27 fevereiro 2015

Andar com Fé

Vou dar-vos só mais um bocadinho de musica...
Só porque me parece delicioso!



"Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá...

Que a fé tá na mulher
A fé tá na cobra coral
Num pedaço de pão...

A fé tá na maré
Na lâmina de um punhal
Na luz, na escuridão...

A fé tá na manhã
A fé tá no anoitecer
No calor do verão...

A fé tá viva e sã
A fé também tá prá morrer
Triste na solidão...

Certo ou errado até
A fé vai onde quer que eu vá
A pé ou de avião...

Mesmo a quem não tem fé
A fé costuma acompanhar
Pelo sim, pelo não...

Olêlê, vamos lá!

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá..."


26 fevereiro 2015

Simples… simples…

  Hipócrates, Galeno e Vesálio são três pilares fundamentais da nossa actual Medicina - Hipócrates viveu no século V a.C., Galeno viveu no século II d.C. e Vesálio no século XVI. Contudo, nenhum deles seria, hoje, aprovado no exame de Anatomia.

Durante mais de um milénio ninguém pôs em causa as teorias de Galeno. Nelas se firmava a Medicina da época. Vesálio atreveu-se a pôr em causa muitas das ideias de Hipócrates, o Mestre, e encontrou nelas erros enormes.

Seria mais inteligente? Não se trata disso – apoiava-se já nas descobertas de Galeno, nos conhecimentos científicos e na mentalidade da sua época. Isso permitia-lhe o uso de outros meios. Por isso foi duvidando sempre, na tentativa de se aproximar mais da realidade.

Santo Agostinho e S. Tomás de Aquino foram génios da Teologia.
Um viveu no século IV, o outro do século XIII. Não me parece nada absurdo pensar que, também estes iam reprovar se fizessem hoje exame de Teologia

Pode parecer escandalosa esta minha observação e, os professores de Teologia saberão isso melhor que eu mas, se os aprovassem, eu iria suspeitar de que tinham sido subornados...

O que quero dizer é o seguinte: do mesmo modo que os médicos actuais, continuam a admirar Hipócrates e Galeno e Vesálio como cientistas a quem devem muito, é justo que os Teólogos continuem a admirar Santo Agostinho e S.Tomás sem necessidade de se sentirem presos à sua maneira de entender a sua Fé em Jesus.
A sua Fé e a nossa Fé, pois que temos que a entender para poder  ser vivida de maneira diferente, segundo as diferentes mentalidades e conhecimentos dos diferentes tempos.

Talvez esta minha comparação pareça uma loucura, um quase sacrilégio. É natural que assim pareça àqueles que tratam de compreender a Fé com uma mentalidade fora de época.

Se continuarmos a entender e a formular a Revelação como um processo fechado, estamos condenados a ser considerados uns crentes estranhos no mundo que nos é dado viver. Seremos uns crédulos firmes e seguros mas… será isso que Jesus nos propõe?

Aos teólogos que se escandalizem com esta observação, atrevo-me a pedir-lhes que sejam coerentes:- Quando precisarem de ir ao médico não se esqueçam de procurar um que ainda use os métodos e os meios de que Hipócrates e Galeno se serviam.”

Manuel Guerra Campos, medico galego, in La confesión de um creyente no crédulo



24 fevereiro 2015

IRMÃO

186!

São cento e oitenta e seis vezes que a palavra IRMÃO aparece no livro do Génesis, primeiro de toda a bíblia.
Isto é muito bonito e diz muito!!!

Logo a seguir aos dois relatos da Criação, aparece pela primeira vez esta palavra: IRMÃO (Gn 4, 2).
Para que não haja dúvidas sobre para o quê que esta Criação está sonhada.

O projecto de Deus vai por aqui: uma Humanidade inteira sonhada à Fraternidade. Por isso contar a história da Criação é desafiar a Humanidade à fraternidade. Percebeu isso de modo extraordinário o Povo de Israel que na grande homilia do relato da Criação narrou toda a História como uma história de irmãos (Gn 4-50).

É bonito isto! De facto, nos relatos da Criação a palavra irmão não aparece, nem é necessário que apareça. Porque falar de um Deus Criador e de uma Humanidade criada pelo Deus Criador, é falar de uma Humanidade fraterna. Por isso, assim que terminam os relatos da criação, a História desenvolve-se como história de irmãos (ou pelo menos sonhada a isso). Sim, é isso que o livro do Génesis nos quer fazer entrar pelos olhos dentro ao dizer 186 vezes a palavra IRMÃO nas suas páginas.
Toda a Humanidade é contada à luz deste sonho...
E quando o povo de Israel se põe a contar a sua história também a conta como uma história de irmãos. Contar a história dos patriarcas que estão na origem das 12 tribos do Povo de Israel, é lembrar e desafiar este Povo à fraternidade. É isso que quer dizer 12 tribos descendentes de doze irmãos.

Que fizeste do teu irmão?
É a pergunta que, logo aí nos começos, se ouve da boca de Deus (pergunta que ecoará ao longo de toda a História....).


Não é ao acaso que o primeiro evangelho de Jesus a ser escrito, o Evangelho de Marcos, nos conta que logo a seguir às suas [de Jesus] primeiras palavras:  
"Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e acreditai na Boa Notícia."
os seus primeiros gestos são começar a reunir uma comunidade de irmãos... "Simão, e o seu irmão André (...) Tiago, e o seu irmão João" (Mc 1,14-20) ... fazendo 12, evocando aquela homilia do Projecto Criador de Deus.

Cumpriu-se o tempo... e o Projecto de Deus entra agora no seu fim, chega à sua finalidade. É para aqui que Jesus aponta quando ensina os seus discípulos a rezar "Pai Nosso que estás nos céus...", desafiando todos os homens a chamarem Pai apenas a um só: ao Pai Nosso que está nos céus, e a tratarem-se entre si como irmãos (Mt 23, 8-9).

E é bonito, isto! Parece que Jesus não nos quer deixar esquecer isto e fazer-nos ir lá aos começos recordar aquele Sonho de Deus. Porque é esse sonho - o sonho de uma Humanidade Fraterna - que Ele e nEle agora se cumpre!

23 fevereiro 2015

recolhimento e comunhão



Estas palavras de Thomas Merton foram escritas após um momento de contemplação e de comunhão, enquanto passava pelo cruzamento de duas ruas muito movimentadas numa cidade dos EUA, longe do seu eremitério na abadia trapista de Gethsemani.

“(…) estamos no mesmo mundo que todos os outros, o mundo da bomba, o mundo do ódio racial, o mundo da tecnologia, o mundo dos meios de comunicação, dos grandes negócios, revoluções e tudo o mais. Adoptamos uma atitude diferente perante todas estas coisas, porque pertencemos a Deus.

Esta sensação de libertação de uma diferença ilusória constituiu um alívio tão grande e trouxe-me tanta alegria que quase desatei a rir às gargalhadas. E suponho que a minha felicidade se poderia consubstanciar nestas palavras: «obrigado, meu Deus, obrigado, meu Deus, por eu ser como qualquer outra pessoa, por ser apenas um homem entre os demais». É um destino glorioso ser um membro da raça humana, embora seja uma raça dedicada a muitas coisas absurdas e que comete erros terríveis. No entanto, apesar de tudo, o próprio Deus a glorificou tornando-se um dos membros da raça humana! Pensar que um conceito tão comum se transformou repentinamente numa notícia bombástica, como se alguém acenasse com o bilhete premiado de uma lotaria cósmica. Tenho a imensa alegria de ser homem, um membro de uma raça em que o próprio Deus encarnou. Como se os sofrimentos e disparates da condição humana pudessem dominar-me, agora percebo o que todos somos. E se ao menos todos pudessem perceber isto! Mas não é possível explicá-lo. Não há maneira de dizer às pessoas que elas são como brilhantes cintilando ao Sol.

Isto nada muda na consciência e no valor do meu recolhimento, porque, de facto, a função da tranquilidade é fazer cada um de nós perceber estas coisas com uma tal clareza, impossível de obter por uma pessoa imersa nas preocupações dos outros, nas ilusões alheias e nos automatismos de uma existência altamente colectiva. O meu recolhimento não é, contudo, meu, porque apercebo-me agora até que ponto ele lhes pertence – e sou responsável por ele perante eles, não apenas perante mim mesmo. É por me sentir um com eles que lhes devo o facto de estar só, e quando estou sozinho eles deixam de ser «os outros» para serem eu próprio. Não existem estranhos!”

Thomas Merton, Conjectures of a Guilty Bystander, 1968

22 fevereiro 2015

Identidade Espiritual e Sabedoria



A nossa identidade espiritual está estruturada pelas nossas decisões e escolhas na linha do amor.
Na verdade nós, em colaboração com o Espírito Santo somos os modeladores da nossa realização.
O Espírito Santo vai-nos inspirando e conduzindo no sentido da nossa realização, 
mas não nos substitui.

A presença do Espírito Santo acontece no nosso íntimo 
como interacção adequada à realidade e identidade de cada pessoa.
Com o seu jeito maternal de amar, 
optimiza o melhor das nossas possibilidades de humanização, embora sem impor.
Por outras palavras, o bem que fazemos configura a nossa interioridade espiritual, 
a matéria-prima essencial que Deus ressuscita e assume na Família Divina.

Podemos dizer que a nossa identidade espiritual 
é o nosso jeito de amar e comungar com Deus e os irmãos. 
É com este jeito que participamos no Reino de Deus como pessoas únicas, originais e irrepetíveis. 

O centro dinâmico a partir do qual emerge a nossa vida espiritual 
é aquilo a que a Bíblia chama coração, o núcleo mais nobre da nossa interioridade espiritual.
Segundo a visão bíblica, o coração é a sede dos nossos projectos no sentido do bem ou do mal. 
É o ponto de encontro com Deus e os irmãos. 
Os encontros e as relações humanizantes que vamos concretizando 
são os frutos bons que produzimos e tornam a nossa vida fecunda. 
Estes frutos brotam do nosso coração, graças à força do Espírito Santo que nos habita (Gal 5, 22).
A Carta aos Romanos diz que o Espírito Santo é o amor de Deus 
derramado nos nossos corações (Rm 5, 5).

Com a sua luz e Sabedoria, o Espírito Santo ajuda-nos a vencer os critérios do mundo, 
tornando-nos pessoas que vencem os critérios do mundo.
O Livro da Sabedoria diz que o insensato se fixa apenas nas aparências 
e não consegue elevar-se até ao autor da Criação:
“A ignorância acerca de Deus e das suas obras instalou-se no coração do insensato.
É por esta razão que ele não é capaz de vislumbrar o autor invisível das belezas visíveis.” (Sb 13, 1).
A Carta aos Efésios diz que a Sabedoria que conduz à verdade de Deus 
é uma revelação que acontece no nosso coração graças à acção do Espírito Santo:
“Que o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, 
vos dê o Espírito da Sabedoria e da Revelação, 
a fim de poderdes conhecer bem o Deus da Glória” (Ef 1, 17).

Aqueles a quem é concedido o dom da sabedoria, 
saboreiam os mistérios de Deus, do Homem e da História com os mesmos critérios de Deus.
São Paulo explica aos cristãos de Roma 
o que significa saborear as coisas com os critérios de Deus quando afirma:
“O Reino de Deus não é uma questão de comida e bebida, 
mas sim de justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14, 17).
O evangelho de São Lucas diz que Jesus crescia 
em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens (Lc 2, 52).

Esta sabedoria é um dom que o Senhor ressuscitado nos concede pelo Espírito Santo 
mesmo nos momentos em que temos de tomar decisões e enfrentar perigos.
Eis as palavras de Jesus: “Naquela hora dar-vos-ei eloquência e sabedoria, 
às quais nenhum dos vossos adversários poderá resistir nem contradizer” (Lc 21, 15).
O Livro dos Actos dos Apóstolos diz que Estêvão, no momento do seu martírio, 
estava de tal modo cheio do Espírito Santo e de Sabedoria 
que os seus inimigos não podiam resistir-lhe (Act 6, 10).
São Paulo diz que o Espírito Santo e a sabedoria de Deus 
só habitam nos corações simples e humildes:
“Ninguém se iluda: se alguém de entre vós julga ser sábio aos olhos do mundo, 
torne-se louco, a fim de obter a Sabedoria de Deus.
Na verdade, a sabedoria do mundo é loucura diante de Deus” (1 Cor 3, 18-19).

A Sabedoria é uma fonte de alegria e felicidade. 
De facto, as pessoas de coração sábio fazem o bem, 
conscientes de que o melhor prémio do bem que fazem é a alegria de o terem feito. 

Podemos dizer que a Sabedoria é o cinzel que modela os grandes mestres, 
dos quais, o maior foi Jesus Cristo.
Os homens de coração sábio são realmente mestres, 
isto é, pessoas que, pelo seu jeito de falar e agir, inspiram outros, 
ajudando-os a crescer e a realizar-se como pessoas livres, conscientes e responsáveis.



NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias










20 fevereiro 2015

Primeiro dia




"A principio é simples, anda-se sozinho
Passa-se nas ruas bem devagarinho
Está-se bem no silêncio e no borborinho
Bebe-se as certezas num copo de vinho
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
Dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
Diz-se do passado, que está moribundo
Bebe-se o alento num copo sem fundo
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
Entra-se cansado e sai-se refeito
Luta-se por tudo o que se leva a peito
Bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja
Apagam-se dúvidas num mar de cerveja
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
E outra maré cheia virá da maré vaza
Nasce um novo dia e no braço outra asa
Brinda-se aos amores com o vinho da casa
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida."


19 fevereiro 2015

E Deus chora…

Porque são TANTOS os Egiptos de escravidão e, interminável é o clamor dos escravos de todas as nações…



Acredito um Deus que vê o sofrimento dos filhos dos homens…

E ouve os gritos mais silenciosos dos angustiados da terra…
Um Deus que rasga o céu, incrédulo e horrorizado, e, com os olhos rasos de água e as entranhas revolvidas, pergunta sem cessar: “Que fazes, tu, do teu irmão!?”

Acredito um Deus que chora… E Espera… Porque este é o sétimo Dia.
E a Criação ainda está incompleta:  Tudo está ainda incompleto…TODOS estamos ainda incompletos.

Acredito um Criador que pediu as nossas mãos e não virou as costas…
E que o FIM não é isto que vemos, os jornais dizem, os medos nos anunciam.

E que na cruz que todo o sofrimento desHumano desenha, Deus está…
E que o sofrimento do Homem e de Deus são um só sofrimento.

Acredito um Deus que chora…E Espera… Porque é d’ Ele a última Palavra.
E nós já VIMOS a Sua Palavra, Aquela que fez maravilhas na Terra.

Tu és Meu! Palavra dita e feita no Seu Jesus… E, nEle, dita e feita no Seu Judas…

Porque o Senhor é um Deus mole. Mãe esperançada que ameaça castigar mas...Não!
Pai paciente, lento para a ira e cheio Misericórdia e de Amor…

“Será que eu não devo ter pena de Nínive, esta cidade enorme, onde moram mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem distinguir a mão direita da mão esquerda, além de muitos animais?” Jn

E se as contas de Jonas saíram furadas, as nossas não vão ter melhor sorte…
Porque os Seus critérios são diferentes dos nossos…. E os Seus julgamentos também…

Acredito um Deus que SÓ é Bom...Um Deus que na passagem deixa um rasto de Bênção...

18 fevereiro 2015

pó vs pó


Lembra-te, ó homem, que és pó, e pó te hás-de tornar!

Quem faz questão de nos lembrar isto continuamente não é a Igreja na sua Liturgia das Cinzas. Quem faz questão de o mostrar de tantas maneiras são as potências e os potentes do mundo que, por sua vontade, reduziriam tudo a pó para construírem os pedestais dos seus próprios bustos glorificados. Passamos os olhos por quatro dos cinco continentes e vemos, neste preciso momento, o pó no ar, levantado, revolvido, nas praças de tantas lutas e nas valas comuns de algumas chagas abertas da Humanidade. Entre gente que avança e gente que foge, a verdade é que há horas em que aparecemos diante do nosso próprio olhar como coisa bem estranha! Se Jesus criticava os que queriam construir a vida sobre a areia, hoje certamente criticaria aqueles que querem construir sobre as cinzas de tudo o que estão dispostos a destruir no caminho.

Lembra-te, ó homem, que és pó, e pó te hás-de tornar!

A ciência também já aprendeu, maravilhada, este refrão! Somos poeira estelar, pó do Universo, e voltaremos a integrar dessa maneira o cosmos que formamos. Isso é maravilhoso. Não é o pó levantado pelos nossos pés em luta, mas o pó estelar que tem milhões de anos de histórias para contar. E nós, maravilhosamente, parte disto. Parte de uma partitura criacional imensa, grandiosa... Com uma estrutura nuclear e molecular da qual não somos donos mas devedores. Somos, biologicamente, uma dívida! Vivemos, em tudo, de Graça. No mais matricial da nossa existência, não temos a hipótese de ser donos nem individuais: somos graciosos e interligados a tudo. Acredito que o caminho da conversão da nossa vida também passa muito por aqui, pela descoberta da existência como Pertença e Graça.


17 fevereiro 2015

Comida, sim, mas da boa!

Em dia de Carnaval, ou como se diz em latim, carnis levale [em português, adeus às carnes]...

Hoje é para descontraRIR. Ou simplesmente sorrir...


video

16 fevereiro 2015

o teu silêncio

Apareceram as perguntas, as cobranças, as expectativas. Mas tu, suspirando profundamente, sopraste um vento de liberdade, que faz voar para longe os planos de controlo a que nos agarramos.    Mc 8, 11-13

O teu silêncio.

O teu olhar calado faz-nos estremecer. E deixas-nos em suspenso, de olhos presos a ti, enquanto abres caminho e passas – livre e provocador – pelas nossas dúvidas, ansiedades... 

O teu silêncio é um privilégio.

Ensinaste este segredo de intimidade a alguns, muito poucos. 
São muito poucos, e costumam andar pelas margens da vida, aqueles que nos calam com um olhar e nos atravessam com a tua Paz.

Obrigada.


13 fevereiro 2015

Histórias de Amores

Tenho o privilégio de na minha vida já ter vivido situações de limite…
Ali onde tudo sabemos e aquela margem onde nada se vê…
Agradeço de verdade ter escolhido um caminho que me permite isso....
Acredito que me ajuda a perceber-me melhor e aos que me rodeiam...
Agradeço a possibilidade de um dia (ou dias) ter acompanhado alguém a morrer.




É difícil explicar, numa sociedade onde se vê a morte como o papão, uma sensação de alegria em poder ter vivido isto… mas vou partilhar com vocês um pouco deste sentimento, porque me parece uma boa notícia! E parece-me boa notícia, porque não me consigo calar... ando com isto às voltas aqui dentro há uns dias bons… por isso, na dúvida, deve ser mesmo…

Vou tentar não romantizar a coisa, mas a verdade é que na maior parte das vezes (pois nem em todas as histórias é possível olhar tudo isto de forma serena) senti como se tudo se tratasse de uma história de amor…

Foi um dia… uma noite… onde o senhor J. encontrava-se em estado agónico. Assim se chama ao momento que antecede a morte, quando se verifica um enfraquecimento progressivo das nossas funções vitais…

Diz-se que uma pessoa entra em estado agónico nos três últimos dias da sua vida, apesar de isto nem sempre acontecer assim… É uma generalização, e às vezes somos surpresa e permanecemos num suposto estado agónico mais dias do que os chamados “vivos” esperam. Às vezes os que estão para morrer gostam de enganar os “cheios de vida”…

O Sr. J. já se encontrava assim há um dia, e esperava-se que morresse em breve, por todos os sinais e sintomas que apresentava. Na certeza de que estas manifestações não eram certeza de nada…

Estava tranquilo, com alguma terapêutica que ajudava a manter-se sem dor.
Não parecia existir qualquer tipo de sofrimento…
Apenas um apagar lento…

Passou a noite assim…
Fui espreitá-lo algumas vezes, sem entrar…
E de manhã, ali estava ele…
Sentia-o por um fio...
E assim foi…

Quando entrei finalmente, pela manhã, no quarto do Sr. J. e ele pode sentir a minha presença, parou de respirar como o vi fazer minutos antes de entrar no quarto…

Ele esperava-me…
Não a mim…mas a alguém capaz de relação…
Não sabemos nada disto, mas a verdade é que acontece muitas vezes.
As pessoas esperam alguém para poder ir…

E, muitas vezes, não vão sem antes despedirem-se de alguém muito querido ou resolverem aquela situação encravada. Desencravado tudo, alguém (não sei se a própria pessoa) dá permissão para ir…
Muitas vezes, é mesmo só aquele período de tempo até chegar a casa e morrer no espaço que tanto pediu para ser o último… quantas vezes isto aconteceu...

Voltando ao momento com o Sr. J….
Quando cheguei ao quarto toquei-lhe…
Quis dizer-lhe: “Estou aqui!”

Talvez esta tenha sido a melhor forma de lhe falar, na incerteza de ouvir o que quer que seja... apesar de se acreditar que a audição é o último sentido a deixar de o ser...
E ele quis responder: “Estou a deixar de estar aqui!”

Deu um suspiro… profundo na expiração… onde já nada importa consumir… apenas consumar...
Pensei que já não estivesse mais aqui...

Permaneci…
Toquei…
Havia um misto de frio e quente…

Suspirou mais uma vez...
E desta vez iniciou de vez a viagem para a terra do “não sei onde”... que se acredita ser a Terra do Sempre...

Mistério ali diante de mim...
Mistério e calma...
Relação e acompanhamento...
Toque...
Tristeza sem explicação, alegria explicada...

Ali vi beleza frágil, vulnerável, comovente…

Houve diálogo… e é difícil exprimir esta alegria íntima e secreta, pois vista de fora pode parecer triste, até deprimente... Mas tudo pareceu tão leve e fino… tão presente…

Neste entretanto o Sr. J esticou as pernas...
E a verdade é que nunca tinha visto a sabedoria popular relacionada com o momento de despedida a concretizar-se diante dos meus olhos...

Dei uma gargalhada interior “Olha... esticou o pernil!"
De seguida parei e travei-me: “Ana... o Sr. J morreu!”
Mas logo de seguida veio a naturalidade, contra todo aquele social que queria surgir:
“E daí? Alguém disse que não era de rir? Neste momento de intimidade porque não rir e sorrir?”
Sorri!! "Ele esticou de verdade o pernil!"

Esticou-se mesmo… já não se prende aqui, nem tem medida…

Na verdade, quem disse que a morte era triste?

Apenas inventamos o medo diante dela, como uma forma de reclamar e chantagear alguém (talvez alguém lá de cima) para que nos venha contar o que há depois…

Medo de quê? Viver uma vida onde sabemos que há tanta coisa boa com medo, só porque “não se sabe”? E porque não acreditar que pra lá da cortina há banquete do bom? Não se sabe… mas na dúvida pensemos em comida!!

Naquele momento de tanta intimidade pensei na filha do Sr. J com quem criei empatia nos últimos tempos… Quis abraça-la. Fi-lo no pensamento e ali ficou o abraço guardado na eternidade porque entretanto nunca mais a vi…

Tive vontade de lhe dizer: ” O seu pai, o Sr. J. disse aDeus! Foi tranquilo! Pelo menos do que se vê!”

Tudo isto é boa notícia para mim...
Rouba-me o medo...
Faz-me olhar a vida com carinho e tranquilidade...
Faz-me confiar e esperançar uma vida onde somos acompanhados até ao fim...
Onde quando já não há nada a fazer há sempre algo que pode ser feito…

É também verdade que nem sempre é assim…
Mas é a possibilidade de melhor que me anima...
De uma vida com mais amor, transparência e dignidade

Todas estas experiências permitem cortar com os medos e dividi-los em fatias mais pequenas, permitindo viver de uma forma mais plena… assim acredito!

É verdade que não se dissipa tudo, mas muito do tudo se dispersa para que nos possamos concentrar no fundamental da nossa vida…

Ajuda-nos a viver melhor as pequenas mortes dos nossos dias…
Ajuda-nos a encará-las como natural… e a dizer “que o que é natural é bom!”
Ajuda-nos a sermos capazes de reAnimar as nossas vidas desAnimadas como uma vitória… e a olhar com gratidão para o quanto Animados podemos e conseguimos ser…

A saudade, essa, acredito que é outro profeta… com muito para nos ensinar…
E ressuscitar!

Tudo isto ensina-me que o essencial na vida é Acompanhar…
Que nada mais importa que sentirmo-nos perto e parte uns dos outros.
Dá-me a esperança de que não estaremos sós, nem mesmo no fim…
Quando tudo vira ponto de interrogação…

É bom acreditar que quando não temos mais nada a fazer, podemos ser acompanhantes uns dos outros e vivermos em vigília paciente e afectiva... uns para com os outros...




E acredito também que o melhor que podemos oferecer uns aos outros é a Paz.
Partir em Paz! E levar só o que e bom de guardar...
Porque o resto… é resto e do resto pouco se faz…

Ver alguém morrer em guerra, consigo e/ou com os outros, é como ver um campo de batalha quando tudo termina… resta só tristeza e os destroços de desumanidade…

E com todo este texto cheio de experiência pessoal não quero magoar aquelas pessoas que tiveram alguém na vida que morreu de forma trágica, mais injusta ou sofrida… Isso também é uma realidade e não pode ser negada…

Mas isto tudo que hoje escrevo aqui é uma esperança muito grande, que me alegra só pela sua possibilidade… até pela esperança que pode significar para estas mesmas pessoas…

A esperança de Acompanharmo-nos… até ao fim!! 
Velhos ou novos...


12 fevereiro 2015

DIREITOS E DEVERES DOS DOENTES












Porque todos os dias são dia mundial do doente...

Porque há aquele mínimo que TODOS (doentes e sãos) devíamos saber… 
e acolher... 
e aprender a exercitar...











O direito à protecção da saúde está consagrado na Constituição da República Portuguesa e assenta num conjunto de valores fundamentais - a dignidade humana, a equidade, a ética e a solidariedade.

Mas há por-maiores que muitas vezes ignoramos e devíamos saber. Por isso, acusamos com ligeireza, refilamos com facilidade e perdemos a calma e o respeito uns pelos outros com mais facilidade ainda. Exigimos coisas que não fazem sentido e descuidamos o que nos compete….

Talvez também por isso tenhamos tanta dificuldade em agradecer… a Deus e aos Homens e às Mulheres que nos tratam da Saúde! Mesmo quando as coisas não correm como desejaríamos.

Talvez por isso alguns desses fiquem tão Tocados quando o seu trabalho é reconhecido com gratidão.

É que…são muitos os Milagres que acontecem num Hospital ou num Centro de Saúde…

Por muito decrépitos e velhos que estejam os edifícios, os Milagres acontecem lá, esparramados aos nossos olhos que, de tão religiosos, já perderam a sensibilidade à presença de Deus e do Seu Reino no meio de nós e, ficam à espera de outros milagres…

É que, não raramente, em vez de  Competência + Cuidado Amoroso que verdadeiramente nos Salvam, esperamos que um qualquer deus, imaginado e todo - poderoso, contrarie e revire em nosso favor particular as leis que regem a Natureza em geral…

SABER CUIDAR é UM DOM MAIOR 

Embora muitas vezes a realidade da Saúde no nosso país se nos apresente a léguas do desejável e da própria lei, os nossos olhos não podem ficar embaciados a ponto de não sermos capazes de ver o Gosto, o Carinho, o Desvelo, o Cuidado que TANTOS Técnicos de Saúde põem no seu trabalho e que vai muito para além da competência que qualquer profissão exige - passa para uma outra esfera, a esfera da GRAÇA de que tanto sentimos a falta ou a presença nos momentos da nossa maior fragilidade - o nascimento, a doença e a morte.

Por isso, hoje é assim:

Os Direitos dos doentes 
  1. O doente tem direito a ser tratado no respeito pela dignidade humana;
  2. O doente tem direito ao respeito pelas suas convicções culturais, filosóficas e religiosas;
  3. O doente tem direito a receber os cuidados apropriados ao seu estado de saúde, no âmbito dos cuidados preventivos, curativos, de reabilitação e terminais; 
  4. O doente tem direito à prestação de cuidados continuados;
  5. O doente tem direito a ser informado acerca dos serviços de saúde existentes, suas competências e níveis de cuidados;
  6. O doente tem direito a ser informado sobre a sua situação de saúde; as alternativas possíveis de tratamento e a evolução provável do seu estado.
  7. O doente tem o direito de obter uma segunda opinião sobre a sua situação de saúde;
  8. O doente tem direito de decidir receber ou recusar a prestação de cuidados médicos ou a participação em investigação ou ensino clínico que lhe sejam propostos.
  9. O doente tem direito à confidencialidade de toda a informação clínica e elementos identificativos que lhe respeitam;
  10. O doente tem direito de acesso aos dados registados no seu processo clínico;
  11. O doente tem direito à privacidade na prestação de todo e qualquer acto médico;            
  12. O doente tem direito, por si ou por quem o represente, a apresentar sugestões e reclamações


SABER DEIXAR-SE CUIDAR TAMBÉM é UM DOM MAIOR


Os Deveres dos doentes 
  1. O doente tem o dever de zelar pelo seu estado de saúde - deve procurar garantir o mais completo restabelecimento e também participar na promoção da própria saúde e da comunidade em que vive; 
  2. O doente tem o dever de fornecer aos profissionais de saúde todas as informações necessárias para obtenção de um correcto diagnóstico e adequado tratamento; 
  3. O doente tem o dever de respeitar os direitos dos outros doentes; 
  4. O doente tem o dever de colaborar com os profissionais de saúde, respeitando as indicações que lhe são recomendadas e, por si, livremente aceites; 
  5. O doente tem o dever de respeitar as regras de funcionamento dos serviços de saúde; 
  6. O doente tem o dever de utilizar os serviços de saúde de forma apropriada e de colaborar activamente na redução de gastos desnecessários.”
AMEN!

11 fevereiro 2015

o que se vê daqui, deste lugar a que chegámos?


Dizem que a Fé é um promontório, lugar de avistamento e descanso,
e a Esperança é que é o caminho
Sou de me fiar

O que se vê daqui, deste lugar a que chegámos?

Abrir os olhos da Fé é dar de caras com Jesus, Vivo e Activo,
insinuante e todo dado a começos

Suscitado entre nós,
ReSuscitado para nós

Homem como nós, Bom como Deus,
Jesus é o presente mais bonito que Deus ofereceu à Humanidade,
e o presente mais bonito que a Humanidade ofereceu a Deus

A sua ressurreição é Insurreição Divina,
um Deus em desacordo com os mandantes de turno,
o Deus das vítimas e dos últimos

Se Deus ReSuscitou Jesus, o castigado e condenado,
então não é um Deus que castiga e condena em nome da sua justiça
mas o Deus dos castigados e condenados pelas nossas injustiças

A ressurreição de Jesus é revelação da Última Palavra de Deus
acerca das nossas maldades e desmandos,
afinal, todas penúltimas, todas a prazo, todas vencíveis

Daqui deste lugar a que chegámos,
cheira ainda a Jesus,
nem o tempo o levou
nem os nossos passos mais toscos
apagaram os vestígios das suas passadas por aqui

Daqui conseguimos vislumbrar, como um rumor,
que passa ainda entre nós aquele que não se deteve no passado
nem nós conseguimos reter neste presente
ele segue sempre adiante,
vivo e andarilho,
a repetir as duas coisas que mais gosta de dizer:
"É Hora de Deus Reinar"
e
"Segue-me"

Na adesão a isto é que se joga toda a Memória e toda a Profecia que nascem da Páscoa de Jesus

Se Deus ReSuscitou Jesus,
então a nossa Fé é uma Páscoa, a nossa Fé é uma Passagem,
um trânsito,
uma travessia

ter Fé é andar

andar d'Esperanças

com os olhos postos na maneira de viver daquele Galileu

até que Deus, que já é tudo nele, seja tudo em todos

Então, daqui deste lugar a que chegámos,
a gente começa a perceber, finalmente,
que a ressurreição de Jesus nos retirou os pontos finais todos,
e fica a Narrativa da História sempre em aberto ao "afinal de Deus"
que é um Amor sem medida e




10 fevereiro 2015

ESTE Jesus - MAS Deus

Escutem bem estas palavras: 
Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus diante de todos vós, 
           como bem viram pelos milagres, sinais e coisas extraordinárias que Deus fez através dele, no vosso meio.  
                                      ESTE Jesus vós o matastes, crucificando-o pela mão de gente desumana.
MAS Deus o Ressuscitou, libertando-o do poder da morte, pois não era possível que ele fosse dominado por ela.

A ESTE Jesus, Deus o Ressuscitou e disto nós somos testemunhas. 
Ele recebeu do Pai o Espírito Santo e o derramou para todos e é isso que vedes e ouvis.
Saibam portanto com toda a certeza: Deus o constituiu Senhor e Messias, ESTE Jesus a quem vós crucificastes.

Act 2, 22-36


Este é o coração do anúncio da nossa fé (Kerygma). ESTE Jesus que passou fazendo o bem - curando, libertando, perdoando - com aqueles critérios e opções fundamentais, e que na cruz foi pregado como um mal-dito. ESTE mesmo Jesus, ESTE, a quem crucificaram, MAS Deus o Ressuscitou.

O coração do anúncio da nossa fé é um Messias Crucificado. Aquele Homem concreto, Jesus de Nazaré.
por Deus Levantado! por Deus re-Suscitado! 
a Ressurreição é o grande MAS de Deus.

09 fevereiro 2015


De um modo mais ou menos subtil, cobram-nos horários, compromissos, objectivos, resultados. No extremo oposto, vive-se sem planos, sem agenda, sem expectativas. 

Mas ainda há quem pergunte por nós.

Aconteceu-me num domingo de Agosto. Acordaram-me, arrastaram-me para um jardim e ali, frente-a-frente, sem hipótese de fuga, ouvi a pergunta: "Quais são os teus sonhos?"

É uma cobrança difícil... que só pode ser feita por quem nos ama muito... como um Pai, um Irmão.

08 fevereiro 2015

louvor a Deus por um sonho



Deus Santo,
Queria louvar-vos pelo sonho que tive esta noite, sonho que me deixou feliz!
Entrei no sonho pela mediação dos cantos matinais 
das aves que iniciavam alegremente um novo dia.

Olhei e vi que o sol começava a irromper. 
A luz brilhante daquela manhã transportou-me para o início da Criação.

Nesse momento recordei a Palavra Criadora do Livro do Génesis: 
“Deus disse: Faça-se a luz. E a luz surgiu. 
Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas” (Gn 1, 3-4).

Compreendi que o aparecimento da luz no início de um novo dia 
é como que uma nova Criação:
As plantas tornam-se verdes e o céu ganha de novo o seu azul.
Gradualmente as aves iniciam os seus cantos matinais 
e, dentro de pouco, começam a surgir as crianças a saltitar.

Naquela manhã de sabor divino, o meu coração estava predisposto 
para acolher o Deus que inicia a génese do Universo 
com o clarão majestoso da explosão que deu origem ao Universo.

Saboreei, então, a dinâmica criadora de Deus que é tão real hoje, 
como foi ontem ou no começo da criação.
Compreendi que Deus não é um mágico que fez aparecer as coisas, 
retirando-se logo em seguida.

Naquela manhã compreendi 
que os ritmos e a harmonia presentes na marcha da Criação 
têm a sua origem nas relações amorosas da Santíssima Trindade.

Depois saboreei a gratuidade de Deus ao fazer avançar o processo criador.
Perante esta visão majestosa, o meu coração dilatou-se para acolher as bênçãos 
que o Criador começava a difundir pela vastidão do Universo.

E foi assim que me dei conta de que a felicidade está ao nosso alcance,
porque vós, Deus Santo, habitais em nós.
Exultei de alegria perante a grandeza e a generosidade 
de um Deus sempre disponível para comunicar connosco.

Louvado sejais, Senhor Deus por esta possibilidade de sermos felizes todos os dias, 
pois não só estais em nós como sois um Deus para nós!

Senti no meu íntimo como que uma Água Viva, forte, mas amável, 
a jorrar dentro do meu peito. 
Compreendi que era a Salvação a circular e a habitar no meu coração.

Senhor Deus, a luz daquela manhã foi como que uma réplica 
do teu gesto de amor no primeiro dia da Criação.

Depois, Jesus Ressuscitado disse: podeis marcar encontro com a fonte da Vida 
do Amor sem ter de vos deslocar para longe.

Exultei de alegria, pois compreendi 
que a Criação estava a acontecer no mais íntimo do meu ser. 
Saboreei tudo isto e cantei um cântico nunca antes cantado, 
pois sentia emergir em mim a Vida Nova.

Já quase a terminar o sonho, vi que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sorriram para mim.
Depois, Deus Pai, disse-me:
Vai, e não te esqueças dos teus irmãos!






NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias