31 agosto 2015


A verdade é que não somos capazes de conceber alguma coisa como de nós mesmos. Por isso, desde o princípio, o Pai entregou-nos uns aos outros.
Precisamos da voz do Outro para ver.
É precisa a nossa voz para que o Outro veja.
Precisamos do silêncio do Outro para escutar.
É preciso o nosso silêncio para que o Outro seja escutado.
Precisamos da mão do Outro para arrancar aquilo a que prendemos as nossas mãos, abrindo-as e libertando-as para o Dom.
É preciso que a nossa mão toque as mãos do Outro, desprendendo amarras e libertando-as para acolher.
Precisamos sempre de Pessoas com rosto, voz, endereço.
É preciso perder o medo de dizer o nome, contar a história, porque o anonimato e a neutralidade matam.
Precisamos do alimento da Paz, da Justiça e da Alegria que se partilha à volta da Mesa, onde o Amor vê-se, toca-se, dá Vida.
Precisamos de assentar, escutar palavras que falem de uma Aliança da qual se tenta fugir até percebermos que já fomos alcançados e estamos enleados uns nos outros.


30 agosto 2015

Carta de Deus Pai



Gosto muito de vós, pois Criei-vos à minha imagem e semelhança. Eis a razão pela qual vós sois pessoas famintas de ternura e amor. Criei-vos homens e mulheres, a fim de vos abrirdes ao diferente e ao novo. Amei-vos ainda antes de existirdes (Gn.1,26-27). Podeis contar comigo, pois sou fiel e amei-vos com amor eterno (Jer.31,3; 1Cron.16,34). Eu faço maravilhas, pois o meu amor é terno e carinhoso (Sal.136,4). É este amor que vos sustém na vida (Sal.94,18).

Vede a prova de amor que vos dei: enviei-vos o meu próprio Filho (Jo.3,1). Fiz isto para fazer de vós meus filhos. Também vos enviei o Espírito Santo que é o meu amor derramado nos vossos corações (Rm.5,5). O meu Filho, ao ressuscitar, enviou-vos o Espírito Santo para fazer de vós seus irmãos. E eu enviei-vo-lo para fazer de vós meus filhos (Rm.8,14-17; Ga.4,6-7).

Não tendes razão para ter medo de mim. Dei provas claras do amor que vos tenho. O meu coração está cheio de ternura e piedade por vós (Ex.34,6). Adão, com o seu orgulho, colocou-vos numa situação desfavorável. Através do meu Filho perdoei o vosso pecado e coloquei-vos de novo numa situação favorável para vos realizardes de modo feliz e poderdes vir a viver comigo (2Cor.5,17-21).

Eu desejo estar unido a vós como um Pai bondoso quer estar unido aos seus filhos. O meu Filho unido a mim, vós unidos ao meu Filho e todos animados pela ternura maternal do Espírito Santo formamos uma única comunhão orgânica (Jo.17,21-23). O meu grande amor por vós levou-me a perdoar totalmente o vosso pecado (Sal.5,3).

Vós não me conhecíeis, mas o meu Filho falou-vos de mim, a fim de vós passardes a conhecer-me (Jo.1,18). Ele foi-me totalmente fiel. Tudo o que fez estava rigorosamente de acordo com a minha vontade. Por isso ele disse: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9). O meu amor é como o Sol: chega para todos e ninguém o esgota. O meu amor é difusivo, isto é, derrama-se para todos. Por isso vos peço que vos ameis uns aos outros e vos perdoeis. A maneira concreta de acolher o meu perdão é perdoardes aos vossos irmãos (Mt.6,14).
       
O modo de o meu Filho vos amar correspondeu exactamente ao meu amor por vós. Por isso Ele disse: “Quem me vê, vê o Meu Pai” (Jo.10,30). O meu Filho vive por mim. Isto quer dizer que existe uma perfeita comunhão de amor entre mim e o meu Filho. O Espírito Santo é uma pessoa cujo jeito de ser é animar as relações de amor e comunhão. É no Espírito Santo que acontece esta vida de diálogo e comunhão com o meu Filho.
       
Assim como o meu Filho vive por mim, também vós vivereis pelo meu Filho se estiverdes unidos a Ele. É exactamente esta a nossa vontade, a minha e a do meu Filho, a vosso respeito (Jo.17,21-23). Tudo o que me pedirdes em comunhão com o meu Filho, podeis ter a certeza de que eu vo-lo hei-de conceder (Jo.16,23-27).
       
