28 Maio 2012

a originalidade dos Galileus...



Quando chegou o dia de Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. De repente, ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento. O vento entrou, abriu frestas e rasgou brechas, dançou livremente entre todos os que estavam presentes, e falou sem palavras o mistério de Jesus Ressuscitado.

Então sentiu-se um forte tremor,de terra ou da alma, ainda hoje ninguém jura, mas não houve quem não percebesse que o vento chegado do céu tinha penetrado até às funduras das entranhas da vida, estava a remexer nos fundamentos da existência de todos os que o tinham deixado dançar no meio deles. O tremor daquela manhã tirou do lugar os alicerces e desentulhou as estruturas mais sólidas dos nossos mundos pequenos, pôs ao léu as bases das nossas seguranças e trouxe à luz as sapatas das nossas mais recônditas certezas.

E naquele tremor que revolveu as entranhas de cada um, parecia que o mundo estava pronto a começar de novo e só faltava Deus mesmo dizer “Faça-se”.

Então, viram o vento tornar-se fogo e o fogo tornar-se línguas e as línguas de fogo tornarem-se óleo de unção que se derramou sobre cada um deles. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a tornar-se óleo de unção que se derramava sobre o mundo, e línguas de fogo, e vento em brasa... para levar às nações o desejo de Jesus: “Eu vim para pegar fogo a terra... e como gostaria que já tivesse começado!”
Chegou a Hora.

Ora, residiam ali muitas pessoas piedosas – e outras que nem tanto – vindas de todas as partes da terra. E ao ouvirem aquele alvoroço, a multidão ficou assombrada e reuniu-se admirada porque cada um os ouvia falar na sua própria língua materna! Atónitos e maravilhados, diziam: “Mas estes que estão aí não são todos galileus?! O que se passa então para que os ouçamos falar na nossa língua materna?!” Eram portugueses, espanhóis, americanos, turcos, iraquianos, afegãos, chineses, ucranianos, romenos, peruanos, indonésios, guineenses, islandeses... havia cristãos, budistas, judeus, islâmicos, xintoístas, indiferentes, agnósticos, sincretistas, ateus... uns casados, outros solteiros, gente em união de facto, separados, divorciados, recasados, heterossexuais e homossexuais, grandes e pequenos, bonitos e feios, gente de todas as cores, culturas, tradições, línguas, linhagens... todos, admiravelmente, os ouviam falar na sua língua materna e perguntavam: “Mas o que é isto?!”

E havia quem percebesse o milagre da comunhão que tinha começado aquele vento em brasa, havia quem percebesse que todos se entendem quando há quem fale a nossa língua materna, e havia quem percebesse que a nossa língua materna é o Amor.

Estavam todos assombrados e, sem saber o que pensar, diziam uns aos outros: “O que significa isto?!” Mas outros, por sua vez, mais ligeiros nas conclusões, diziam: “Vamos encher-nos de vinho doce!” E a Festa começou. “À VIDA!”, brindaram. E o cálice transbordou.


Shalom


25 Maio 2012

Ficar a Dever


O texto pode parecer longo mas, confiem, vale a pena ler. Escrito por Valter Hugo Mãe (ele já escreve usando maiúsculas de novo) na apresentação do livro "A Dividadura" de Francisco Louçã e Mariana Mortágua no Porto. E, sem mais... 

Entre os maiores desafios que enfrento na vida estará, necessariamente, o meu pouco jeito para ganhar dinheiro. Sou péssimo a fazer contas, aparecem-me umas nuvens nos olhos quando estudo juros ou leio contratos, acabo por ser um bocado desorganizado e esquecido. À última hora, aposto sempre na confiança. Tento confiar em quem tenho diante de mim. Confio nas suas boas intenções, o que é lindo e me tem tramado uma e outra vez. À última hora, levam-me sempre naquela conversa sobre a mãezinha e a tia não sei de quem que gosta dos meus livros, e mais um vídeo do youtube com cãezinhos ou viagens à Islândia, e a conversa fica uma coisa de café, como se fôssemos amigos e, supomos, os amigos serão naturalmente os melhores para respeitarem os nossos interesses.
Escrevo poemas e livros de estórias e juro que não sou má pessoa mas, eu sei, preciso de ser protegido contra mim mesmo. Vivo na urgência de ser integrado num sistema de boa gente, regido por leis equilibradas e justas, governado cautelosamente e em profunda boa fé. Aceito o erro, mas não posso aceitar a instrumentalização do poder e o modo sinistro como justificam que, sem termos pedido nada ou tendo pedido pouco, nos compete pagar mundos e fundos, tantas vezes de obra que não vemos, que não foi feita.
O livro A Dividadura, de Francisco Louçã e Mariana Mortágua é, pois, uma pedrada na cabeça de um homem como eu. Senti-me como a perder a virgindade nas minhas inocentes moedinhas todas, ficando consciente de cada delirante manobra inventada para colocar o mundo em números, para se colocar cada coisa e cada gesto numa conta de cifrões.
Eu, que já andava um bom bocado indignado, diria que esta é, um pouco, a história de brincar ao dinheiro. A história da dívida é saber como, em cada tempo, se foi percebendo que a valoração de algo depende sempre menos da preciosidade daquilo que se dá em troca, e mais do poder e aparatoso prestígio de quem emite um título. A perda da relação direta do valor com a preciosidade material do dinheiro, já depois de se ter perdido o pagamento em espécie, vê os governantes a descobrirem como podem, insidiosamente, levar o mercado a aceitar um modo de liquidez que já não corresponde a reserva nenhuma e que passa, por isso mesmo, a ser uma espécie de fantasia, um dinheiro de valor apenas suposto, como uma palavra de honra.
O dinheiro passa a ser discursivo, transforma-se numa certa conversa. É uma retórica que, a partir da ficção do seu valor, confere a quem está no poder um efeito de riqueza que, se posto em causa, estoura nas mãos dos cidadãos, que se veem subjugados à obrigação de assumirem os encargos legítimos e ilegítimos com que os seus governantes se comprometeram. O poder é efetivamente o dinheiro de que dependemos hoje. Trabalharmos até nos esfolarem os dedos, até cegarmos ou até chegarmos a velhos, não é dinheiro, é quase só uma canseira.
Num mundo onde o dinheiro é imaginário, e onde a partir dessa aritmética cada vez mais abstrata se define a quota de poder que cada um detém, fácil é de entender que a especulação seja a grande proeza circense que os aventureiros de hoje escolhem cometer. O grande modo de brincar ao dinheiro. Mais interessante do que caçar a fórmula da Coca Cola, tem de ser comprar produtos financeiros que, por humores e ratings, possam multiplicar o seu valor da noite para o dia. Não há melhor para se enriquecer. Não são precisas matérias-primas, não se cria emprego, não se oferece nada ao público, não se mandam fazer embalagens, não há e não interessa haver publicidade, não se distribui. O cidadão, a esfolar os dedos, nem percebe quem manda em quê, quem ganha com o quê. Pode ser tudo assim já uma palavra de honra muito relativa. Ou a honra vai buscar-se à Moody’s, que é detida por privados e tem uma mentalidade de guerra, e que anuncia o que vale e o que não vale com a mesma perversão com que outrora se falava da castidade das senhoras.
A falta de efetividade no sistema financeiro vai sempre deixar de fora a maior parte da população. Porque a maior parte da população nunca saberá participar proveitosamente nem se saberá defender da teia kafkiana em que se tornou tudo isto. A maioria da população, como eu, não se licenciou em economia e espera simplesmente que trabalhar e viver do seu vencimento seja digno o suficiente para não ser enganada nem explorada.
O livro de Francisco Louçã e Mariana Mortágua é um livro tese. Explica-nos como a história desembocou no momento em que estamos. Ao pé de nos hipotecarmos, no mínimo por por duas décadas, a um aparente socorro que nos usurpa. Gostei de saber que a Bíblia proíbe os juros, e que promete que todos voltaremos a ser donos do que perdemos, assim como impõe o perdão de qualquer dívida ao sétimo ano. Até o nosso querido José Saramago ia gostar que a Bíblia deixasse pistas tão claras para uma ética financeira. E já não gostei de perceber as contas a fazer para pagarmos a sagrada ajuda da Troika, entalados numa Europa que pode ver o Banco Central Europeu a emprestar dinheiro a Estados não membros da União Europeia, mas não que o pode fazer aos Estados membros em dificuldades.
Recorremos ao FMI para aplicação de uma austeridade com palas, isto é, uma austeridade chapa cinco, cuja aplicação é indiferenciada no tempo e no lugar, indiferente a culpas e a sacrifícios. Ou seja, mais valia que nos aplicassem a Bíblia, que entre conceitos e preconceitos, se respeitada, nos poupava a este roubo.
Acredito na tese fundamental de A Dividadura, na medida em que pretende impor uma ética nisto de se ajudar um país chamado Portugal. É tão simples quanto isto: a ajuda não pode acarretar a usurpação, não pode ser o pretexto para que paguemos mais do que aquilo que efetivamente nos emprestam. Ao menos a este nível, a porcaria da ganância havia de estar ausente, disciplinada e a ter vergonha.
Se não tiverem paciência, tempo, ou se já souberem tudo acerca da história da dívida, não deixem de ler ao menos os capítulos finais, sobretudo ali a partir da página 221 onde se propõe uma estratégia para o momento atual da economia portuguesa. Em cinco pontos, Louçã e Mortágua propõem um modo diverso de dignificar o que devemos, antes que sejamos todos “chinezados”, ou seja, antes que a austeridade cega da Troika nos imponha, sem fim à vista, “um novo regime social assente em salários baixos e em trabalho precário generalizado”. Toda a construção de proteção social vai aluindo, e está em causa regredirmos ao tempo de um abandono tal em que se abdica de ter governantes pelo povo para os termos contra o povo e a favor da escravatura económica. É fundamental perceber que parte da dívida de que nos acusam é ilegítima. É fundamental perceber quem enriqueceu de modo ilícito e agir judicialmente, recuperando o que se puder recuperar. É importante perceber quem decidiu dolosamente. É fundamental perceber que estamos dispostos a um esforço, mas que não podemos ser conduzidos à miséria pela exigência de um pagamento excessivo, abusivo, indecente.
Quando eu dizia que preciso de ser defendido de mim mesmo, dizia-o porque tenho o sonho de ser outra coisa que não fiscal de tudo, polícia de tudo, mas o que vivemos hoje é um saque contínuo aos nossos atrapalhados vencimentos e, daí, um saque contínuo à possibilidade de sonharmos com qualquer confiança, com qualquer segurança. Passamos a escrever poemas desconfiados da carteira porque nos parece sempre que alguém nos tira de lá o dinheiro. Gostava de acreditar que não me virão mais roubar a pureza com que as minhas moedas foram ganhas e, sobretudo, o ofício simples que têm, o de pagarem a sobrevivência até nada de especial que tenho. Fico, pois, enervado com suspeitar e ter de suspeitar, porque me seria mais natural acreditar, falar como entre amigos e levar a vida sem olhar para trás e sem ter de ser tramado uma e outra vez. Percebo, claro está, que entre os poemas tem de existir a formação de uma voz coletiva. Um ruído aumentando que chegue aos ouvidos dos aventureiros lá muito em cima, e que faça uma infinidade de gente real valer mais do que a decisão fria e puramente financeira dos poderes já desumanos, mais e mais virtuais, que controlam o mundo.

tirado daqui

23 Maio 2012

hosana



Junto ao Rio da Babilónia me sentei a chorar
com saudades de Sião,
de esperanças me assentei. 
Nos salgueiros das suas margens pendurei a minha cítara 
e fiquei. 

E os inimigos diziam: "Canta-nos um cântico de Sião".
Ah, pegue-se a minha língua ao céu da boca
se eu de ti me não lembrar, Jerusalém, se não fizer de ti
a mais preciosa das minhas delicias, 
cole-se-me a dançante ao palato se algum dia me vender. 
E foram. 

E peguei na minha cítara
e compus um canto de louvor ao Rochedo da minha Salvação. 

Salva-nos Senhor! Hosana!
Vem libertar-nos, oh Deus dos nossos Pais escravizados
na terra dos faraós!
Vem assumir a defesa dos pobres e confundir os planos dos tiranos. 
Desejo contemplar a Tua Gloria, 
o peso da Tua Lealdade e das Tuas Promessas. 
Quero ver com os meus olhos a força do Teu Dia,
espero tocar a carne sarada dos resgatados,
anseio a sentença que alegrará os últimos da terra
e exultar de alegria com o Juízo que estás a exercer sobre as nações. 

Dá-me a conhecer os Teus caminhos, 
dá-me a dizer a Tua Palavra na hora em que eu abrir a boca, 
dá-me o teu gesto nas horas das mãos estendidas. 
Diz-me que Nome tens em cada tempo e lugar
e quem queres que vá chamar para a Tua Mesa. 

Mas salva-nos, Senhor! Hosana!
Não descanses da Tua Obra 
até que nos tenhas a descansarmos contigo. 
Não Te esqueças do que nos prometeste 
e do que nos fazes capazes de desejar!
Deus Fiel, meu Salvador, 
atrai-nos ao Cristo até que Tu,
que és Tudo Nele, sejas Tudo em Todos!

Junto ao Rio da Babilónia me sentei a chorar
com saudades de Sião,
de esperanças me assentei.
Nos salgueiros das suas margens pendurei a minha cítara 
e Deus não Se ficou. 


do verbo "repartir"?

21 Maio 2012

"e subiu ao céu"...



AQUELE QUE VIVE não se escapou num foguete para a estratosfera, mas está preenchendo tudo (Ef 1, 17-23)!
A Ascensão não é propulsão a jacto para as nuvens mas imersão na vida, extensão ao cosmos.
AQUELE QUE VIVE, ao morrer submergiu-se na Vida definitiva do Abba que preenche tudo. A sua morte foi instante de ressurreição como entrada na Vida; foi Ascensão como Extensão ao universo inteiro; foi Pentecostes como Presença absoluta da sua Energia “sempre connosco” (Mt 28, 16-20) e colocando-se à nossa frente no caminho até à Galileia das vítimas injustiçadas (Mc 16, 7).
É necessário dizer estas coisas, para que não fiquemos no “pecado de bradar ao céu” que é ficar a “olhar para o céu” quando falamos do desfecho da vida de Jesus como Ascensão, coisa que acontece muitas vezes quando se quer impor a interpretação oficial do regime: a Ascensão como evasão para os céus, de maneira a que a Fé não questione a nossa coabitação tão acrítica com os sistemas financeiros da terra…

São algumas ideias fundamentais de um post escrito ontem pelo teólogo Juan Masiá. Desde que o li que  não passam dez minutos sem que repita dentro de mim, deliciado, a frase: "a Ascensão como Extensão"... Quem quiser ler o original, chegue aqui

Shalom


Pela primeira vez, diante da famosa Ascensão de Dali me pergunto se ele a representou como um movimento para cima ou como um movimento para dentro...

20 Maio 2012

a Bondade de Coração



O Livro do Génesis que Deus se debruçou para beijar o barro primordial do qual saiu Adão comunicando-lhe, nesse momento, o hálito da vida (Gn 2, 7). É isto mesmo que São Paulo quer dizer quando afirma que o Espírito santo é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5). Isto quer dizer que o Espírito Santo está em nós como uma presença que ilumina, interpela e nos convida a agir na linha do amor, a fim de se realizar como pessoa.

Nas bem-aventuranças, Jesus diz que os puros de coração verão a Deus (Mt 5, 8). Isto significa que o essencial das pessoas se vê com o coração não com os olhos do rosto. Mas esta declaração pressupõe que o homem é responsável pela qualidade do seu coração.

O Deus da revelação bíblica tem coração, pois o coração é o ponto de encontro de uma pessoa com as outras. A bíblia afirma muitas vezes que Deus tem coração. Se o coração é o núcleo mais nobre do ser humano e o ponto de encontro com as outras pessoas, então temos de reconhecer que as pessoas divinas também têm coração.

Jesus convidou os discípulos a amar ao jeito de Deus, a fim de o seu coração se moldar cada vez mais com o de Deus: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu, pois ele faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores” (Mt 5, 44-45).

Entendido como o núcleo espiritual a partir do qual emergem as decisões do ser humano, temos de reconhecer que o coração é uma dimensão essencial da pessoa. Neste sentido, os animais não têm coração, pois não se constituem como pessoas livres, conscientes e responsáveis.

A Palavra de Deus é acolhida no coração, pois o coração é o ponto de encontro com Deus e os irmãos. O evangelho de São Lucas diz que Maria acolhia e meditava a Palavra de Deus e a guardava no seu coração (Lc 2, 51).

Podemos dizer que a comunicação da Palavra de Deus acontece como fruto da interacção entre o coração da pessoa humana e o Espírito Santo. As pessoas divinas comunicam entre si interagindo de coração a coração. O mesmo acontece com as pessoas humanas quando estas comunicam em profundidade.

Deus não é um ser estático. A Divindade não é uma essência eternamente imutável. Por outras palavras, graças ao facto de ter coração e ser comunhão, a Divindade é novidade permanente.

No evangelho de São Mateus, Jesus pede aos discípulos para moldarem os seus corações, inspirando-se no próprio coração de Jesus: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Podemos dizer que o coração de Jesus é a fonte do amor e da fidelidade incondicional a Deus. Foi no coração de Jesus que se deu o encontro do melhor de Deus com o melhor do Homem. Foi no coração de Jesus que a Palavra das Escrituras teve o seu eco mais profundo. Isto era essencial, pois foi no coração de Jesus que o Reino de Deus, isto é, a comunhão humano-divina começou a emergir.

Por isso, durante o tempo em que Jesus viveu na história, o Reino de Deus estava a brotar no meio dos homens. Isto quer dizer que Jesus estava no meio dos homens: “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demónios, então o Reino de Deus já está no meio de vós” (Mt 12, 28).

Mas no momento da sua morte e ressurreição, o Reino de Deus tornou-se presente às pessoas a partir de dentro. Pelo acontecimento da sua ressurreição, Jesus entrou nas coordenadas da universalidade, tornando-se interior a tudo e a todos: “A vinda do Reino de Deus não é observável. Não se poderá dizer ei-lo aqui ou acolá, pois o Reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17, 20-21). 

Isto significa que foi no coração de Jesus que se fez a assinatura da Nova e Eterna Aliança. Por parte da Divindade assina o Filho Eterno de Deus. Por parte da Humanidade assina Jesus de Nazaré, o Filho de Maria. Foi no coração de Jesus que a Humanidade chegou à plenitude dos tempos, isto é, o tempo da gestação chegou à sua plenitude. Agora começou o parto, o qual dá início ao nascimento dos filhos de Deus, diz a Carta aos Gálatas (cf. 4, 4-7).

Com efeito, a Encarnação aconteceu como enxerto do divino no humano, a fim de este ser divinizado. É aqui que radica o fundamento da Nova e Eterna Aliança. Foi a partir do coração de Jesus que aconteceu a difusão do Espírito Santo. No momento em que o soldado trespassa com a lança o peito de Jesus, saiu sangue e Água do seu coração, diz o evangelho de São João (Jo 19, 34). A água é a Água Viva como Jesus tinha explicado. No nosso coração, esta Água Viva dá origem a uma nascente de Vida Eterna (Jo 7, 37-39). As pessoas que beberem desta Água, disse Jesus à Samaritana, nunca mais terão sede (Jo 4, 14).
Por seu lado, o sangue que sai do lado de Jesus é o sangue da Nova e Eterna Aliança, isto é, o Espírito Santo que é o dinamismo vital de Jesus ressuscitado. Foi isto que Jesus disse aos judeus quando lhes explicou que a carne e sangue que nos alimenta são a dinâmica amorosa do Espírito Santo e não uma realidade de ordem biológica (Jo 6, 62-63).




No Primeiro Dia da Semana...
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias