer. 

Jesus mostra-nos o coração de Deus como alguém de confiança, cheio de amor e ternura para dar aos Seus filhos todos, sem excepção. Deus não “ama mais” os que mais “merecem” mas ama com um amor todo especial aqueles que mais precisam, por causa do sofrimento, da solidão ou do pecado. Ninguém consegue pôr-se fora da misericórdia de Deus! Ninguém consegue descer abaixo do perdão de Deus! Não conseguimos anular o amor de Deus por nós.

Deus só é bom, e não é capaz de fazer mal. Deus não nos ameaça para cumprirmos a Sua Vontade, Deus não promete castigos, porque Deus não se vinga nem é capaz de maldade nenhuma. O Pai de Jesus é Pai Nosso. Temos motivos para confiar.


ESPERANÇA

Por onde Jesus passava, brotava a Esperança. As pessoas que o ouviam e se fiavam dele sentiam renascer dentro delas a Esperança e os motivos para acreditar. Para Jesus todas as pessoas têm futuro! Há Esperança para todas as pessoas porque todas as pessoas são infinitamente amadas. É a Fé no Amor que nos dá esta Esperança.

O Reino de Deus que Jesus anuncia é este mundo revolucionado pela Esperança e curado pela Compaixão. Quando a nossa mente se abre à Esperança que ultrapassa os queixumes à volta de nós mesmos, e quando o nosso coração se abre à Compaixão que sente as dores dos outros e toca as feridas dos outros, então estamos a pôr-em-prática o Pai Nosso: “Venha a nós o vosso Reino!”

Deus tem Esperança em nós! O maior sinal dessa Esperança de Deus em nós é o Perdão que nos dá. Deus perdoa-nos porque continua a acreditar em nós e não aceita desistir de nós. Nenhum pecado é maior que Deus. Nem todos juntos conseguem afogar a Misericórdia de Deus.

O Deus de Jesus é o Pai a quem mataram o Filho. E, depois disso, o que este Pai faz é convidar aqueles que lhe mataram o Filho a sentarem-se à Mesa consigo. É aí, na Mesa da Graça e do Perdão, que Deus nos quer mudar o coração e nos convoca para um Mundo Novo.


AMOR

Ao Amor de Jesus até chamamos Caridade, para percebermos que é muitas vezes um amor diferente do nosso: mais inteiro, mais gratuito e mais duradouro. É isso que a palavra Caridade quer dizer: Deus ama-nos com Caridade. Quer dizer: o Seu Amor por nós é uma Graça infinita e um Dom sem medida. Deus tinha motivos para não gostar de nós. Mas gosta. E muito! Isso é Caridade, um Amor maior do que tudo. 

Jesus não falava do Amor de Deus como um “sentimento” apenas, mas como um Projecto que Deus tem para nós e do qual não abdica por nada. O Amor de Deus é a doação que Ele nos faz da Sua própria vida: Deus quer que todos os Seus filhos vivam nele e com ele para sempre, felizes e curados. Jesus de Nazaré é a Caridade de Deus em Carne Viva, é a maior declaração de Amor que Deus nos faz.

Como podemos responder a este Amor do nosso Deus? Amor com amor se paga! Aprender de Jesus é amar como ele ama. Seguir Jesus é fazer como ele faz. Quando andava lá na Galileia, Jesus mostrava o seu Amor pelas pessoas investindo nelas: Tempo, Perdão e Vida. Jesus investia naqueles de quem já todos tinham desistido. Às vezes, até já tinham desistido de si mesmos! Mas nós, muitas vezes, desistimos cedo demais uns dos outros. Deixamos de investir Tempo para nos encontrarmos, Perdão para nos reconciliarmos, e Vida para nos ajudarmos. O Amor leva à Partilha. E a Partilha é que nos Salva!





31 março 2015

Felizes os que choram...

Conhecer Deus é poder dizer Felizes....
É poder falar em "feliz" aos que choram, pois saberão que depois da desolação virá a consolação.

Felizes os que experimentam a consolação...
Ser consolado é uma dádiva. E só recebe consolo quem tem próximos.
Quem consolará o(s) último(s)?

Felizes os que podem experimentar a boa notícia que vem dentro de um abraço... o alívio, o conforto...
Esta é a boa notícia a levar aos outros!
Um abraço, consolação... um aperto (até estrangular) as pequenas/ grandes dores, dos irmãos a quem vamos, e das quais nada sabemos sobre o tamanho...

Não são felizes os que choram... mas sim os que choram conhecendo Deus.
E sorte daqueles que encontram contextos de irmandade que não os obrigam a reter lágrimas.
Mas que juntos respeitam a tristeza e a usam como algo que é preciso ser usado mas que não é bom de guardar.

Chorar é respeitar a fraqueza humana, respeitar o mais íntimo... e fazê-lo com Deus é faze-lo ao nascer do Sol!!
 
Ana Ascensão
(obrigado, Anita!)

30 março 2015

no Segundo Dia da Semana

Hoje é um dia de memória obrigatória.

Neste segundo dia da Semana Boa, esconde-se um aviso solene, mas discreto. É o toque de uma das trombetas que anuncia a chegada da Hora:

"... mas a mim não me tendes sempre"   
João 12, 1-8

Meu Senhor e meu único Bem,
a tua vulnerabilidade chega a este extremo!
Ao dizeres que estás sempre no meio de nós e quando dois ou três se encontram, obrigas-nos a olhar uns para os outros e a enfrentar o risco de não aproveitar bem o tempo que nos é dado. Aqui e agora e com estes, que estão ao nosso lado.

Ela aproximou-se e não deixou passar aquela Hora em branco. Em todos os lugares do mundo, onde for anunciada esta boa notícia, será também contado o que ela fez.   
Marcos 14, 8-9

Hoje é o dia de quebrar os receios e as esperas.
Hoje é o dia de extravasar o óleo perfumado que levamos dentro - não para uso pessoal - mas para derramar sem reservas e consolar quem passa ao nosso lado.
Hoje é o dia para aquele abraço de que nos desviámos.
Hoje é o dia para todos os "gosto de ti", os "fazes-me bem", os "obrigados", os "bons olhos te vejam", os "ainda bem que chegaste".
Hoje é dia de parar e de calar. Hoje é dia de ficarmos juntos até que o silêncio nos diga.




Hoje os versos são para entenderes.
Reparto contigo um óleo inesgotável
que trouxe escondido aceso na minha lâmpada
brilhando, sem que soubesses, por tudo o que fazias.

Fernando Assis Pacheco

29 março 2015

A Loucura (sabedoria) de Deus e a Sabedoria (loucura) do Mundo




Deus Santo
Obrigado pelo dom da vossa Palavra, 
a qual nos vai ajudando a crescer espiritualmente 
naquilo a que São Paulo chama a Sabedoria do Alto.

São Paulo queria dizer que a nossa maneira de ver e valorizar as coisas e os acontecimentos 
se vai parecendo cada vez mais com a maneira de ver de Jesus Cristo.

Lembro-me da maneira como o Apóstolo São Paulo valorizava esta Sabedoria 
que vem da Vossa Palavra 
e nos capacita para sermos testemunhas do Evangelho no Mundo:
"Nós ensinamos a Sabedoria de Deus, 
mistério que antigamente estava escondido, 
mas que Deus providenciou de modo a que pudéssemos conhecer em tempo oportuno" (1 Cor 2, 7).

A Sabedoria que vem de Vós, Deus Santo, é muito diferente da sabedoria do Mundo.
Eis a razão pela qual o mundo não gosta dos Apóstolos que anunciam o Evangelho 
e persegue os profetas que denunciam as loucuras e injustiças dos senhores deste mundo.

Foi o que aconteceu com um homem a quem chamavam o Louco da Vila Grande.
Só um grupo de pessoas pertencentes aos pobres da periferia da Vila gostava de o ouvir, 
prestando atenção e ficando a meditar nas suas palavras.

Certo dia, ao passar na praça principal da Vila deparei com o Louco da Vila Grande 
que dirigia a Palavra a um pequeno grupo de pessoas.

Parei para escutar um pouco as palavras desse homem ao qual pouca gente prestava atenção.
Mal comecei a ouvi-lo logo me dei conta 
de que este homem era um apaixonado pela causa de Deus e do Homem.

O seu jeito de comunicar era o de um profeta 
animado pela Sabedoria que vem da Vossa Palavra, Deus Santo.
As multidões não gostam da Sabedoria, 
pois esta implica romper com a multidão que abafa a originalidade das pessoas.

Para crescer na Sabedoria que emerge da Vossa Palavra, 
as pessoas necessitam de saber parar, afastar-se conscientemente da multidão 
e no silêncio, como fazia Jesus, escutar o Espírito Santo que fala no nosso coração 
e meditar na vossa Palavra.

Os senhores deste mundo não gostam da Vossa Sabedoria, Deus Santo, 
pois ela torna patente a falsidade dos seus critérios e as mentiras de que se servem 
para matar e roubar.
A vossa Sabedoria põe a nu a falsidade e a desumanidade das suas decisões e projectos.

Tentei prestar atenção às palavras do Louco da Vila Grande 
da qual retive alguns aspectos que ainda conservo na memória 
e que reproduzo tal como ficaram na minha memória:

"Os seres humanos têm a possibilidade de criar um mundo melhor, 
humanizando as leis, as estrurutras e as relações entre as pessoas e os povos.
Deus é uma comunhão de Amor.

Ao criar-nos à sua imagem e semelhança, 
deu-nos a possibilidade de criarmos sociedades fraternas, 
onde as pessoas aprendam a viver a alegria do dom e da partilha, 
o único caminho para acontecer a abundância, pondo fim a um mundo cheio de carências.

As sociedades opressoras e injustas geram violência.
Os principais culpados desta violência são os causadores da opressão e da violência,
 os quais nem são livres e bloqueiam a emergência da liberdade nas pessoas.

Com efeito, a liberdade é a capacidade de se relacionar amorosamente com os outros 
e interagir criativamente com as coisas e os acontecimentos.

Por ser Amor, Deus deu aos homens a capacidade de se relacionarem fraternalmente 
e organizarem as sociedades segundo os princípios do amor.

Uma cidade regida pelos princípios do amor, dizia o Louco da Vila Grande, 
merece ser chamada de CIDADE NOVA E JARDIM DA PAZ"

Passados alguns tempos li nos jornais uma pequena notícia 
dizendo que o Louco da Vila Grande tinha sido espancado até à morte.


Deus Santo,
Nesse momento pensei:
o mundo não ama a Sabedoria de Deus 
e, por isso, opõe-se à criação da Paz, e da cooperação fraterna.

Dai-nos um coração capaz de acolher e agir de acordo com a vossa Sabedoria.
Amen






NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias