23 Novembro 2014

Chamava-se Jesus, o de Nazaré



               
Deus Santo,
Obrigado pelo acontecimento central da Humanidade: 
JESUS CRISTO!

Nasceu no meio de gente pobre e viveu a condição da gente simples da Galileia.
A sua grande paixão era conduzir a Humanidade para a comunhão da Família de Deus.

Contra o que era costume no seu meio, tratava Yahvé por "Abba", que quer dizer, "Papá"!
Ensinava as pessoas a falar com Deus como um filho fala com seu pai, 
dizendo: "Pai-Nosso que estais no Céu".

Era corajoso e punha-se sempre do lado dos marginalizados e oprimidos pelos sistemas injustos.
Tomava partido pelos que não eram capazes de se defender, 
tornando-se a voz dos que não tinham força para defender os seus direitos.

Deixava mais felizes os que tinham a sorte de comunicar com ele em profundidade.
Nunca ninguém ficou mais pobre pelo facto de o ter encontrado.

Defendia a partilha dos bens como caminho seguro para se chegar à abundância.
Se abrirmos o coração à fraternidade e seguirmos o caminho da partilha, 
ensinava ele, os bens da terra chegarão para todos e ainda vai sobrar.
Foi isto que ele quis ensinar com o milagre dos três pães e dos dois peixes partilhados, 
os quais chegaram para alimentar uma multidão.
Os três pães chegaram para todos e ainda sobraram vários cestos cheios de pedaços.

Sentia-se bem entre os simples e os que tinham um coração capaz de acolher os outros.
Apreciava muito a companhia dos pobres, pois estes têm uma grande capacidade de partilhar.

Jamais defendeu a marginalização dos pecadores, apesar de se opor sempre ao pecado.
Na verdade, o seu sonho era banir o pecado da História Humana, 
porque este é a fonte da violência e do ódio e das guerras que atormentam as sociedades e os povos.
Apesar de se opor ao pecado 
nunca defendeu a morte dos pecadores, como faziam os sacerdotes e os fariseus do seu tempo.
Foi esta a razão pela qual ele tomou partido pela mulher adúltera, apesar de ser contra o adultério.
A destruição do pecado, segundo a sua maneira de entender, 
acontece no íntimo do coração humano pela acção do Espírito Santo.

Na verdade, só o Espírito Santo é capaz de renovar os nossos corações, 
fazendo-nos passar do egoísmo para o amor fraterno.

Dirigindo-se aos sacerdotes e aos doutores da Lei, 
um dia disse-lhes que eles pretendiam dominar o povo simples 
impondo-lhes normas e preceitos que não passam de invenções humanas.

Os que o escutavam com atenção encontravam sempre razões novas para viver.
Não fazia publicidade dos seus gestos de generosidade, pois ele amava sem fazer alarde.
A Palavra de Deus era o grande amor da sua vida 
e exultava de alegria no Espírito Santo 
quando sentia que as pessoas compreendiam e acolhiam a sua mensagem.

Os detentores do poder e das riquezas não queriam que ele vivesse, 
pois a sua mensagem minava os sistemas caducos 
e as estruturas opressivas da sociedade em que vivia.
Como é costume nestes casos, 
os poderosos começaram a deturpar a sua mensagem e a verdade da Palavra de Deus, 
afim de justificarem os seus planos para destruir a vida dos profetas.

O seu nome era Jesus de Nazaré.
Denunciava o pecado, pois este mutila o Homem. 
Mas não sentia ódio pelos pecadores.
Foi por esta razão que no momento da sua morte, 
pediu a Deus que perdoasse ainda o pecado dos seus assassinos!

Justificava o seu modo de actuar dizendo ser essa a vontade de Deus.
"O meu alimento, dizia ele, é fazer a vontade do Pai que me enviou."

Numa noite fria e escura os seus inimigos invadiram a sua casa, deixando-a vazia.
Fizeram-no desaparecer da companhia dos que o amavam. 
Mas Deus tomou partido por ele, ressuscitando-o.
De facto, Deus não permite que as pessoas que gastam a vida pelas causas do amor, 
acabem no vazio do cemitério.

O amor não pode terminar na morte, pois Deus é amor. 
Teve a sorte dos profetas, isto é, foi morto pelos inimigos da verdade e do bem.
Apesar de morrer rodeado de inimigos o seu coração estava tranquilo, 
pois tinha a certeza de que Deus ia restaurar a sua vida.

Ele tinha a certeza de que nenhum homem pode destruir 
o Projecto de Amor que Deus sonhou para a Humanidade.
Foi para conduzir a Humanidade para esta meta feliz que ele viveu e morreu.
No início da sua missão, o Espírito Santo consagrou-o, 
afim de ele ter a força necessária para ser fiel até ao fim.
Eis a razão pela qual ele se sentia seguro e tinha força p
ara enfrentar as forças negativas que tentam desumanizar as pessoas e as sociedades.

Levou o amor até à sua densidade máxima, dando a sua vida por todos nós, 
a fim de fazer de nós irmãos seus e filhos do seu Pai do Céu.

O seu nome era Jesus de Nazaré. 
Ensinava as pessoas a amarem-se umas às outras, a fim de se realizarem e serem felizes.
Ensinou aos seus discípulos que a profundidade máxima do amor se atinge 
quando uma pessoa dá a vida por alguém.

Ao morrer por nós, partilhou totalmente o seu ser, 
ao ponto de a sua vida se tornar um património comungável por todos os seres humanos.
Por outras palavras, como se deu totalmente, a sua vida deixou de ser apenas sua!
Eis a razão pela qual, ao ressuscitar, difundiu por todos o Espírito Santo, 
essa Água Viva que gera vida eterna no nosso íntimo.
Após a sua ressurreição ficámos organicamente unidos a ele,
pertencemos-lhe, como Ramos da Videira ou Membros do Corpo!
Estamos nele.





NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA...
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias




22 Novembro 2014

com o céu para baixo e para cima o chão




          Pensar de pernas para o ar
          é uma grande maneira de pensar
          com toda a gente a pensar como toda a gente
          ninguém pensava nada diferente

          Que bom é pensar em outras coisas
          e olhar para as coisas noutra posição

          as coisas sérias que cómicas que são
          com o céu para baixo e para cima o chão

          Manuel António Pina

21 Novembro 2014

Romanos 12

"Em virtude da missão que Deus me confiou a vosso respeito, recomendo-vos que ninguém se julgue mais do que é. Pelo contrário, sejam modestos e que cada um se julgue a si mesmo conforme o grau da fé que Deus lhe deu.


Num mesmo corpo há vários membros e cada um tem a sua função. Assim, também nós que somos muitos formamos um só corpo em união com Cristo e estamos unidos uns aos outros como membros do mesmo corpo."


20 Novembro 2014

Luz e mãos…

“O que eu vi, ainda sem saber que via, foram as mãos.
Parteiros gestos me ensinaram quanto, das mãos, a vida inteira vamos nascendo.
As mãos formam, assim, o nosso segundo ventre.

Luz e mãos mudaram a impossível fronteira entre oceano e ventre.
Luz e mãos me consolaram da incurável solidão de ter nascido.”
                                                                         Mia Couto



A luz matinal chega sempre sorrateira e sem pressa… 
Desafiando a viver como NOVO cada dia que começa, a Luz primeira de cada dia traz consigo o Sinal de que TUDO está ainda no princípio… de que o nosso mundo está a tempo de se tornar um Mundo mais Amável e mais Humano, onde SÓ nos façamos bem uns aos outros.

E traz também um braçado incrível de possibilidades - podermos  experimentar como novos os sabores já conhecidos, como novo cada beijo e cada gosto de ti, como desimportante cada uma das nossas nódoas negras, como verdadeira e solidária cada lágrima - uma pequenina amostra do que aconteceria se começássemos a viver tudo e a ver todos com um olhar novo já que estamos a ser presenteados com uma Luz nova…

E tanta coisa seria diferente...

Mandaríamos para o lixo uma carrada de (pre)conceitos usados, certezas, ódios de estimação, convencimentos parvos… Deixaríamos que o nosso coração se transformasse, sistemática e persistentemente até que, cá fora, isso se visse e outros mudassem por causa da nossa mudança, sem medo de que o chão nos fugisse, os parentes caíssem na lama, os amigos certos passassem a incertos, desaparecessem e se fossem.

E TANTOS dos nossos bens deixariam de ser tão SÓ NOSSOS… Certeza, certezinha!!!

Acredito que o Reinado de Deus se vai instalando assim, entre nós, pé ante pé… E já aí está! Próximo. Não o vedes?

Como Promessa Unilateral! E, Graças a Deus que assim é! Porque SÓ Ele é Fiel!

É que o Reinado de Deus não chega como uma religião mas como um dinamismo de Mudança e de Partilha.
Vem sem alarido, assenta arraiais aqui e ali, onde o hábito e o ram-ram deixarem de opor resistência. Onde a História falar já, abertamente, de lágrimas enxutas com dedos Humanos, de fomes saciadas com pão, trabalho, dignidade, paz. Também de sedes de Amor mitigadas de um só modo – amando e saindo do casulo.

E, se perguntarmos à primeira luz do dia, como vamos nós vencer os medos de cada noite escura, pressinto que vamos ouvir uma vozinha a dizer que todos os medos têm medo de quem SE dá...
Que experimentemos dar-NOS! Só assim vamos saber. 
E, mais! Quando NOS dermos inteiramente e sem medida, os nossos passos serão iluminados pela luz que brilha nas faces de todos aqueles que amámos… De todos aqueles a quem NOS dermos. De dentro! 
Porque isso ilumina as faces, os olhos e o riso… de quem se dá e de quem se dói

Porque isso é viver passos de Ressurreição.

Desculpa mas vou ter mesmo que te meter nisto! É que, tal como todos precisamos da luz, também eu preciso de ti e tu precisas de mim para nascermos todas as manhãs.

As minhas mãos não chegam! As tuas mãos não chegam! 

Nascer DE NOVO, sozinho? Impossível!!!!

Só em Comunhão de mãos...

19 Novembro 2014

tudo o que vale a pena se conta em histórias de amizade


Dizem que os Profetas se reconhecem entre si. Acredito. No tempo em que Jesus andou na roda de João, um e outro se revelaram reciprocamente mistérios e segredos, vocações e mandatos, tempos de concluir e tempos de começar. Conta-se que o próprio João Baptista, depois da prolongada estadia de Jesus entre os seus, teria dito assim: “Agora, é preciso que ele cresça e eu diminua”, como se tivesse intuído uma mudança de tempo, uma página virada pelo dedo de Deus.



18 Novembro 2014

O primeiro Relato da Criação


Hoje a partilha-catequese fazem-na vocês
na caixa de comentários 
ao longo do dia
pode ser?

No princípio, Deus criou o céu e a terra.

Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um vento de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: "Haja luz" e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz "dia" e às trevas "noite". 
Houve uma tarde e uma manhã: é o primeiro dia. 

Deus disse: "Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe as águas das águas", e assim se fez. Deus fez o firmamento, que separou as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento, e Deus chamou ao firmamento "céu".
Houve uma tarde e uma manhã: é o segundo dia. 

Deus disse: "Que as águas que estão sob o céu se reúnam numa só massa e que apareça o continente" e assim se fez. Deus chamou ao continente "terra" e à massa das águas "mares", e Deus viu que isso era bom
Deus disse: "Que a terra verdeje de verdura: ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem sobre a terra, segundo a sua espécie, frutos contendo sua semente" e assim se fez. A terra produziu verdura: ervas que dão semente segundo a sua espécie, árvores que dão, segundo a sua espécie, frutos contendo sua semente, e Deus viu que isso era bom
Houve uma tarde e uma manhã: é o terceiro dia. 

Deus disse: "Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra" e assim se fez. Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para presidir ao dia e o pequeno luzeiro para presidir à noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, para presidirem ao dia e à noite, para separarem a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom
Houve uma tarde e uma manhã: é o quarto dia.  

Deus disse: "Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra, sob o firmamento do céu" e assim se fez. Deus criou as grandes serpentes do mar e todos os seres vivos que rastejam e que fervilham nas águas segundo a sua espécie, e as aves aladas segundo a sua espécie, e Deus viu que isso era bom. Deus os abençoou e disse: "Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a água dos mares, e que as aves se multipliquem sobre a terra."  
Houve uma tarde e uma manhã: é o quinto dia. 

Deus disse: "Que a terra produza seres vivos segundo a sua espécie: animais domésticos, répteis e feras segundo a sua espécie" e assim se fez. Deus fez as feras segundo a sua espécie, os animais domésticos segundo a sua espécie e todos os répteis do solo segundo a sua espécie, e Deus viu que isso era bom.  
Deus disse: "Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra".
Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. 
Deus os abençoou e lhes disse: "Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra." Deus disse: "EU VOS DOU todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: ISSO SERÁ VOSSO alimento. A todas as feras, a todas as aves do céu, a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, EU DOU como alimento toda a verdura das plantas" e assim se fez. Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom
Houve uma tarde e uma manhã: é o sexto dia.

Assim foram concluídos o céu e a terra, com todo o seu exército.  
Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera.
Deus abençoou o sétimo dia e Deus o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação.

Essa é a história do céu e da terra, quando foram criados.

Gn 1, 1 - 2, 4a

17 Novembro 2014

Festa

A capacidade de celebrar a própria festa de aniversário deve ser um dos maiores sinais de maturidade.
O momento em que alguém nos deu à luz e nos trouxe à vida não dependeu de nós. Não fomos tidos nem achados. Recebemos a Vida. E agora? É uma maravilha ver uma pessoa assumir este Dom, em nome próprio e, de braços abertos, dar-se cheia de Graça.

Foi assim, com a elegância e a graciosidade que só se aprende na escola dos simples, que ela nos convidou, um a um, para a festa: às três e meia da tarde e nada de atrasos.
Tentámos ser úteis, levar alguns doces, tratar das bebidas. Nada. Queria-nos de mãos vazias. Estava tudo pronto: a toalha estendida, a mesa posta, o bolo enfeitado com rosas de açúcar escolhidas a dedo. Até o vinho era novo, uma garrafa de Porto por estrear, para que não fosse a Ginginha do costume.

À volta da Mesa, celebrámos a Vida dela, de quem recebemos tanto, todos os dias, graças ao seu serviço discreto e silencioso. Mas, no meio de nós, estava Alguém muito mais feliz. Se "a glória de Deus é o Homem vivo", só Ele é capaz de alegrar-se com alguém que decide celebrar a Vida, aqui e agora, apesar de um passado de violência e de ameaças. Se a mão humana limitou as suas capacidades de aprendizagem, Ele ensinou-lhe os segredos da Sabedoria, que se revelam nos gestos de cuidado, de responsabilidade pelas coisas pequenas do dia-a-dia. O esmero e a simplicidade só se aprendem de Deus.

Só Ele é a fonte de uma Alegria que não se contém e precisa de estender a toalha, pôr a Mesa, para que todos se alimentem da força de uma Vida que se dá - em serviço - e, por isso, resiste.

Não sei se nós fomos convidados ou testemunhas do Amor em Festa do Pai por uma das suas Filhas, pequenina aos olhos dos grandes deste mundo, mas única e tão querida no Reino dos que já estão ao serviço de mangas arregaçadas.

16 Novembro 2014

O Amor é a Respiração da Vida Espiritual



Pai Santo
a bíblia diz que Deus é Amor 
e que o Ser Humano só pode conhecer Deus se amar os irmãos (1 Jo, 4, 7-8).

O que a respiração é para o nosso corpo,
isso mesmo é o Amor para as nossas relações, 
pois o Amor é como a seiva que alimenta os encontros de fraternidade.

Há muitas pessoas que sofrem e estão feridas no seu coração porque foram mal-amadas.
A planta precisa de água para viver e crescer.
Do mesmo modo, o Ser humano não consegue realizar-se e ser feliz sem Amor.
O Amor dos outros é uma condição essencial até para nós gostarmos de nós.
As pessoas que não foram bem amadas ficaram com feridas e não gostam da vida.

Como somos imagens de Deus, 
estamos talhados para realizar encontros de Amor e Comunhão. 
É por esta razão que a solidão nos tira a alegria de viver.

Quando pensamos apenas em receber Amor, esquecendo o nosso dever de amar,
corremos o risco de ficar sós.
Há pessoas que pensam que os outros têm o dever de as amar, 
mas nunca têm gestos de Amor para com os demais!
Estas pessoas, em geral, sentem uma solidão muito profunda. 
De facto, o Amor dos outros começa a vir para nós quando nós lhes damos Amor.
Se começarmos a preocupar-nos com os outros, 
fazendo-lhes bem e ajudando-os a serem felizes, 
a nossa felicidade cresce muito, 
porque o Amor e a Amizade vão fazer da nossa vida uma aventura que vale a pena.




NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA...
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias

15 Novembro 2014

O Essencial é Ter o Vento







"O essencial é ter o vento. 
Compra-o; compra-o depressa, 
A qualquer preço. 
Dá por ele um princípio, uma ideia, 
Uma dúzia ou mesmo dúzia e meia 
Dos teus melhores amigos, mas compra-o. 
Outros, menos sagazes 
E mais convencionais, 
Te dirão que o preciso, o urgente, 
É ser o jogador mais influente 
Dum trust de petróleo ou de carvão. 
Eu não: O essencial é ter o vento. 
E agora que o Outono se insinua 
No cadáver das folhas 
Que atapeta a rua 
E o grande vento afina a voz 
Para requiem do Verão, 
A baixa é certa. 
Compra-o; mas compra-o todo, 
De modo Que não fique sopro ou brisa 
Nas mãos de um concorrente 
Incompetente."

por Reinaldo Ferreira


14 Novembro 2014

Üsküdara

Hoje a partilha é para mimar os sentidos
A meu ver, recheada de tanta beleza


Uma canção popular turca
Algo sobre uma mulher e um escriba que viaja para Üsküdar


13 Novembro 2014

Esperança – Hope - Dukaduni


Fraternar a vida é comungar Sonhos, Esperanças e A(des)venturas. E essa Comunhão faz-se presente, umas vezes embrulhado em pequenos gestos, outras em estórias partilhadas… umas vezes em palavras simples e conhecidas, outras vezes em palavras tão novas e tão cheias que até os olhos se nos riem…

Há algumas dessas, novas, que fui aprendendo e repetindo. DUKADUNI é aquela de que gosto mais - parece que tem música…

De longe me ensinaram que DUKADUNI é Esperança e é Hope. MAS é muito mais que todos os conceitos que nelas possamos encaixar…

DUKADUNI é uma palavra Mankanhe, uma das muitas etnias da Guiné Bissau, e, dizem, na língua deles as palavras bailam cheias de imagens, ganham música e cor, corpo e movimento… apontam um sentido… dizem MUITO para além delas mesmas…

E esta, DUKADUNI aponta e diz esta GRANDE NOTÍCIA!: - Deus está lá adiante a fazer as coisas direito!
Puxa vida! Que GRANDE NOTÍCIA para quem não se contenta com paisagens pequenas…

Esta informação, feita  acolhimento, faz esperançar o coração da gente e, seja lá qual for a língua dos nossos antepassados, escrita ou oral, põe-nos o coração em passo de Dança, os pés em Caminho e as mãos em Serviço – É que o nosso Deus chegou primeiro. Onde estiverem os últimos é Ele sempre o primeiro a chegar. Já abriu os caminhos e aplainou as veredas, não esperou que fossemos nós a tratar disso… (é Pai que conhece bem os filhos que tem - não quis esperar sentado)…O nosso Deus é andarilho!

Prefere oferecer-nos o verdadeiro luxo de podermos levar nos olhos, a cada passo, uma paisagem de uma lonjura tal, que nos permite ver a imensidade de carreiros e trilhos já abertos e, avançar, na confiança antecipada… de que outros serão abertos, todos ligados entre si, por mão de Mestre que sabe de Amor e de Verdade. Não há a mínima possibilidade de nos perdermos em sem saídas…

E este descampado a que chamamos Tempo, espera sempre que nele sejam abertos caminhos novos…
E Quem os sonha e projecta adora, mas adora mesmo, trabalhar “de companhia”, ensinando, pondo água na fervura das nossas pressas ou estimulando quando chegam o cansaço, o desânimo ou a preguiça…
São gostos… Quem ama é assim…

12 Novembro 2014

foi por alturas em que as alturas se abaixaram


Foi por alturas em que o Profeta do Jordão tinha sido preso nas masmorras do rei Herodes e, depois, executado numa noite de insensatos, que Jesus começou a percorrer a Galileia e a deitar Fogo à terra. Tinha um rosto feliz. A seriedade era a de João, mas não o peso. O vigor era o de Profeta, mas não as ameaças. Soltava-se da sua presença uma Boa Notícia capaz de levantar mortos e fazer gritar as pedras! Anunciava a proximidade salvadora do Deus de Israel que andava a fazer visita ao Seu Povo, e Se sentava, cheio de Bondade e Paz, na casa dos últimos, dos pobres, dos impuros e pecadores públicos. Eis o estilo do Seu Reinado! A colher da malga dos pobres, eis o ceptro na mão direita de Deus quando foi apanhado na fotografia. E as crianças a desmancharem-lhe a coroa para jogarem com pedrinhas de várias cores, e Ele a rir-se disso, enquanto limpa as lágrimas do rosto de quem ainda chora e toca de maneira redentora nas feridas de quem sofre.


11 Novembro 2014

Fé e Comunidade


Não é possível fazer-se discípulo de Cristo sem ser em Comunidade. Não é possível viver plenamente a fé no Ressuscitado sem um contexto Comunitário.

A fé vivida fora de uma Comunidade fica muito aquém do que podia ser; como um talento que é guardado e enterrado na terra que nunca tem oportunidade de crescer (Mt 25, 14-30).

Não terá sido ao acaso que uma das primeiras acções de Jesus de Nazaré, ainda na Galileia, tenha sido fundar uma Comunidade. Uma Comunidade de discípulos para crescerem e fazerem caminho com ele. Não para ficarem fechados em si, mas para serem enviados a formar Comunidades em nome do Mestre.

Os primeiros cristãos perceberam isto bem e sentiram isto na pele. A experiência de Cristo Ressuscitado, narram-nos vezes sem jeito, fazem-na em contexto Comunitário (Jo 21, 1-14; Lc 24, 13-35). Por isso, aquele que não está em Comunidade, Tomé, não é capaz de Vêr o Ressuscitado (Jo 20, 19-31).

Aquela Comunidade primeira de discípulos começa a intuir que é de Comunidade que Jesus falava quando prometia e confirmava que ele mesmo estava presente onde dois ou três se reunissem em seu nome (Mt 18, 20).

Jesus nunca diz aos seus discípulos que estará individualmente com cada um deles, a aquecer-lhes o coraçãozito, para onde quer que vão (Mt 28, 16-20). Os seus primeiros discípulos intuem que Cristo está com cada um deles na medida em que formam uma Comunidade unida em volta do Mestre.

Por isso, quando chega a altura de passar por escrito os relatos da vida Comungada com o Senhor, colocam a Mesa Comunitária no centro do anúncio do Reino (Mc 14, 17-31). A Mesa aberta a todos é o maior e melhor sinal do Reino, e é coisa de Comunidade.

As primeiras Comunidades de discípulos intuem que a originalidade da sua fé está na vivência Comunitária, Agapé e Eucaristia. Não vivem a sua fé pelo culto na sinagoga ou no Templo, mas pela refeição simples e agradecida, entre irmãos que, em Comunhão, se reúnem à volta de uma mesma Mesa. Isto é, não vivem a sua fé numa dimensão vertical, mas assumem que a essa verticalidade é tão mais reforçada quando mais os braços se abrem horizontalmente para os irmãos.

Depois da experiência da Ressurreição do Senhor, é desta forma que as primeiras comunidades celebram a Fé em Deus. Tudo o que faziam, fosse a escuta do ensino dos Apóstolos ou fosse a Oração, faziam-no em Comunidade, tudo o que tinham, punham-no em Comum (Act 2, 42-47).

Também Paulo, o Apóstolo, entrega a sua vida ao anúncio de Jesus, Senhor e Messias, confirmado e ressuscitado por Deus, e fá-lo formando inúmeras Comunidades (1 Cor 11, 23-27; 1Tess 1, 1; Fil 1, 1).

É a elas que ele diz que o Corpo de Cristo é o pão partido que tomam, e deste modo são os seus membros, todos eles, que formam a Comunidade que é o Corpo de Cristo (1Cor 12, 27). Porque o Corpo de Cristo não é o pão, mas a Comunidade que (se) (re)parte (n)o pão.

Os relatos dos primeiros discípulos chegam até nós em relatos Comunitários. Gente que só entendia a fé em Cristo em contexto Comunitário.

Quando pouquinhos séculos mais tarde o Cristianismo se alastra pelo mundo e experimenta uma das suas maiores crises, isso sucede-se porque se perdeu o contexto Comunitário da fé, para se passar a v(iv)er a fé como uma relação entre o Homem (isolado) e Deus em ordem à Salvação da alma (individual).

Não terá sido por acaso que essa crise torna-se visível na falta da comunhão das Eucaristias. O Corpo de Cristo deixa de ser a Comunidade e passa a ser a sacro-santa partícula exposta no divino altar.

Muitos séculos depois, também nós hoje fazemos a experiência de que só em Comunidade é possível viver a fé em Cristo. É preciso procurar e regressar às raízes Comunitárias da nossa fé. Se a fé for entendida sem a vivência Comunitária, num instante cairá na piedadezinha popular entre o meu coração e o meu Deus. Por muito bom e genuíno que isso seja, não terá a marca e a pinta de Cristo.

Não é possível fazer-se discípulo de Cristo sem ser em Comunidade. Não é possível viver plenamente a fé no Ressuscitado sem um contexto Comunitário.

A fé vivida fora de uma Comunidade fica muito aquém do que podia ser; como um talento que é guardado e enterrado na terra que nunca tem oportunidade de crescer (Mt 25, 14-30).

Aquele que vos escreve,
Em Comunhão Convosco
Daniel