É o facto de eu vos amar como filhos que leva o Espírito Santo a clamar nos vossos corações “Abba” que quer dizer papá. Era assim que Jesus se dirigia a mim (Ga.4,6). Só eu mereço verdadeiramente o nome de Pai. Os vossos pais são mediações do meu amor paternal. Eu não procrio, mas o meu amor tem um jeito plenamente paternal. Foi isto que levou o meu Filho a dizer um dia aos seus discípulos: “A ninguém chameis pai sobre a terra, pois um só é verdadeiramente o vosso Pai: o que está nos Céus” (Mt.23,9).
       
Quando orardes, não digais muito palavreado. Dizei coisas simples. Falai comigo como o filho fala com o seu pai quando este é bondoso. Dizei como disse o meu Filho: “Pai-nosso que estais no céu” (Mt.6,9). Não digais muitas palavras, pois eu sei bem do que tendes necessidade, ainda antes de vós me pedirdes (Mt.6,8). Em relação ao amor fraterno e ao perdão, sede perfeitos como eu sou perfeito, pois mando o Sol sobre bons e maus (Mt.5,48).








NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias









28 agosto 2015

Carta


Querido HOJE
De ti me despeço com um "Boa noite!"
Daqui a pouco é hora de abraçar a tua irmã AMANHÃ
Ela, carregada de ESPERANÇA e de um sol que há de NASCER para dizer "Bom dia!"
Ela, tua irmã, carregada de OPORTUNIDADES...

De ti, HOJE, fica a GRAÇA. És cheia de graça, tão graciosa, cheia de uma SABEDORIA do momento, onde cabe a cada um a aprendizagem de não deixar passar nada em vão... Em ti, tudo abraçar!

E aprendi tudo isto da vossa irmã ONTEM, carregada de MEMÓRIA. Ela que muito me visita para não me deixar esquecer.. para me lembrar de que vocês são FILIAÇÃO, filhas deste mundo em ACÇÃO. Ela que numa mesa de café com chá e biscoitos me vem falar de VÍNCULO e sempre lembrar de que todas as vezes que vos abro a porta, juntas desenham histórias dignas (não perfeitas) e dançam por toda esta CASA onde mora QUEM EU SOU!

E se o HOJE não der certo, sei que vos tenho a vocês... ONTEM e AMANHÃ... MEMÓRIA e ESPERANÇA

E se o ONTEM atormentar, sei que vos tenho a vocês... HOJE e AMANHÃ... GRAÇA e ESPERANÇA

E se o AMANHÃ não for desejado, sei que vos tenho a vocês... ONTEM e HOJE... MEMÓRIA e GRAÇA

E vocês, também minhas irmãs... 
Não nos podemos esquecer... somos filhas do mesmo Deus Refúgio, Amor Abrigo, Pai Manto.
Uma família de consolação.

E ele que não nos quis filhas únicas, para que nos tivéssemos lado a lado... fez-nos assim... irmãs...


27 agosto 2015

"Para que quero eu OLHOS, Senhora Santa Luzia?"



Há olhos tão pequenos que só vêem pequeno…
Há olhos tão GRANDES e tão LINDOS que tudo o que vêem é BELO e GRANDE e LINDO!

ESSES, parece que puxam, constantemente, por si mesmos e pela própria realidade...
e tudo fica MAIOR... mais BONITO... mais LEVE... mais APAIXONANTE... TUDO!!!

Porque os nossos olhos também crescem…
Se quisermos...





26 agosto 2015

"os cristãos do belo nome", como dizia o p. Leonel, presbítero do Porto



"Católikê é a palavra grega para dizer Universal; por isso, não é suposto designar um grupo, mas tatuar no nosso modo de proceder uma abertura que vença todos os sectarismos e atitudes que produzam divisão. 

Não posso deixar de sorrir ao escrever sobre a Catolicidade, isto é, a Universalidade da Igreja, neste momento concreto… 

Explico: anoiteceu há pouco em Bissau, e sentei-me agora para continuar esta conversa no fim de um dia em que estive reunido com evangelizadores e agentes de pastoral para um dia de formação missionária. Tinha diante de mim um rosto admirável de Igreja Universal, naquelas dezenas de pessoas à minha frente: havia gente da Guiné-Bissau, Togo, Senegal, Guiné-Conacri, Serra Leoa, Costa do Marfim, Tanzânia, Cabo Verde, Portugal, Espanha, França, Itália, Polónia, Birmânia, Peru, Brasil, Argentina… e devo estar a esquecer-me de alguém, certamente!

Os discípulos de Jesus de todas as cores, estilos, sotaques, modos de vestir, de cantar, de rezar, de rir. É um privilégio experimentar esta irmandade em que a pertença a Jesus nos inscreve, especialmente saborosa em contextos onde o cristianismo é minoritário."


Escrito na minha terra, há uns tempos. 

25 agosto 2015



Andava por ali. Mantendo a distância.
Uns nem notaram.
Alguns viram-no.
Houve quem lhe oferecesse um pedaço de comida.
E ainda quem se chegasse para o lado, criando espaço para ele à mesa. Recusou.


Mas só ela se levantou do lugar, pegou na comida e foi sentar-se a comer com ele. Aproximou-se.
E conversaram. E passearam.
E no fim dançaram!

E só ela lhe soube o nome: Gaetano!



24 agosto 2015

mas quem perder...


Henry P. Bosse

"Perder-se é estar inteiramente presente, e estar inteiramente presente é ser capaz de estar na incerteza e no mistério. E uma pessoa não fica perdida, mas perde-se (liberta-se, desamarra-se), o que implica uma escolha consciente, uma rendição desejada (…).

A palavra ‘perdido’ vem do Nórdico Antigo los, que significa a debandada de um exército. A sua origem sugere soldados a deixarem a formatura para regressarem a casa, uma trégua com o mundo inteiro. Receio que, agora, muitas pessoas nunca larguem em debandada os seus exércitos, nunca se aventurem para além do que conhecem." 

Rebecca Solnit, A Field Guide to Getting Lost



23 agosto 2015

Evangelizar é um acto de amor



Jesus de Nazaré veio revelar aos homens o amor incondicional de Deus. Testemunhou este amor de modo muito claro sobretudo nas suas atitudes para com os doentes, os pobres, as crianças, os mais fracos e desprotegidos. Através do seu modo de agir e falar, as pessoas entendiam o jeito de Deus as amar e a força libertadora do seu amor.

As atitudes de Jesus revelavam de modo muito claro que Deus Pai acolhe os seres humanos como filhos sem estar à espera de que estes o amem primeiro. Podemos dizer a mesma coisa do amor de Deus Filho para connosco. Na verdade, o Filho Eterno de Deus não esteve à espera que fôssemos bons para encarnar, fazendo de nós irmãos seus.

Jesus foi um sinal muito claro do amor incondicional de Deus por nós, sobretudo pelo modo como nos amou até à morte. Através de histórias e parábolas, Jesus ensinou-nos que mesmo nas alturas em que viramos as costas ao amor de Deus, ele não se esquece de nós, como diz a parábola do Filho Pródigo. Pelo contrário, o Pai vem todos os dias ao alto da colina para ver se o filho pródigo já está de regresso a casa.

Com esta parábola, Jesus quis ensinar-nos que Deus Pai, com um coração cheio de misericórdia está sempre disposto a acolher de braços abertos o filho perdido. Depois de o acolher, veste-lhe um fato novo e manda-o entrar para a sala dessa festa.

O conhecimento do amor e da ternura de Deus por nós é um dom que o Espírito Santo nos concede de modo gradual e progressivo. À medida em que nos faz experimentar o amor incondicional de Deus, o Espírito Santo convida-nos a anunciar aos homens a força libertadora do amor de Deus. Por outras palavras, o Espírito Santo que consagrou Jesus para anunciar o Evangelho aos pobres e libertar os cativos, consagra-nos também a nós para continuarmos a mesma missão.

Quando o Espírito Santo nos faz saborear a ternura de Deus, desperta imediatamente no nosso coração o desejo de anunciar a Boa Nova do amor de Deus aos irmãos. A conversão de São Paulo é o testemunho mais claro de como o Espírito Santo não separou a experiência do amor de Deus por si e o renascer de uma paixão enorme pela evangelização dos irmãos:

“Mas quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher que estava sob o domínio da Lei de Moisés, a fim de resgatar todos os que se encontravam sob o domínio desta Lei. E foi assim que nós, libertos da Lei de Moisés, recebemos a adopção de filhos de Deus. E porque somos filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito Santo o qual clama em nós:”Abba” ó Pai. Deste modo já não és servo de Deus mas filho. E se és filho também és herdeiro, pela graça de Deus” (Ga 4, 4-7).

Podemos dizer com toda a verdade que a grande paixão de Jesus foi anunciar aos seres humanos a grandeza do amor de Deus por nós. Quando saboreamos o amor de Deus pelos seres humanos, compreendemos que a missão evangelizadora é um acto de grande amor pela Humanidade. Deus chama-nos a anunciar o Evangelho da bondade de Deus aos homens de todas as raças, línguas, culturas e nações. Quando o fazemos, somos nós os primeiros a ser evangelizados e configurados com Cristo.







NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias










22 agosto 2015

ESTE é um POEMA de AMOR


Eles

Eles
Eles amam-se
E gostam-se
E abraçam-se
E beijam-se
E riem-se
(Baixinho)

E fazem-no com renovado afecto
todos os dias fintando
a monotonia das relações cinzentas
mal suportadas
ou sequer toleradas

E olham-se com um brilhozinho
nos olhos terno meigo de quem
ainda não perdeu a ingenuidade
das coisas simples e Felizes
E são-no de facto : Simples e Felizes

E amam-se
gostam-se
abraçam-se
beijam-se
E riem-se
(Baixinho)

Eles são convictamente católicos
E vão buscar ao Cristianismo
o que este tem de mais puro
A Partilha
dos corpos, dos sentidos, dos prazeres
dos bens, dos sentimentos. Dos males também
E das vidas, das misérias, da fadiga e das tarefas
A partilha das graças e das desgraças
Deles
E dos outros

E amam-se
gostam-se
abraçam-se
 beijam-se
E riem-se
(Baixinho)

E por isso eles vivem a Utopia
Vivem a felicidade das juras cumpridas, de um dia de
Fevereiro em 75, de calças de bombazina e gola alta numa
Igreja em Lisboa com amigos e convivas.
A Felicidade de estarem comprometidos com a vida
Desafiaram-se a vivê-la
E vivem-na
E vivem
Os dois
Eles

Eles zangam-se
São vítimas um do outro. Vítimas do stress dela ou de
complicados esquemas mentais dele.
Partilham as zangas
E resmungam por niquices
Coisas de nada
E fazem-no às vezes como se não soubessem já que estão
condenados a entenderem-se.
E gritam. E ficam amuados. Fazem birra.












Eu e o meu irmão assistimos e participamos.
E vamos tomando exemplos.
É uma sorte eles terem-nos parido.
Pudéramos nós um dia saber
amar, gostar, abraçar, beijar e rir baixinho.
Como eles. (Baixinho)


                              




21 agosto 2015

O Elefante

Um dia contaram-me um conto...
E hoje eu vou recontá-lo...
É para ti!


O elefante é um animal de grande porte e força...
Quando entra em espetáculos de circo, faz demonstrações de equilíbrio e força descomunal...

No outro dia, quando fui ao circo, reparei que antes de  entrar em cena o elefante estava preso e quieto, amarrado a uma corrente que aprisionava uma das suas patas a uma pequena estaca cravada no solo.

A estaca era um pequeno pedaço de madeira e ainda que a corrente fosse grossa parecia óbvio que, ele sendo capaz de derrubar uma árvore com a sua própria força, poderia com facilidade arrancá-la do solo e fugir.

Mas porque será que o elefante não derruba a estaca?
E a resposta é sábia...

O elefante do circo não escapa porque foi preso à estaca ainda muito pequeno. Ele quando recém-nascido puxou e tentou se soltar, e apesar de todo o esforço não se conseguiu libertar. A estaca era muito pesada para ele. Tentou, tentou e não conseguiu...

Até que um dia cansado, aceitou aquela amarra...

Então o elefante agora crescido não se solta da estaca porque acredita que não pode...
Para que ele se consiga libertar é preciso que ocorra algo fora de comum, como por exemplo um incêndio. O medo do fogo faria com que o elefante em desespero quebrasse a corrente e fugisse...

E agora entendo...

É a força da aceitação que o mantém preso...
É o "sempre foi assim" que não o deixa libertar-se...

Mas também sei...

É o sair da sua zona de conforto que o permitirá saber-se CAPAZ...
É o experimentar novas reSoluções que o libertará...
(Ainda antes de o circo pegar fogo!)


20 agosto 2015




ACREDITO num DEUS TODO MÃE, cujas entranhas são Amor que gera, Amor que protege, 
Amor que suporta, Amor que perdoa e, por isso, AMOR que nos mantém à tona da existência!


(escultura de Josep Sanches Carrasco)

14 agosto 2015

Fui a Nápoles e não voltei inteiro


Fiz uma viagem da qual não volto, da qual não sinto que cheguei. Porque a pessoa que foi não é a mesma que cá chegou ontem, ao cair da tarde.

