03 julho 2015

Firma


Que possas Bom Deus, confirmar-nos
Dar-nos (um) sentido.
Que possas ser a nossa garantia vitalícia
Para uma vida inteira.
Que sejas o nosso privilégio
O nosso orgulho, a nossa vaidade.
Que sejas a nossa afirmação
No mundo.
Onde sejamos capazes, Bom Deus
De interpretar a realidade dos nossos dias
Através de ti!
Com a tua atenção
A tua humildade
Com a tua coragem.
Que sejas Bom Deus o nosso propósito
A nossa decisão
E projecto.
Onde somos desenhados contigo
E por ti!

Porque as confirmações que vamos recebendo ao longo dos nossos dias, são muito importantes.
Pois são elas que firmam o nosso passo e vão alinhando o nosso pensar e sentir.
Saibamos nós olhar aquilo que em nós confirmas.
Para que não nos firmemos em vão.
Para que sempre sejam confirmações ao teu jeito, impregnadas de amor verdadeiro.
Ao teu jeito, que é o nosso jeito mais bonito.

Confirma, firma, assina os nossos dias.
Porque é um belo nome, uma bela graça...
Porque sozinhos não somos capazes de letra tão bonita!



02 julho 2015

"o resto é-me indiferente."


Sophia de Mello Breyner Andresen



... foi Poeta e Escritora. A sua obra, dos versos aos contos e às histórias para crianças, está cheia de Beleza,  Sabedoria e atenção ao Universo e à sua claridade, sempre na fidelidade ao que é essencial... Foi uma Cidadã corajosa e lutadora, indomável na palavra e no acto, contra toda a espécie de repressão…
Nasceu a 6 de Novembro de 1919. Morreu em Lisboa a  2 de Julho de 2004 mas 
                                                                                               "morrer é só não ser visto." 
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta.
E os cabelos doirados da floresta,
como se eu não estivesse morta.

De uma entrevista:
«Gostaria que se realizasse a justiça social, a diminuição das diferenças entre ricos e pobres. Mais justiça para os pobres e menos ambições para os ricos. O resto é-me indiferente».

Na Assembleia Constituinte em 1975:
Qualquer pessoa que tenha o mínimo de consciência cultural sabe que a cultura é uma das formas de libertação do homem. E que, por isso, perante a política, a cultura deve sempre ter a possibilidade de funcionar como anti poder. E se é evidente que o Estado deve à cultura o apoio que deve à identidade de um povo, esse apoio deve ser equacionado de forma a defender a autonomia e a liberdade da cultura para que nunca a acção do Estado se transforme em dirigismo”

De pé, presto homenagem à lucidez, à arte e à doçura desta mulher que parece de um Outro mundo. E é!
Na sua morte, o prof Eduardo Lourenço escreveu assim: “Ela não desprezava as grandes emoções populares, mas era noutro reino que habitava e é nesse reino que ela está agora”.

Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes.

Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor.

Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um voo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.”

E a mim apetece-me escrever - Amen!



01 julho 2015

"como eu"



Porque Deus nos sonha e nos cria à Sua Imagem e Semelhança, a nossa vida tem o dinamismo de uma Vocação. A Vocação é a de amarmos assim desta maneira, como somos amados. Deus é um Criador Bom e Leal, por isso cria a pessoa humana com esta capacidade maravilhosa de amar assim, e com este desejo vital de ser amada. Estamos feitos para querer bem aos outros e ajudá-los a ser felizes. Por isso é que, quando isto não funciona por algum motivo, nos sentimos tristes e deprimidos.

Ser cristão lança-nos um novo desafio, que nasce do privilégio enorme que é ter a possibilidade de conhecer Jesus. Este desafio/privilégio é amar como Jesus. Foi o único mandamento que nos deixou, e é o referencial para entrarmos no espírito de todo o Evangelho: “Amai-vos uns aos outros COMO EU vos amei” (Jo 15)

Deste mandamento nasce tudo o resto que houver a dizer e a fazer para pôr mãos à obra do Reino de Deus. Aquele “como eu” marca um estilo, uma medida e um projecto. 

É só “um mandamento”, até parece pouco, mas implica a adesão ao ESTILO de Jesus na sua maneira de estar com Deus e com as pessoas, sobretudo as que não contavam para ninguém; implica a adesão à MEDIDA de Jesus que era um exagero de bondade e liberdade e alguém que não se preservou a si próprio, mesmo quando o que estava em causa eram ameaças de morte violenta; implica a adesão a um PROJECTO que era o motivo e a meta do seu jeito de amar as pessoas: o Reino de Deus ou, com palavras perguntadeiras, “o que acontece quando Deus Reina?” 




29 junho 2015

tocar e ser tocado




Tocar-te, Jesus, e em ti tocar o centro do Evangelho,
a sua permanência, a sua actualidade,
aquela verdade que nos garantes quando nos fazes intuir
que tudo nele faz sentido para nós,
que precisamos dele como pão para a boca,
porque nos fazem falta os segredos para sermos mais felizes,
mais livres e mais generosos.

Tocar-te, Jesus, e em ti tocar o essencial do Mistério da Vida,
o lado de dentro da existência, e dar de caras com Deus
como emergência familiar que cria e gera continuamente
Vida à Sua imagem e semelhança…

Tocar-te, Jesus, e em ti tocar o destino de cada Ser Humano
como Salvação e Pertença Filial a um Deus que “não sabe” que o é
porque está eternamente ocupado em ser Pai…

Ser tocado por ti, Jesus, e sentir a Força que vem de ti,
a energia, a Vitalidade do Espírito
que estanca as nossas hemorragias antigas
e é capaz de sarar as nossas feridas mais profundas…

Ser tocado por ti, Jesus, e em ti ser mergulhado no dinamismo pascal da Vida,
no Baptismo do Espírito que vence as forças do Homem Velho
e gera continuamente o Homem Novo,
Homem Filho, Homem Corpo, Homem Divinizado…

Ser tocado por ti, Jesus, e perceber o que significa chamar-te a ti
e a tudo o que dizes e fazes Evangelho, Boa Notícia… finalmente, perceber,
não como quem entende o que lhe foi transmitido
mas como quem se sente renascer…

Ser tocado por ti, Re-Suscitado,
e perceber que já hoje tens o poder do Espírito
para Re-Suscitar a nossa Vida também…

Rui Santiago cssr

28 junho 2015

aquele Nazareno, que não passa


Passou a vida a fazer o bem. Eis a razão pela qual nunca deixou ninguém mais pobre ou com falta de sentidos para viver. Nunca deixou ninguém mais pobre ou com falta de sentidos para viver. Não fazia alarde dos seus gestos de doação ou generosidade. A sua mensagem e as suas atitudes punham em causa as forças opressoras que dominavam a sociedade do seu tempo. Eis a razão pela qual os poderosos não queriam que ele vivesse. 

Apesar de passar a vida a fazer bem a toda a gente, eram muitos os que desejavam a sua morte. Os que o odiavam mataram-no, pensando que, deste modo, faziam calar de uma vez por todas a sua voz profética.

Apesar de se aperceber disto, Jesus não desistiu da sua missão, pois vivia e agia como um profeta de modo incondicionalmente fiel. No íntimo do seu coração, o Espírito Santo dizia-lhe que Deus toma partido pelos que gastam a vida pelas causas do amor.

Tinha a certeza de que Deus é fiel e de que a sua missão vinha dele. Eis a razão pela qual ele estava seguro de que Deus não o deixaria ficar no vazio da morte, apesar das intenções assassinas dos seus inimigos.


Como se deu totalmente, a sua vida passou a ser também a nossa vida. Com efeito, ao ressuscitar, a sua vida passou a ser um dom partilhado e difundido no coração das pessoas que se abrem à comunhão. Na verdade, o Espírito Santo que o habitava em plenitude tornou-se o Sangue da Nova Aliança. Jesus chamou-lhe a Água Viva a circular e jorrar vida em Plenitude.





NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias





25 junho 2015

Conhecer é ter espaço para criar perguntas…


E… parece que é mesmo verdade. Há quem diga. Há quem o experimente e se assuste…

Quando deixarmos cair as respostas certeiras e as definições atrevidas e formos capazes de fazer perguntas desinstaladoras estaremos, enfim, a pôr a vida em modo de conversão e… a nossa própria conversão pode muito bem ser anúncio fiável do Reino de Deus…

O Teólogo Joxe Arregui, diz assim:

 “Não podemos ter medo de perguntas. São elas que nos fazem conhecer, porque conhecer não é simplesmente “saber”. Conhecer não é ter conhecimentos. Conhecer é ter espaço para criar perguntas.
Como poderemos conhecer alguém senão na relação, na intimidade e na convivência com esse alguém?
Como poderemos conhecer Jesus se não for assim?
 Se ao conhecimento do Mestre retiramos isto, ficamos com um “saber” e reduzimos Jesus a um objecto, ou, então, ficamos com um “culto” e reduzimos Jesus a um ídolo.
 Para conhecer Jesus, é preciso saber perguntar:

- Como foi o olhar de Jesus naquela altura e como é hoje?

- O que anunciou no tempo dele e o que anunciaria no nosso?

- Que opções fez no seu mundo e quais faria ele no nosso?

- Que atitude assumiu diante do sistema religioso judaico e que atitude assumiria diante do sistema religioso cristão?

- Como acreditou, confiou, esperou em Deus e como o faria hoje?

- Falaria Ele tanto como nós falamos da moral sexual, ele que se pôs do lado da prostitutas e não condenou a adúltera?

- Defenderia tanto o modelo tradicional da família, ele que o rompeu?

- Denunciaria tanto o relativismo moral e filosófico ou, em vez disso, denunciaria o monopólio da verdade, da informação e dos bens?

- Como anunciaria Ele que só Deus é rei e que exerce o seu reinado em favor dos últimos num mundo como o nosso em que os países “cristãos” exercem o império do poder e do dinheiro?

- O que diria dos e aos emigrantes, ele que foi emigrante e que continuará a sê-lo enquanto houver fronteiras?

Para conhecer Jesus, é preciso saber perguntar."

(Joxe Arregui é Teólogo. Nasceu do País Basco. Franciscano sem hábito nem convento. Trocou-os pela liberdade de ensinar e falar, de continuar a ser uma das muitas vozes da resistência activa na Igreja que ama. Tem 63 anos.)




24 junho 2015

DIA #6 "Converte-te ao Amor"

No Centro de Espiritualidade Redentorista, 
estamos a meio de um Curso sobre "Espiritualidade Cristã e Oração". 
Durante o Curso, cumprimos um Programa Diário de Leitura Espiritual. 
Hoje, sexto dia deste Programa, o texto é este que publico aqui.

Abraço!




Por vezes temos medo de entrar plenamente na dinâmica da comunhão que é o amor. Se nos distraímos, lá nos vem o susto de amar, um pânico interior por estarmos a entregar-nos. Começamos a pensar se não estaremos a confiar demais, ou a contarmo-nos para além do que devíamos. 

No fundo temos medo de nos perder, é só isso, porque pensamos que ao entrarmos no dinamismo da comunhão e da partilha, perdemos a nossa liberdade, a nossa originalidade e a nossa unicidade pessoal. Mas não é assim. Pelo contrário, só nos encontramos plenamente e nos realizamos como pessoas livres, conscientes e responsáveis na dinâmica da comunhão amorosa livre dos medos e das fronteiras que eles inventam.

O nosso egoísmo e o medo de nos anularmos levam-nos muitas vezes a fecharmo-nos na nossa pequenez. O medo é lugar de uma assoalhada só, uma morada que é um aperto, e quando deixamos que ele nos agarre, toma-nos pela mão e leva-nos para casa dele, para aquele aperto do coração em que nem respirar se consegue em condições. 

Por experiências negativas que já tivemos e desilusões, muitas vezes isolamo-nos, convencidos que estamos a proteger-nos e a guardar o controlo da nossa vida. Mas é precisamente o isolamento o que mais nos impede de nos possuirmos e encontrarmos na nossa riqueza mais profunda. A verdade é que nunca estamos tão desprotegidos como quando nos isolamos. 

A pessoa só se compreende a si mesma e se possui quando está integrada num mistério da comunhão. Viver é ConViver. Este é o próprio jeito de Deus! Quando dizemos “Santíssima Trindade”, o que estamos a dizer é “Comunhão”. Deus é, em Si mesmo, um Mistério de Comunhão Familiar que se difunde para nós. Ainda não existia o universo com as suas galáxias e belezas, já existia uma Família! No princípio, era o Amor. Por isso, essa será a “palavra” final também da História. 

Nascidos neste mistério presidido pelo Amor Familiar de Deus, estamos talhados também para o mesmo: a nossa vocação é realizarmo-nos como imagem e semelhança de Deus, isto é, tornarmo-nos perfeitos no Amor segundo o estilo, a medida e o projecto de Jesus.



CONVERTE-TE AO AMOR E TERÁS A VIDA ETERNA





Calmeiro Matias & Rui Santiago


23 junho 2015

Que é a Fé?


Esta ainda é daquelas que sempre me apanha de esguelha e me:
1) faz soltar uma gargalhada; ou,
2) faz cair o queixo e ficar com ar atordoado.

A verdade é que ainda não lhe consigo ser indiferente. Empurra-me sempre para um dos dois lados.
E depois faz-me ficar a remoer... e andar às voltas com tantas perguntas que me vão surgindo...
Como é que a fé se torna um conceito definível em duas linhas e meia?
Como é que se torna uma pergunta de resposta fácil e imediata?
A fé de Jesus alinha-se por aqui?

Esta relíquia encontrei-a num catecismo antigo (síntese do tal Catecismo de São Pio X, velhinho, com 120 anos) mas encontra-se também em muita mentalidade novinha (com bem menos de um terço dos anos). Sim, esse é que é o problema! Esta "definição" e modo de entender a fé estar tão enraizada em muito cristão piedoso...

É que até o dicionário da língua portuguesa é mais ousado....


Se percorrermos (e nem é preciso ir com muito detalhe) os Evangelhos, facilmente nos apercebemos que Jesus de Nazaré não deve ser lá muito católico. A Fé dele não tem nada de sobrenatural e não consta que a Santa Igreja lhe ensine coisa alguma. O Nazareno parece afinar melhor pela gramática; pelo menos adere de corpo e espirito àquilo que considera verdadeiro e digno de dar a vida (testemunho autêntico). Vive a Fé no Pai como uma confiança e esperança; acredita que Ele está a trabalhar no mundo, portanto alinha-se na mesma atitude, com uma absoluta fidelidade ao Ser Humano, que lhe merece todo o crédito.

Mas mesmo assim... as definições andam tão longe... o melhor é mesmo ir mantendo as perguntas!

22 junho 2015

21 junho 2015

a sorte de termos um Deus que é Amor


Vamos partir de uma base essencial: Deus é amor. Isto que dizer que para Deus é possível tudo o que é possível ao amor. Mas devido ao facto de ser amor, Deus só pode aquilo que o amor pode e nada contra o amor, pois não se pode negar a si mesmo.
Se a realidade é esta, podemos estar tranquilos e não há razões para ter medo de Deus. De facto, ninguém tem medo do amor, a não ser a pessoa que não queira deixar o seu egoísmo.
Pelo facto de ser amor, Deus toca-nos no mais íntimo do nosso ser e comunica connosco em atitudes exclusivas de bem-querer. 

O amor é uma dinâmica de bem-querer que tem como origem a pessoa e como meta a comunhão. 
Deus é assim!

O amor leva a pessoa a eleger o outro como alvo de bem-querer, facilitando a sua realização e felicidade. 
Deus é assim!

O amor confere às relações humanas a força capaz de fazer emergir a interioridade pessoal livre, consciente, responsável e capaz de comunhão do ser humano. 
Deus é assim!
Jesus entendeu muito bem o que é o amor ao fazer dele o seu único mandamento. Do mesmo modo São Paulo entendeu muito bem o mistério do amor quando disse: “Ainda que fale as línguas dos homens e dos anjos, se não amar, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que tenha o dom da profecia, conheça a totalidade dos mistérios, possua toda a ciência, ainda que tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada sou. Ainda que distribua todos os meus bens pelos pobres e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita” (1 Cor 13, 1-3)

Depois acrescenta: “O amor é paciente e prestável. Não é invejoso, nem arrogante, nem orgulhoso. O amor nada faz de inconveniente, nem gira só à volta do seu interesse. O Amor não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor é eterno, pois nunca passará” (1 Cor 13, 4-8).





NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias


19 junho 2015

Qual a Proposta de Deus?

Quais são as propostas do Amor? O que nos propõe?
A que dizemos sim? A que dizemos não?


Hoje o espaço de partilha é vosso...



"A proposta do Amor é sempre uma proposta de VIDA, de CORAGEM, de CONFIANÇA... Mas às vezes o medo é maior e acabamos por dizer não a essa proposta libertadora..." por Fabi Mourinho

"Infelizmente o medo é o nosso maior inimigo. E então, por mais que não queiramos, o medo está muito presente, até mesmo quando Deus diz não tenhas medo... E muita vez a resposta acaba de ser nao. Mas a proposta de Deus é sempre a melhor. Amor, Vida, Coragem, confiança por isso vou continuar a dizer sim a Ele, sem medo!" por Anônimo


18 junho 2015

“Entre, quem é!!!!”

Nós que já percorremos, com o credo na boca, la Ruta del Cares… e que também fomos convidados a serenar as batidas do coração junto do Lago di Como, somos agora convidados a entrar no Reino Maravilhoso de Torga…  
Sem bater. Assim se entra ainda em muitas casas de Trás-os-Montes, aonde a chave fica do lado de fora da porta…

Deixemos deslumbrar os olhos perante a harmonia incrível que existe entre a rudeza dos montes e a paisagem verdadeiramente Humanizada…

Foram as mãos do Homem que ergueram muros de milagre nas penedias de xisto… e as semearam de pão, e as plantaram de vinho… de azeite… de amêndoa… 

Bem Vindos ao Alto Douro Vinhateiro! Entre, quem é!!!









Foram as mãos do Homem que pentearam os montes como se os cumes arredondados fossem as cabeças das mulheres de África, pacientemente entrançadas…
(Kumbossa kontra, diz a nossa guineense Maté com os olhos a brilhar, olhando para o lado de lá do Rio Douro…)




Foram as mãos do Homem que enfeitaram de flores os muros e os carreiros…




... e são as suas  mãos calejadas que, num saber que passa de geração em  geração, cuidam as uvas na paciência e na espera…  só assim haverá, todos os anos, “sol engarrafado e embriagar os quatro cantos do Mundo”...



É o mesmo Homem que, no frio inverno acende o lume de madeira de azinho e de oliveira e, conta aos netos, ao serão, como quem reza , uma saga de saberes, de poupança, de esforço, de paciência e sonho… que já vem de longe… de muito longe…


Bem Vindos ao Alto Douro Vinhateiro!
As fotografias são de 5 apaixonados pelo Douro - o Fred, a Joana, o Jorge Ferreira, o primo Thales Figueiredo e o Tony.

Bem Vindos a Casa! Entre, quem é!!!






16 junho 2015

menina de olhos deslumbrados

vou-te descobrindo devagarinho. como uma criança na fase das primeiras descobertas. toco-te no rosto, percorro a tua face com a palma da minha mão, sinto a curvatura da tua cara, a aspereza da tua pele. passo-te os dedos pelos olhos, percorro-te as sobrancelhas. descubro-te devagarinho. quem és tu? e o que andas a fazer comigo, com a minha vida? como é que te colaste a mim assim, desta forma, que quando dei por mim já estavas tão enraizado? como é que de mansinho foste entrando sem que eu me apercebesse? quem és tu que fazes o meu coração bater tão depressa no meu peito? que me deixas sequiosa de saber mais, mais, sempre mais de ti? que me pões a cantar no meio da rua? a gritar no meio de uma aldeia à meia noite? a ficar rouca?
quem és tu que trazes todos os dias pessoas para a minha vida? que as vais tornando, tal como tu, de mansinho, tão importantes, tão especiais? como é que tu, que viveste há tantos anos, consegues manter-te assim, tão vivo? tão vivo que unes pessoas, que transformas vidas, que crias laços, que provocas lágrimas, tão vivo assim? e como é que eu passei tanto tempo adormecida sem saber que isto, isto que eu sinto agora existia, sem saber que a vida podia ser tão mais, sem saber que tu, tu podias fazer toda a diferença.


quem és tu, Yeshu?... quem és tu?... 


Margarida Ferreira