31 janeiro 2015

Porque Viver, VIVER, isso é para quem ama. 
Só esses é que não morrem. 

Glória Marques




30 janeiro 2015

Coisas

Acredita-se por aí que no final da nossa vida a audição é o último sentido a deixar de o ser...

Somos um lugar de escuta...até ao fim... onde quando já não podemos falar, podemos ouvir!
Tantas vezes morada de dores e sofrimentos de quem não consegue calar o que viu e ouviu...
Tantas vezes morada de quem não consegue calar aquela coisa boa que lhe aconteceu...

Somos escutas... pessoas que vão sempre atrás de perceber essa comunicação entre terceiros.
Dessa conversa entre o Pai e o Filho, e o outro que não se prende em nenhum dos dois...



Talvez este post não diga nada de bom...
E eu esteja apenas a querer que diga coisas com sentido, sem o ter...

Mas só me lembro disto:

Quem tiver ouvidos para ouvir, oiça!
...pelos vistos, até ao fim...


29 janeiro 2015

Essa vacina? Não, obrigada!





       "O medo ameaça-nos:
       Se amar, terei SIDA;
       Se fumar, terei cancro;
       Se respirar, o ar está contaminado; 
       Se beber, posso ter um acidente;
       Se comer, vou ter colesterol;
       Se falar, posso ficar no desemprego;
       Se sair à rua, posso ser atacado;
       Se pensar, ficarei angustiado;
       Se duvidar, posso enlouquecer;
       Se sentir demais vou ficar só".
                     (Eduardo Galeano)

                       (adaptação)


Deve ser para nosso bem, que de tantas maneiras até os amigos e, muito especialmente esses, não param de nos inocular o medo em doses diárias e regulares, como se de uma vacina se tratasse – vacina que previna dos imprevistos da vida, da doença, da pobreza e do outro que é mau, que não é de fiar e vive exclusivamente para nos tramar a existência… Tudo resumido, acho que lhe posso chamar vacina contra a Morte!
Mas parece que a dose de vacina anda tão exagerada que, pasme-se! a tal Vacina contra a Morte acaba por nos matar. Porque nos impede de VIVER.
Com medo de morrer de fome, tapamos os olhos para não ver os que por causa dela morrem mesmo - sabe-se lá se não é contagioso!? Esquecemos que a fome é pessoal e intransmissível e… um escândalo, uma abominação! E que serão sempres poucos os gestos que calem a fome nem que seja de um só homem, mulher ou criança.
Preferimos então morrer… de fartura…
Temos tanto medo de morrer das doença epidémicas de que os pobres morrem que, com medo do contágio,  fechamos a pele à relação, as mãos à ternura e, morremos sozinhos ocupados em ridículos cuidados de higiene que não lembram ao diabo… só a quem se serve das fragilidades que o medo cria para disso tirar algum proveito…
Temos tanto medo das marcas do viver, do envelhecimento e da dor que nos namoramos ao espelho e sobra-nos sempre tempo para fazer fila para comprar qualquer banha de cobra que nos estique a pele e desfaça as rugas. Apareça quem nos queira vender por bom preço, o elixir da eterna juventude!
E, malbaratamos os dias em exageros e radicalidades a que chamamos desporto saudável. Não descansamos enquanto não experimentamos TUDO e TODOS os limites – os da velocidade, os da força e… os da loucura - chegar aonde nunca ninguém chegou, fazer aquilo que ainda ninguém fez.
Até nos atrevemos a imitar por extravagância, aquilo que os pobres fazem por necessidade…seja usar as calças rotas, seja fazer a travessia dos abismos. Só que nós não vestimos a roupa que apanhámos no contentor do lixo nem vamos colher o mel da sobrevivência. Nós pagamos bem pela moda e para testar a adrenalina de challenge em challenge


Entretanto, veloz e inutilmente envelhecemos as articulações, gastamos o coração e arriscamo-nos a ficar, na força da juventude, estropiados e dependentes para o resto da vida…
Pobres de nós quando não percebemos que a verdadeira radicalidade da vida está no Dom de nós mesmos, sem esperar retorno, nem fama, nem lucro… ISSO é que é Radical. Isso é que é diferente.
Mas isso não vem no Guinness book… SÓ vai sendo escrito em actas a acrescentar aos sempre inacabados Actos dos Apóstolos… por isso é uma chatice!

Dá-nos, Senhor, a Sabedoria do coração que faz dos nossos dias, dias felizes, mesmo com rugas, mesmo a envelhecer, mesmo com lágrimas, mesmo com doenças, mesmo pobres. Abre os nossos dias à Graça. Dá-nos Senhor o olhar claro de Jesus para bem descortinarmos de que bandas vem a Morte… aquela que se chama desAmor…  Amen.

Porque Viver, VIVER, isso é para quem ama. Só esses é que não morrem. 

28 janeiro 2015

de andar às tantas


Tenho sido salvo mais pelo acaso
que pela Graça. 
Assim tem sido 
a amorosa paciência de Deus comigo. 

Porque a Graça é tão débil... 
tem sido o acaso 
a resgatar-me em cada hora
a visitar-me em cada "mas" 
que nos esquina a vida
e nos estima amanhãs. 

A Graça é feita de seda,
debruada a beijos e carícias,
tingida só nas pontas que se estendem para nós. 

E eu, todo arestas...

Dá-me mais susto a ternura que a violência,
porque tenho mais medo de estragar o que é lindo
do que de cair aos pés dos arrogantes. 

A vida perde-se no que a gente estraga. 

A Graça, de débil e frágil assim, 
aparece-me toda cheia de importâncias, 
numa insinuação quase ameaça,
quase piropo,
a fazer-se a mim 
até conseguir fazer de mim o que quiser. 

Os acasos que me salvam têm todos Nome de gente. 
"Qual é a sua graça?", perguntava-se,
quando se entendia que cada Nome é uma Graça. 

Às tantas, 
foi a Graça a salvar-me o tempo todo
e ri-se de mim desde o primeiro verso. 




Ubam Indje




27 janeiro 2015

obrigado!


Obrigado bom Deus,
por tanta gente, na história da gente,
que se põe à procura de Ti e do teu Rosto.

Gente que procura na narrativa da História a tua face,
que quer apanhar-te a pinta, viver no teu Espírito,
aprender a escrever com a tua bibligrafia
e assim fazer caminho, crescer.

amen

26 janeiro 2015

caminhada



Eu, que não consigo ficar fechado no meu quarto um dia inteiro sem me sentir perro, e que, sempre que me escapuli para dar um passeio a horas tardias ou às quatro da tarde, demasiado tarde para compensar o dia perdido, quando a luz do dia se mistura já com as sombras da noite, senti que cometera um pecado que teria de expiar... confesso que fico estarrecido com a capacidade de resistência, já para não falar da insensibilidade moral, dos meus vizinhos, confinados a lojas e escritórios o dia inteiro, durante semanas e meses, e até... anos a fio. Não sei de que fibra são feitos para estarem ali sentados às três da tarde, como se fossem três da manhã. (...)

Espanta-me que por essa hora, ou seja, entre as quatro e as cinco da tarde, já tarde para os jornais matutinos e ainda cedo para os vespertinos, não se ouça em toda a rua uma grande explosão que dissipe uma legião de ideias e fantasias antiquadas e mesquinhas e que areje a rua para curar este mal.

Henry David Thoreau, Caminhada

25 janeiro 2015

a morte da Teresa



O seu nome era Teresa. Tive a sorte de assistir à sua partida para a festa da vida em plenitude. Fiquei espiritualmente mais robusto depois de ter assistido àquela partida de uma pessoa de bem.

Partiu com a expressão de alguém que está a subir o último degrau da escada que conduz à sala da festa. O sorriso foi a última expressão daquele rosto enrugado e sereno do qual irradiava a beleza da bondade. Tinha a bonita idade de oitenta e muitos anos. Foram mais de oitenta anos de decisões, opções, escolhas e projectos de vida marcados com o selo do amor.

A sensatez foi a dominante daquela história bonita. De entre as muitas pessoas que se cruzaram com ela durante a vida, nenhuma ficou mais triste ou mais só pelo facto de a terem encontrado. Tinha um jeito muito sereno de se relacionar com os outros. Muitos reconheciam o bem que lhes adviera do facto de se terem encontrado com aquele coração bondoso. 

Era uma pessoa de bem. Chegou ao fim da sua construção na história com a alegria de ter dado o melhor de si. Por isso aquela partida foi vivida como um acontecimento jubiloso. Com a sua linguagem simples e sem pretensões dizia coisas sublimes. Mas, mais que dizer, via-se que as suas palavras exprimiam a verdade profunda do seu ser. 

Ouvi-lhe dizer muitas vezes que tinha saudades de Deus. Naquele projecto de vida, dei-me conta de que, com aquela mulher, acontecia uma coisa muito rara entre os seres humanos: Deus era realmente a questão primeira. Não admira que o momento de entrar na plenitude tivesse sido algo tão desejado.

Durante a sua história assaz longa foi construindo uma infinidade de laços de amor fraterno. O momento de entrar na Comunhão do Reino de Deus foi para a Teresa um encontro com a plenitude do que construiu na história. O seu jeito de comunicar motivava as pessoas para fazer o bem. E agora, leva para a comunhão universal o seu jeito peculiar de sorrir e dar a mão aos irmãos.

Ao contemplar aquela partida cheia de certezas de vida eterna, meditei um pouco e disse de mim para comigo: vai dançar eternamente o ritmo do encontro e do amor, que é a dinâmica da felicidade do Reino de Deus. Nessa festa da plenitude, cada pessoa interage e comunga com Deus e os irmãos com o jeito que tiver treinado sobre a Terra. Eis a razão pela qual, nesse momento, foi tão claro para mim que a Teresa ia dançar o ritmo do amor com aquele jeito bonito que treinou durante vida. Imaginei-a a sorrir alegremente às crianças e, de modo particular, a esses de quem ela gostava tanto: os que foram pobres na terra. 

A morte, para os que souberam moldar um coração aberto ao amor, é o momento solene de a pessoa ser introduzida na festa da Comunhão universal. Cada qual participa nessa festa com a capacidade de amar e comungar que treinou ao longo da sua história. É com esta capacidade de comungar que vai saborear o amor infinito de Deus.

A maneira de crescermos na capacidade de saborear a felicidade no Céu, é treinar, agora na terra, o nosso coração para o encontro, o diálogo fraterno e a comunhão com os irmãos. A felicidade, no Reino de Deus, só se possui em interacção amorosa. Por outras palavras, a plenitude da pessoa não está em si, mas na reciprocidade da comunhão.

A Teresa entrou na plenitude da vida: a família universal de Deus. No momento da nossa morte somos introduzidos na comunhão universal da Família de Deus. Nesse momento, o Espírito Santo com seu jeito maternal de amar conduz-nos a Jesus Cristo ressuscitado que nos acolhe como irmãos.

Nesse momento, Jesus optimiza a nossa vida, assumindo-nos de modo orgânico na comunhão Universal dos Ressuscitados, os quais formam, em Cristo, a multidão dos filhos de Deus. Esta comunhão orgânica é alimentada pelo Espírito Santo, “O amor de Deus derramado nos nossos corações” (Rm 5, 5). Do mesmo que nos conduziu a Cristo, o Espírito santo conduz-nos a Deus Pai, o qual, com seu jeito paternal de amor, nos acolhe incondicionalmente como filhos (Rm 8, 14- 16; Ga 4, 4-7).

Era isto que Jesus queria dizer quando afirmou: “A ninguém na Terra chameis pai, pois um só é o vosso Pai, o do Céu (Mt 23, 9). Com este modo simbólico, Jesus queria dizer-nos que a Humanidade, uma vez incorporada e assumida na comunhão dos ressuscitados em Cristo, passa a fazer parte da Família divina cuja paternidade universal pertence a Deus Pai.

Como amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5, 5), o Espírito Santo é a ternura maternal de Deus a dinamizar-nos e vivificar-nos por dentro. É como uma água viva que, no nosso íntimo, faz jorrar a Vida Eterna (Jo 7, 37-39; 4, 14).

A morte da Teresa conduziu-me a esta meditação. Nesse momento louvei a Deus pela vida da Teresa e pelo seu plano de salvação em favor de todos os homens. Compreendi mais plenamente como o Senhor ressuscitado é o princípio e a plenitude da Nova Humanidade. Quando Deus ocupa o primeiro lugar, a vida está cheia de sentido humano e divino.

Aleluia!





NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA...
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias











24 janeiro 2015

Bucólica

"A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha."


por Miguel Torga


23 janeiro 2015

É bom sermos solidários?


SOLIDÁRIO...

Diz-se das partes ou elementos de um todo que são interdependentes

Que liga coisas ou pessoas

Que partilha, com outros, direitos ou obrigações contratuais

Que se encontra com outros numa interdependência de interesses

Que aderiu a uma causa, a um princípio ou a um movimento

Que partilha o sofrimento de alguém

Que presta auxílio a alguém 



Somos solidários com o quê? Com quem?
Quando ficamos em silêncio ou não somos activos e criativos estamos a ser solidários com que coisas e pessoas?

O que dizer da solidariedade com o mal?
É bom sermos solidários?

(Estar orientado é bom? Mas para onde? Lembrei-me de ti Glorinha)


22 janeiro 2015

Chegou a nossa vez…

autobiografia III - As UVAS


Nós sabemos. Nós sabemos como fomos sonhadas e cuidadas muito antes de brotar aquele rebento novo, que dará MUITO FRUTO - o fruto da terra, da videira, do trabalho e do cuidado de um número incontável de homens e mulheres.

Nós sabemos! Nem imaginam como nos sabe bem este plural que diz a unidade, esta unidade que diz um plural – Uma uva? Não! UM CACHO DE UVAS! Na linguagem da Criação um só é sempre coisa pouca e nunca a Salvação foi coisa de bagos soltos, em cacho é que ela é possível (dizem  pr’aí )…

No princípio, o campo foi surribado e trabalhado em geios … A seguir veio a escava. Tiraram do chão as pedras inúteis e, no tempo certo, o lavrador plantou nele o bacelo escolhido … Na ponta de cada bardo pôs uma roseira como sentinela. Ela anunciará, com 4 dias de antecedência, a visita indesejada de um ladrão chamado míldio…Desde logo, o lavrador começou a treinar-se na espera - um ano até poder fazer a enxertia nas melhores castas



Então, as suas mãos hábeis prepararam o cavalo e o prumo com um canivete de enxertar. Acertaram, ataram, e aconchegaram o enxerto tão cuidadosamente como uma mãe que faz a trança à filha.

Lembram-se dAquele Amigo do Profeta Isaías (Is 5, 1-7)? Aquele Amigo que tinha um Amor imenso pela sua vinha?
É que há lugares de privilégio em que os mais bonitos sonhos de Deus e as Parábolas do Reino são coisa de experimentar no corriqueiro dos dias...







Enquanto as videiras crescem e as cepas engrossam, ganham seiva e resistência, o agricultor sonha e exercita a esperança, a paciência e o cuidado - no amor da sua vinha.


Espera mais dois anos até surgir um rebento novo suficientemente forte e dele o primeiro cachinho…




Três anos! Até à maturidade da vinha. Até que cada cacho de uvas saiba de cor os dias de cada mês, as horas de cada dia ensolarado e vá ganhando tamanho, cor e doçura…





Três anos de recomeços – o agricultor podaescavaespampaatasulfataenxofra e…  Espera…


Sonha, com-Fia  e começa a imaginar, a ver já, lá ao longe, o corte das suas uvas, o lagar até à anteira, cheio até cima, a alegria dos cantares, as gargalhadas da festa…  as pipas cheias… 

Embora saiba, de um saber de experiência feito, que até ao lavar dos cestos é vindima - uma trovoada… Um saraiveiro… - o Senhor da vinha trata de preparar o vasilhame - dornas, pipas, canados e cestos, de lavar e  desinfectar os lagares, de contar as tesouras, de contratar o pessoal.

Chega finalmente a vindima e a pisa. Então, ele pega no pesa-mosto a ver qual a doçura que fui capaz de recolher do sol e do calor maternalmente guardado pelos xistos, durante as noites mais frias… E, mais uma vez, espera.


Acompanha, atento, a fermentação até que chega a palavra mágica – envasilhar!!! Ressoa, como chamamento, pela casa toda, seja dia ou seja noite. Não importa. Chegou a HORA!

Agora somos vinho que vai a envelhecer em casco, a ganhar a cor e o perfume da madeira e do tempo. O Universo todo trabalhou dia e noite para que cada gota possa contar esta saga de Amor e Cuidado. Esta estória de com-Fiança e suor, este canto de mãos cuidadosas, calejadas e ternas…

Agora somos VINHO! Branco ou tinto.Verde ou maduro, encorpado ou leve, doce ou seco, frutado, perfumado, quente, macio. Fogo que inebria, que solta a palavra e o riso, a angústia e as lágrimas.
Há quem beba para fazer a Festa e Celebrar a Vida; há quem beba para esquecer que vive e, também quem beba para sentir que está vivo.
Seja como for, o Vinho quer-se BOM! Zurrapa, não! Já basta ser bebido às vezes por gente que se contenta com vidas pequenas, sem lugar para o sonho, nem para a surpresa… menos ainda para o desastre; vidas sem gosto nem doçura, sem cor nem cheiro, sem pertença a um corpo consistente de Humanidade e Sabedoria…


À MESA, a todas as Mesas, que o Vinho  seja o sinal da Alegria, da VIDA IRMANADA.
Que frente a um cálice de bom vinho, as diferenças se esbatam – e já não haja pobres nem ricos, escravos e senhores, homens ou mulheres.
Porque o VINHO traz gravada em cada gota, desde a Origem, a Vontade declarada de um Deus feito Homem:

- Quando se sentarem à Mesa, lembrem-se de MIM! Vivei ASSIM. Em minha MEMÓRIA! Caminhai atrás de mim na construção de Outro Mundo neste mundo.


Vivei uma História de NÓS. Uma História de Unidade entre Diferentes.
Como o Pai e eu somos UM, sede um connosco - como os ramos da videira que se entrelaçam em nós de vida… Sempre unidos na mesma Cepa… Jo,17










21 janeiro 2015

"Que seria do mundo se fôssemos humanos?"



“O patrão Vasques fez hoje um negócio em que arruinou um indivíduo doente e a família. Enquanto fez o negócio esqueceu por completo que esse indivíduo existia, excepto como parte contrária comercial. Feito o negócio, veio-lhe a sensibilidade. Só depois, é claro, pois, se viesse antes, o negócio nunca se faria. «Tenho pena do tipo», disse-me ele. «Vai ficar na miséria.» Depois, acendendo o charuto, acrescentou: «Em todo o caso, se ele precisar qualquer coisa de mim» — entendendo-se qualquer esmola — «eu não esqueço que lhe devo um bom negócio e umas dezenas de contos.»

O patrão Vasques não é um bandido: é um homem de acção. O que perdeu o lance neste jogo pode, de facto, pois o patrão Vasques é um homem generoso, contar com a esmola dele no futuro.”






Bernardo Soares & Fernando Pessoa in “Livro do Desassossego”, 303

20 janeiro 2015

(a mais antiga) Oração Eucarística


Aclamação

Que os diáconos apresentem a oferta ao bispo. Este, impondo as mãos sobre ela, juntamente com todos os presbíteros, pronuncie a acção de graças:

- O Senhor esteja convosco!
Respondem todos:
- E com o teu espírito!
- Elevemos os nossos corações.
- Temo-los voltados para o Senhor.
- Dêmos graças ao Senhor!
- É digno e justo.

Acção de graças

Nós te damos graças, ó Deus, por Jesus Cristo, Teu Filho amado,
que nos enviaste nos últimos tempos como Salvador e Mensageiro da Tua Vontade.

Ele é o Verbo inseparável por Quem tudo criaste
e em Quem puseste todo o Teu encanto.

Do céu, foi enviado por Ti ao ventre de uma Virgem.
Foi concebido, incarnou e manifestou-Se como Teu Filho,
nascido do Espírito Santo e da Virgem.

Cumpriu a Tua vontade
e, para formar para Ti um povo santo, estendeu as mãos enquanto sofria,
para libertar do sofrimento todos os que crêem em Ti.

Rito da Instituição

Enquanto Se entregava - voluntário - ao sofrimento
para destruir a morte,
quebrar as cadeias do divisor,
pôr o inferno debaixo dos Seus pés,
fazer resplandecer sobre os justos a Sua luz,
estabelecer a Aliança e manifestar a Sua Ressurreição,

Tomou o pão
deu-Te graças e disse:
"Tomai, comei, isto é o Meu Corpo que é partido para vós."
O mesmo fez com o cálice e disse:
"Este é o Meu Sangue que por vós é derramado.
Sempre que isto fizerdes, façam-no em Minha memória."

Anamnese

Recordando-nos, portanto, da Tua morte e Ressurreição,
nós Te oferecemos o pão e o vinho,
e Te damos graças por nos teres encontrado dignos
de estar em Tua presença e de Te servir.

Epiclese

Nós Te pedimos que envies o Espírito Santo sobre a oferta da Tua Igreja santa
e que reunais na unidade todos aqueles que a recebem.
Que eles fiquem cheios do Espírito Santo,
Ele que fortalece a sua fé na verdade.
Para que assim Te possamos louvar e glorificar por Teu Filho, Jesus Cristo.

Doxologia

Por Ele, glória a Ti
e honra ao Pai e ao Filho e com o Espírito Santo,
na Tua Igreja santa, agora e pelos séculos dos séculos!
Amen.


Tradição Apostólica, 4
Hipólito de Roma (c. 215)

19 janeiro 2015

uma questão de sensatez

"Jesus não ensinou o Pai Nosso aos discípulos como uma fórmula para estes repetirem de cor e de modo completo."   Calmeiro Matias

Jesus não definiu a entoação certa ou o sotaque mais apropriado.

Cada um tem um dialecto feito de silêncios, de palavras, de cumplicidades. 
Um dia, em Vila Nova de Gaia, o meu primo recebeu-me com um "bons olhos te beijam!" A resposta ao meu "Ãh?" não tardou: "És surda? Bons olhos te beijam!"

Soou-me a poesia. O sotaque tornou tudo mais bonito.

À semelhança do meu primo e do meu Pai, "aboli os vês" e digo:
Seja feita a tua bondade! A tua bondade, Pai! A tua bondade, Pai!

Quando Jesus partilhou com os discípulos o modo como conversava com o seu Pai, demorou-se a mostrar-lhes a confiança na bondade de Deus. Lucas fez chegar até nós a história do amigo que aparece fora d'horas e termina perguntando se um Pai poderá recusar o maior bem - a convivência e a intimidade do Espírito - aos seus filhos.   Lucas 11, 1-13

"Este assunto da bondade de Deus é uma questão de sensatez. Ser sensato. Como pode existir Deus, se não for bom?"   José Antonio Pagola

18 janeiro 2015

A Oração da Nova Aliança




Jesus não ensinou o Pai Nosso aos discípulos como uma fórmula para estes repetirem de cor e de modo completo. Ao ensinar o Pai-Nosso aos discípulos, Jesus apenas quis transmitir-lhes um conjunto de ensinamentos, a fim de eles aprenderem a falar com Deus com critérios de Nova Aliança.

Se Jesus quisesse ensinar uma fórmula para os discípulos repetirem de cor e de modo literal, estes tê-la-iam conservado tal qual Jesus a ensinou. Mas não foi isto que aconteceu, pois o Pai-Nosso de Lucas e o de Mateus, têm fórmulas diferentes, embora os seus conteúdos teológicos sejam idênticos (Lc 11, 2-4; Mt 6, 9, 13).

Ao apresentar o Pai-Nosso como critério para orar ao jeito da Nova Aliança, Jesus distanciou-se profundamente dos outros grupos judaicos. O termo “Abba”, Pai ou papá, é original de Jesus. Nenhum judeu seu contemporâneo ousava utilizar este termo nas suas orações. Para a mentalidade judaica do tempo de Jesus, dirigir-se a Deus chamando-o de meu Pai era um comportamento sacrílego, pois não mantinha a distância que deve existir entre o Homem e Deus. 

Ao ensinar os discípulos a orar ao seu jeito, Jesus quis demarcar-se dos diversos grupos religiosos existentes, os quais afirmavam a sua identidade cultivando um jeito próprio de orar, a fim de se diferenciarem dos outros grupos. Tanto os fariseus como os saduceus, os essénios ou os discípulos de João Baptista, os mestres ensinavam aos discípulos um modo de orar que fosse diferente, a fim de afirmarem a sua identidade.

O evangelho de São Mateus diz que Jesus, ao ensinar o Pai-Nosso aos discípulos, esta a marcar a diferença dele e dos seus discípulos face aos diferentes grupos existentes, bem como face aos pagãos (Mt 6, 5-8). Ao ensinar o Pai-Nosso aos discípulos, Jesus apenas quis ensinar os discípulos falarem com Deus Pai como um filho fala com um Pai muito querido. Mais tarde, o Espírito Santo ensinará os discípulos a dialogar com Jesus ressuscitado, falando com ele como um irmão dialoga com outro irmão: “O que pedirdes em meu nome eu o farei de modo que, no Filho, se revele a glória do Pai. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome eu a farei” (Jo 14, 13-14).

Com a apresentação do Pai-Nosso, Jesus está a ensinar aos discípulos a dialogar com Deus ao jeito de um diálogo familiar. No Pai-Nosso, Jesus ensina aos discípulos que o conteúdo da sua oração deve ser tudo aquilo que possa interessar a Deus e ao Homem. Estão presentes a vinda do Reino, o amor de Deus por nós, a nossa fragilidade e a necessidade de sermos ajudados para não cairmos na tentação.

Ao ensinar o Pai-Nosso aos discípulos, Jesus quis ensiná-los a falar com Deus tal como ele falava com o seu Pai querido. Por outras palavras, o Pai-Nosso reúne um conjunto de critérios capazes de fazer que a oração dos discípulos se processe em forma de uma oração com sabor a Nova Aliança.

São Paulo diz que todos os que se deixam conduzir pelo Espírito Santo são filhos e herdeiros em relação a Deus Pai e co-herdeiros em relação ao Filho de Deus (Rm 8, 14-17; cf. Gal 4, 4-7). Por outras palavras, ao ensinar o Pai-Nosso aos discípulos, Jesus quis que eles se sentissem membros da Família de Deus.

É como membros da Família que nós devemos dialogar com Deus. É o próprio Espírito Santo que nos convida a orar, introduzindo-nos no próprio diálogo de Deus com seu Filho. 






NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias





17 janeiro 2015

POEMA/CONTO ou CONTO/POEMA?



Faz hoje 20 anos morreu um semeador de poemas. Como todo o semeador, semeou como vidente a seara do futuro, sem saber se o chão era duro e lhe recebia a semente…
No dia 17 de Janeiro de 1995 chegou a vez de ser “semeado” o Homem em quem coabitavam o campónio de Agarez, que se fez médico (dr Adolfo Correia da Rocha), pragmático, acautelado, instintivamente necessitado de prolongar a espécie; e o poeta (Miguel Torga) sedento de absoluto, inconformado com a precaridade das coisas terrenas, insocial e rebelde”.

Tão rebelde que, em tempos de desesperança, se atreveu a esperançar a vida de um jeito encantador:

  “ESPERANÇA. Quero que sejas / a última palavra / da minha boca. / A mortalha de sol / que me cubra e resuma.”

De Miguel Torga, um Conto. Ou será um Poema?

Jesus

Comiam todos o caldo, recolhidos e calados, quando o menino disse:
- Sei um ninho!

A Mãe levantou para ele os olhos negros, a interrogar. O Pai, esse, perdido no alheamento costumado, nem ouviu. Mas o pequeno, ou para responder à Mãe, ou para acordar o Pai, repetiu:

 - Sei um ninho!

O velho ergueu finalmente as pálpebras pesadas e ficou atento também.
A criança, então, um tudo-nada excitada, contou. Contou que à tarde, na altura em que regressava a casa com a ovelha, vira sair um pintassilgo de dentro de um grande cedro . E tanto olhara, tanto afiara os olhos para a espessura da rama, que descobrira o manhuço negro, lá no alto, numa galha.

A Mãe bebia as palavras do filho, a beijá-lo todo com a luz da alma. O Pai regressou ao caldo.
Mas o menino continuou. Disse então que prendera a cordeira a uma giesta e trepara pela árvore acima.
De novo o Pai levantou as pálpebras cansadas e ficou tal e qual a Mãe, inquieto, com a respiração suspensa, a ouvir.

O pequeno ia subindo. O cedro era enorme, muito grosso e muito alto. E o corpito, colado a ele, trepava devagar, metade de cada vez. Firmava primeiro os braços; e só então as pernas avançavam até onde podiam. Aí paravam, fincadas na casca rija.

A subida levou tempo. Foi até preciso descansar três vezes pelo caminho nos tocos duros dos ramos. Por fim, o resto teve de ser a pulso, porque eram já só vergônteas as pernadas da ponta.

Transidos, nem o Pai nem a Mãe diziam nada. Deixavam, apavorados, mudos, que o pequeno chegasse ao cimo, à crista, e pusesse os olhos inocentes no ovo pintado. O ninho tinha só um ovo.

Aqui, o menino fez parar o coração dos pais. Inteiramente esquecido da altura a que estava, procedera como se viver ali, perto do céu, fosse viver na terra, sem precisão dos braços cautelosos agarrados a nada. E ambos viram num relance o pequeno rolar, cair do alto, da ponta do cedro, no chão duro e mortal de Nazaré.

Mas a criança, apesar de mostrar, sem querer, que de todo se alheara do abismo sobre que pairava, não caiu. Acontecera outra coisa. Depois de pegar no ovo, de contente, dera-lhe um beijo. E, ao simples calor da sua boca, a casca estalara ao meio e nascera lá de dentro um pintassilgo depenadinho.

E o menino contava esta maravilha com a sua inocência costumada, como quando repetia a história de José do Egipto, que ouvira ler a um vizinho.

Por fim, pôs amorosamente o passarinho entre a penugem da cama, e desceu. E agora, um nada comprometido mas cheio da sua felicidade, sabia um ninho.

A ceia acabou num silêncio carregado. Só depois, à volta do lume quente do cepo de oliveira em brasido, é que os pais disseram um ao outro algumas palavras enigmáticas, que o pequeno não entendeu. Mas para quê entender palavras assim? Queria era guardar dentro de si a imagem daquele passarinho depenado e pequenino. Isso, e ao mesmo tempo olhar cheio de deslumbramento os dedos da mãe, que, alvos de neve, fiavam linho.

E tanto se encheu da imagem do pintassilgo, tanto olhou a roca, o fuso, e aqueles dedos destros e maravilhosos, que daí a pouco deixou cair a cabeça tonta de sono no regaço virgem da Mãe.



                             

16 janeiro 2015

Romanos 12



"Alegrem-se com os que estão alegres e chorem com os que choram. Vivam em harmonia de sentimentos. Não procurem honrarias, mas aceitem as ocupações mais humildes. Não se envaideçam com aquilo que sabem. Não paguem o mal com o mal. Procurem antes fazer o bem diante de todos. Façam tudo o que for possível da vossa parte para viverem em paz com toda a gente."


15 janeiro 2015

Autobiografia II - Os FIGOS


…E os Mensageiros partiram, deixando atrás de si um Acampamento em forma de ponto de interrogação. - Que iriam eles encontrar? Que tal seria a Terra que o Senhor prometera à Sua Amada Israel?
- Larga, espaçosa e fértil, foi a resposta que chegou, exposta no tamanho, na beleza e na doçura dos frutos que os Mensageiros colheram no Vale de Escol – uvas, romãs e FIGOS de encher o olho e a boca… Eram os Frutos da Terra Prometida! E, como diz o ditado, quando o Senhor promete, não falta. E nunca é coisa pouca nem pequena! (conf. Nm,13)
Eu sou o FIGO! Olhem bem para mim, madurinho e suculento. Há quem diga que sou fruto. Há quem diga que sou flor. Até posso ser infrutescência! Mas a verdade é que, para muitos, sou MEMÒRIA. Memória da SAGA de 12 tribos a fazerem-se Povo, a ganhar raízes na Esperança e na Confiança de que as Promessas de Felicidade e Shalom que Deus faz serão sempre cumpridas. Nem sempre ao nosso jeito é verdade mas ao Seu jeito, Manso e Apaixonado.

Abram-me ao meio com suavidade, e olhem bem antes de me saborearem. Que veem? - Uma imensidade de pedúnculos com um grãozinho de semente na ponta. Tentem abrir o grão e não vão ver nada, de tão pequenina que é a minha semente.



MAS, é dessa minha pequenez que nascem todas as figueiras, A minha fecundidade é imensa…
Como é imensa a fecundidade daqueles que se reconhecem pequenos e sabem que não são donos de nada nem e ninguém. É deles que nascem os maiores e os mais bonitos gestos de doação e entrega. É nas mãos deles que a Vida se multiplica.
E Deus sorri encantado - Ele conta com a nossa pequenez para que as Suas Promessas se cumpram por inteiro. É um luxo! 




Tal como a romãzeira, a mãe figueira é uma árvore mediterrânica. As folhas são ásperas e resistentes, de um verde vivo. A madeira é leve e fácil de trabalhar a canivete. Dela se faziam as solas dos tamancos com que os pobres atravessavam o regelo das invernias.
Há figueiras grandes, meias anãs, esgrouviadas. Sei que há gente que, olhando para uma dessas, de porte desajeitado, a associam logo ao evangelho de Marcos, àquela Parábola da figueira amaldiçoada, que correu de boca em boca como se fosse uma estória acontecida mas, parece que Jesus a apresentou como símbolo poderoso duma Religião e de um Templo de que já não havia nada a esperar. Ainda hoje, nada há a esperar de uma sociedade, qualquer que ela seja, que secundarize o Homem - seja em favor de uma religião, seja em favor da Economia ou das Finanças do Estado.

- “Eu gosto dos figos lampos, da figueira rebeldia…”
-“Gosto das moças do campo, são a minha simpatia”

Cantam elas e eles ao desafio, à monda, nos meses de Maio a Agosto, nos campos do Alentejo… É que em Maio começam a amadurar os primeiros figos, os lampos (há figos até Setembro) e, dizem os pobres, no tempo dos figos não há fome! Basta meter um naco de pão no bolso e partir ao Deus dará… Pelos caminhos, os figos são o maná de quem passa. Mas, tal como no deserto, manda a lei que o pobre se sacie mas não apanhe nem guarde para levar… Um apelo bonito à Memória da Presença, da Companhia, da Com-Fiança, da Acção de Deus no deserto, onde o pão nunca faltou – a MEMÓRIA do Cuidado do Deus da Aliança…
Quando comeres um belo figo – lampo, de S.João ou vindimo, seja ele de capa-rota, moscatel, pingo de mel ou bêbera, lembra-te sempre:
- FAZER MEMÓRIA é o fundamento de toda a ESPERANÇA. Sem Memória, os dias que deviam ser para nós um PRESENTE cheio de FUTURO, perdem o seu sentido e podem não passar de um pesadelo insuportável….

E, mais!… Ninguém adivinha quanta coisa boa pode estar pronta a acontecer, escondida um tabuleiro de figos partilhado!!! Deus seja louvado por TANTO!



14 janeiro 2015

Ora Vê



Pai de Jesus e Pai Nosso, o Teu Filho deve ter percebido que andávamos numa sede imensa, e por isso nos falou de uma Água Viva que ele trazia dentro do peito pronta a jorrar para quem quisesse. À bica das suas Palavras, na bordinha dos seus Gestos, gotejava para nós essa abundância da Vida e da Liberdade da qual ele nunca se cansou de nos falar. Quando nos abrimos, então, tudo isso se torna manancial, torrente de Generosidade e corrente de Irmandade. São essas coisas que nos salvam. Sempre.

O Teu Jesus topa-nos as tristezas à distância, ele que está sempre tão perto de nós Por isso nos falou de uma Água Viva que nenhuma represa domina, aquela Água Viva que corre solta entre pedras e penhascos, que inventa caminhos onde caminhos não existiam. À bica das suas Parábolas, na bordinha dos seus Sinais, gotejava para nós essa criatividade da Graça e do Amor da qual ele nunca se cansou de nos fazer participar. Quando nos abrimos, então, tudo isso se torna manancial, torrente de Bondade e corrente de Compaixão. São essas coisas que nos salvam. Sempre.

E não é difícil aprender que somos todos nós aquela Samaritana que o Teu Jesus encontrou junto ao poço Às vezes, até no fundo do poço! E é a nós que ele conta, com toda a paciência, que a Água Viva é o Espírito que habita o Teu Coração. Chamar-lhe Santo é afirmar que o Teu Espírito não é outra coisa senão Amor infinito.


Espírito Santo, Amor de Deus derramado nos nossos corações, Sopro e Brisa, Vento e Ambiente no qual vivemos, nos movemos e existimos, descobre leitos em nós, inventa caminhos para nos pores a jeito, rasga veredas de Vida 

Que as nossas Palavras e os nossos Gestos reverdeçam, que a nossa existência se torne Parábola e Sinal daquele Mundo Novo chamado Reino de Deus e daquele Jesus que deu Corpo a tudo isto.










Ora Vê é um projecto de oração que me foi proposto pelo Miguel Cardoso, fotógrafo