Viajámos (eu com a minha Família), com a mochila da Missão às costas e em carrinhas, à procura de pistas sobre o que levou um tal de Afonso - nobre do reino de Nápoles no século XVIII - a ser quem foi.

À ida, fomos encontrando mais Família sempre que fomos parando: Casa em El Espino, Família em Le Cannet - Cannes, Casa em Scifelli, Casa em Frosinone. Sítios com gente Boa, que nos acolheu e nunca nos deixava ir embora sem tomar “uma água ou uma cervejinha”, ou “as ameixas que já estão ótimas”. Sempre sítios com Mesa posta. Mais Casa e Família em Pagani, Cioranni, Napoli...

Fomos ver onde esse Afonso nasceu e cresceu, onde ele e os seus próximos estudaram e fizeram as primeiras missões, onde fizeram Comunidade. O que viram para se lhes revolverem entranhas e se virarem para os últimos!

E acreditem em mim, ainda lá estavam, as pistas. Bem na profunda Nápoles, outra casa Nossa, mais GENTE NOSSA a viver com aqueles últimos, a fazer o Reino Acontecer. No Mundo. Coração no Reino e Pés no Chão.

Fomos à procura de pistas, e encontrámos Pessoas. Pessoas e Mesa Posta, e Mesa Partilhada.

Fiz uma viagem e não voltei inteiro, porque lá deixei pedaços de mim.
Fiz uma viragem em que a minha própria identidade não ficou intacta.
Talvez tenha sido mesmo por isso que o meu cartão do cidadão deve ter ficado perdido algures por aquelas terras...


David Rocha


13 agosto 2015

POUSIO… O descanso da terra…

Já diz a bíblia que ser Humanidade implica o respeito pelos ritmos inscritos na natureza pela mão do Criador…  Aquele que no sétimo dia, descansou de todas as suas obras;
E ordenou a Israel que celebrasse cada sétimo dia como um dia de descanso, um Shabbath;
E que, de sete em sete anos, desse descanso à terra e não semeasse;
E que, nesse ano só colhesse o indispensável para sobreviver e oferecer hospitalidade.

Porque “aqueles que cultivam e guardam a terra devem partilhar os seus frutos com os pobres, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros.” (Levítico 19)
(Um dia por semana, um ano em cada sete, protegem-nos e protegem a terra da exploração insensata)

E, depois, passadas sete semanas de anos, celebrasse um ano de perdão universal, UM ANO DE MISERICÓRDIA!

(os escravos fossem libertos, as terras que lhes tinham sido tiradas voltassem às suas mãos,
TODAS AS DÍVIDAS FOSSEM PERDOADAS ).



A terra já existia antes de nós, não é nossa, foi entregue nas nossas mãos para a cultivarmos e cuidarmos.
Cultivarquer dizer lavrar, trabalhar um terreno, prepará-lo para o fruto…
Guardaré proteger, cuidar, preservar, velar para que, frutificando, possa chegar às mãos agradecidas das gerações futuras, como herança de um Amor Criador. Como se tivéssemos nas mãos um empréstimo…
Desde o princípio o Homem teve a intuição de que Deus proíbe toda a pretensão de posse absoluta - somos SÓ inquilinos, não somos proprietários – “nenhuma terra será vendida definitivamente, porque a terra pertence-Me, e vós sois apenas estrangeiros e meus hóspedes.” (Levítico 25)

Estamos a ficar longe, muito longe desta Escritura. Perdemo-nos do seu respirar… 
Fizemo-nos senhores do planeta e, a avidez do lucro vai-nos tornando destruidores implacáveis …
Até quando?

10 agosto 2015





 “Uma declaração musical que retrata o Encontro de Amor entre o Homem, a Natureza e Deus. Maria é o nome que uso para a Senhora das Montanhas (…).”

Robbie Basho vagueou, durante os anos 60 e 70, por muitas influências musicais e espirituais
Aqui, as cordas da guitarra apanharam um momento de beleza que faz “o coração tremer, como as folhas de Outono e de Maio”.





07 agosto 2015

Equilíbrio Vigilante...

... Vigilância Equilibrada
                         para NOVOS VOOS



06 agosto 2015

"PRIMEIREAR" A VIDA...

...COM PEQUENOS, INFANTIS PRIMEIROS PASSOS…


e o mais importante é, sempre, o primeiro...
em direcção a... coisas que não são coisas...  projectos... Alguém...


aquele passo que damos LARGANDO seguranças e medos, aceitando desafios, assumindo erros e arranhões... em família, em Comunidade, em Igreja...

na nossa adultez (?) activista e inconsequente, queremos tudo tão grande e tão para ontem que, na pressa, trocamos os pés e, vai daí, não chegamos a lugar algum...

na nossa adultez (?) acomodada especializamo-nos no desânimo e na crítica mordaz dos que avançam... na dor de cotovelo... no não vale a pena ainda antes do começo... não nos peçam mudança. isso não! E tornamo-nos "velhos do Restelo"...

MAS... é sempre tempo de aprendermos a dar pequenos, infantis, primeiros passos
porque isso é uma tarefa BOA, pré anunciadora de FUTURO...



03 agosto 2015

na Grécia


Imagem e excerto da reportagem de Bostjan Videmsek
para ler o artigo completo, clicar aqui
Periodismo Humano

 “Sabes qual é a ironia mais devastadora? Nós temos de pagar mil euros para chegar de Bodrum a Kos, enquanto para os turistas a viagem de ida e volta custa apenas dez euros!” disse Amir Obada, um sírio de trinta anos (…).

Amir vem da famosa cidade cristã de Malula, onde, durante os últimos anos, se trava uma amarga luta entre as forças do governo, o Estado Islâmico, várias milícias insurgentes e grupos cristãos locais armados.

Todos os dias, o grupo voluntário Solidariedade de Kos vem ao “hotel” Captain Elias para distribuir comida, roupa, sapatos e produtos de higiene básica. Quando estes Samaritanos do lugar – Sofia (professora do 1º ciclo), Elena (médica), Alexander (professor do 1º ciclo) e Jorgos (empresário) – chegam para trazer a refeição diária aos refugiados, pode escutar-se, desde longe, um ruído enorme. As crianças, algumas das quais não têm sequer dez anos, agarram-se fortemente aos trabalhadores humanitários que, com dificuldade, conseguem controlar a multidão faminta. Sob o sol intenso, partilham a comida preparada especialmente para os migrantes nas cozinhas de alguns hotéis vizinhos.

Há bastante comida, suficiente para durar todo o dia. Pode sentir-se a enorme gratidão que emana da multidão, mas também um grande sentimento de vergonha. Nos seus lares, estas pessoas não estavam acostumadas a sobreviver graças à pena que provocam noutros seres humanos. Pelo contrário. Os sírios e os afegãos provêm de dois dos países que são considerados os mais hospitaleiros do mundo. Os meus muitos anos como repórter de guerra ensinaram-me que a hospitalidade de um país alberga, normalmente, uma correlação directa com a dimensão das tragédias que a população desse país atravessou.


Noutra ilha mais a norte, 
há um governante determinado em garantir, 
à custa de arame farpado e cães de caça, 
a tranquilidade das férias dos seus concidadãos.



02 agosto 2015

Pessoas Novas no Homem Novo


Pai Santo,
o Apóstolo Paulo disse que Jesus, ao ressuscitar, fez de nós Pessoas Novas (2 Cor 5, 17-19).
Para isso, Jesus comunicou-nos o Espírito Santo, 
a Água Viva que faz brotar nos nossos corações uma nascente de Vida Eterna.

O Espírito Santo inspira-nos uma série de atitudes 
que nos identificam como o Homem Novo, 
moldado de acordo com Cristo.

O Homem Novo é um facilitador da felicidade dos irmãos.
O Homem Novo cresce num clima de relações honestas consigo e com os demais.
O Homem Novo procura realizar-se com os talentos que tem 
e não anda sempre a comparar-se com os demais.
Na verdade, o leque dos talentos varia de pessoa para pessoa, 
pois cada ser humano é único, original e irrepetível.

O Homem Novo sabe que a pessoa não pode ser feliz se não partilhar com os outros 
o seu tempo, os seus bens e o seu saber.

O Homem Novo sabe ajudar os outros sempre que se lhe ofereça ocasião para isso.

Nas relações com as outras pessoas, o Homem Novo sabe adoptar uma atitude discreta e humilde.

O Homem Novo é uma Pessoa que sabe escutar as mensagens que os outros lhe querem transmitir, 
a fim de os poder entender.

Após um fracasso, o Homem Novo sabe sempre levantar-se e avançar para uma nova etapa.

Seremos tanto mais Homem Novo quanto mais vivermos a vida com paixão.

Porque, na verdade, a mediocridade não faz emergir em nós o Homem Novo.



NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias