02 agosto 2015

Pessoas Novas no Homem Novo


Pai Santo,
o Apóstolo Paulo disse que Jesus, ao ressuscitar, fez de nós Pessoas Novas (2 Cor 5, 17-19).
Para isso, Jesus comunicou-nos o Espírito Santo, 
a Água Viva que faz brotar nos nossos corações uma nascente de Vida Eterna.

O Espírito Santo inspira-nos uma série de atitudes 
que nos identificam como o Homem Novo, 
moldado de acordo com Cristo.

O Homem Novo é um facilitador da felicidade dos irmãos.
O Homem Novo cresce num clima de relações honestas consigo e com os demais.
O Homem Novo procura realizar-se com os talentos que tem 
e não anda sempre a comparar-se com os demais.
Na verdade, o leque dos talentos varia de pessoa para pessoa, 
pois cada ser humano é único, original e irrepetível.

O Homem Novo sabe que a pessoa não pode ser feliz se não partilhar com os outros 
o seu tempo, os seus bens e o seu saber.

O Homem Novo sabe ajudar os outros sempre que se lhe ofereça ocasião para isso.

Nas relações com as outras pessoas, o Homem Novo sabe adoptar uma atitude discreta e humilde.

O Homem Novo é uma Pessoa que sabe escutar as mensagens que os outros lhe querem transmitir, 
a fim de os poder entender.

Após um fracasso, o Homem Novo sabe sempre levantar-se e avançar para uma nova etapa.

Seremos tanto mais Homem Novo quanto mais vivermos a vida com paixão.

Porque, na verdade, a mediocridade não faz emergir em nós o Homem Novo.



NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco,
Calmeiro Matias






31 julho 2015

Esse Teu Feitiço



"Por mais duro o serviço
Que a terra peça da gente
Eu não sei porque feitiço
Temos sempre novo alento"

por Miguel Araújo

30 julho 2015

                      “Enquanto não sabemos o caminho, cantemos já o dom de caminhar;

                       Se estamos juntos não teremos medo: Alguém no invisível nos espera.



Plantemos flores à beira do abismo: há de haver no deserto um lugar de água,
Alguém que nos chame pelo nome e nos acolha no termo da viagem.”


                                                                                                 J.A. Mourão OP

29 julho 2015

é possível a Alegria?



O mal que existe no mundo não nos impede à alegria. Obriga-nos à alegria! É um dever a alegria num mundo em que o mal ainda está presente. É um dever, porque a alegria é uma reacção diante da maldade, da violência e da injustiça. 

A alegria é uma desobediência civil diante do coro dos desgraçados, a alegria é uma objecção de consciência que nos livra do domínio dos que querem controlar o mundo, a alegria é uma subversão aos sistemas de domínio dos mandantes de turno. 

Porque a alegria é irmã gémea da liberdade. São as duas irmãs mais novas de outras três: a fé, a esperança e a caridade.



28 julho 2015



É um exercício tremendo de Fé não se fiar na multidão e não se preocupar com o sucesso.


O processo de Fé é profundamente PESSOAL, mas partilhado em COMUNIDADE.
A HUMILDADE é uma LIBERDADE imensa e enche a vida de ALEGRIA.

27 julho 2015

libertar



Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes 
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio

Sophia de Mello Breyner Andresen



26 julho 2015

a Família é uma realidade em Construção



A família humana é um espaço fundamental para a humanização dos seres humanos. Podemos dizer com toda a verdade que a família é a célula mãe da sociedade. Segundo tenha sido bem ou mal amado, o ser humano ficará capacitado ou não para amar. Na verdade a lei do amor é esta: ninguém é capaz de amar antes de ter sido amado e o mal amado ficará a amar mal.

É na família que se inicia a dinâmica básica da humanização que acontece como emergência pessoal mediante relações de amor e convergência para a comunhão universal. À luz da fé cristã a comunhão universal para a qual as pessoas humanas convergem na medida em que emergem como pessoas é o Reino de Deus.

Isto quer dizer que a meta da Família humana é a Família de Deus. Por outras palavras, a família humana é uma mediação fundamental para acontecer a edificação da família divina, a qual transcende os laços da carne e do sangue. 

Jesus tinha consciência de que a sua missão implicava a incorporação das pessoas humanas na comunhão familiar de Deus mediante o dom do Espírito Santo (Rm 8, 14-17; Ga 4, 4-7). Eis a razão pela qual Jesus anunciava o Reino de Deus, isto é a Família Universal de Deus, a qual assenta nos laços da Palavra e do Espírito Santo: 

“Entretanto chegaram sua mãe e seus irmãos que queriam falar com Jesus. Ficaram do lado de fora, pois a multidão estava sentada à volta dele. Entretanto alguém disse a Jesus: “Está lá fora a tua mãe e os teus irmãos que te procuram”. Jesus respondeu: “Quem são minha mãe e meus irmãos? E percorrendo com o olhar os que estavam sentados à volta dele, disse: “Aí estão minha mãe e meus irmãos, pois todo aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3, 31-34).

Mais que um lugar de aprendizagem teórica, a família é um entretecido de relações, onde emerge o amor como dinâmica de bem-querer que tem como origem as pessoas e como meta a comunhão. A família é o espaço adequado para acontecer o amadurecimento dos esposos, dos pais e dos filhos. Primeiro amadurece o marido e a esposa. Depois amadurece o pai e a mãe.

A família é a comunidade de amor mais adequada para o ser humano se estruturar como pessoa livre, consciente, responsável e capaz de amar. É na família que a natureza humana encontra as melhores condições para emergir como vida pessoal e convergir para a comunhão amorosa. Por outras palavras, a família é um contexto humano excepcional para a humanização das pessoas.

Quanto maior for a densidade do amor no entretecido das relações familiares, mais os seus membros crescem como pessoas bem-amadas e, portanto, capacitadas para colaborar na criação de uma sociedade mais justa e feliz. Uma pessoa bem-amada está capacitada para amar bem, facilitando a realização das outras pessoas e, portanto, da sociedade.

Como sabemos, a plenitude do ser humano não está em si, mas no encontro e na comunhão com os outros. Apenas em relações de amor com os outros a pessoa se pode realizar e possuir plenamente. Na medida em que se amam, os membros da família elegem-se mutuamente como alvo de bem-querer e procuram aceitar-se apesar das diferenças.

É no interior de uma família bem-amada que a natureza humana encontra condições para emergir na sua perfeição máxima. De facto, é no coração da pessoa bem-amada que a Humanidade emerge de forma única, original e irrepetível. De facto, não há duas pessoas iguais. É por esta razão que ninguém está a mais, pois ninguém é uma cópia de alguém que já existe ou existiu.

A família humana é uma imagem perfeita de Deus. A nossa fé diz-nos que Deus é uma comunhão familiar de três pessoas.  Em condições normais, é na família que as pessoas recebem o leque básico dos seus talentos ou possibilidades de humanização. A fidelidade aos talentos recebidos é, como diz o evangelho de São Mateus, a vocação básica do ser humano. Na verdade, a fidelidade aos talentos recebidos na família, pessoa torna-se apta para ser um bom construtor da sociedade e um bom participante da festa da comunhão universal que é a Família de Deus (cf. Mt 25, 14-30).





NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco, 
Calmeiro Matias







24 julho 2015

Apenas



"-Sabes, Marie, não há nada que perceber. Não se deve procurar compreender: tudo é mistério.
Basta apenas viver esse mistério!"
por Marie de Hennezel


23 julho 2015

E Deus dança…

fui ter com meu pai
apresentei-lhe as mãos e disse: dá-me da tua vida a parte que me cabe


meti os pés em descaminho
tropecei
bati de frente
as mãos não me defenderam
cheias que estavam de estrelas cadentes
ocupadas de mim
transbordavam vazias

não se vendem abraços
não se compra Vida

grande era a fome e a sede de Alegria

um dia caí em mim
levantei-me
sacudi o medo, engoli o orgulho
dancei a Esperança com pequenos passos incertos
inventei um caminho novo
corri a recomeçar-me

de longe, o “Amor que é para sempre” passou em corrida por cima da Lei
atirou p’ra longe o cansaço da espera que o tempo não mede e cobriu-me de beijos.

Num abraço renascemos. Um abraço nos devolveu um ao outro. VIVOS!

a FESTA abriu as portas…saiu!
a ALEGRIA pulou por cima dos muros…cantou!
a VIDA espalhou-se em Boa Notícia… dançou!

meu irmão veio de longe
mas ficou longe…
com os pés colados ao chão...



Lc 15, 11-32


BOA NOTÍCIA DE SALVAÇÃO:

Acredito que somos infinitamente amados por um Deus fora-da-lei - corre ao nosso encontro e dança enquanto nos abraça…

Acredito num Deus FELIZ - não guarda memória nem ofensa dos nossos passos mal andados…

Acredito num Deus que nos oferece a Vida como FESTA! Todos os dias!

Mas, na Festa da Vida, só dançam os LIVRES e, na lógica do Seu Reino só entra quem quer…

21 julho 2015

Antes eu preso, do que ter em mim o Evangelho preso.


Quero que saibais, irmãos, que o que me aconteceu resultou em progresso do Evangelho
as minhas prisões tornaram-se conhecidas em Cristo por toda a cidade e por toda parte;
a maioria dos irmãos, encorajados no Senhor pelas minhas prisões, proclamam a Palavra com mais ousadia e sem medo.

É verdade que alguns, entre vós, anunciam Cristo por inveja e teimosia, mas outros há que o anunciam por boa vontade: estes por amor proclamam a Cristo, sabendo que fui preso por causa do Evangelho; 
e aqueles por rivalidade, pensando que isso ia acrescentar sofrimento às minhas prisões. 

Mas que me importa isso? 
Com segundas intenções ou de forma sincera, o Evangelho é anunciado, e com isso eu me alegro!

Fil 1, 12-18


20 julho 2015

ai

Às vezes acontece esperar um dia inteiro por uma palavra, por um piscar de olho.
Sabes que gosto de encontrar-te onde menos te espero. E tu não falhas. 
Esta tarde foi assim que te meteste comigo. Num lugar novo, ouvi o que poderia ter saído da tua boca, naquele dia, quando nos desafiaste as chamar Felizes aos pobres que tudo esperam e a ter dó daqueles que estão fartos. (Lucas 6, 20-26).

Ai "de quem der um ai
sem achar eco em ninguém."

verso de Armindo Mendes de Carvalho

19 julho 2015

O jeito especial de Jesus amar

Deus Santo,
louvado sejas por teres preparado o coração de Jesus
para amar daquele jeito tão especial.

Apesar de ser um homem como todos nós,
ele tinha a plenitude do Espírito Santo
graças ao qual amava à maneira do próprio Deus.

São Paulo diz que o Espírito Santo
é o amor de Deus derramado nos nossos corações (Rm 5,5).
Foi o Espírito Santo que moldou e capacitou o coração de Jesus
para amar com o jeito do próprio Deus.

Certo dia, Jesus explicou aos discípulos
o que significa amar ao jeito de Deus e disse-lhes o seguinte:
o segredo para o ser humano se tornar
verdadeiramente parecido com Deus é amar a todos,
inclusive os seus inimigos.

Por si só, a pessoa humana não é capaz de fazer isto.
Mas quando se deixa conduzir pelo Espírito Santo,
a pessoa passa a ser capaz de amar incondicionalmente como Deus.
Por outras palavras, quando uma pessoa começa a amar os seus inimigos,
isso significa que está amar à maneira de Deus.

Este jeito de amar é um fruto
da acção do Espírito Santo no nosso coração,
como São Paulo ensina na Carta aos Gálatas:
“São estes os frutos do Espírito:
amor, alegria, paz, paciência, benignidade,
bondade, fidelidade, mansidão e auto domínio” (Ga 5, 22).
É verdade que o amor de Deus, em nós,
não substitui o nosso amor; mas optimiza-o,
isto é, torna-o excelente, capaz de chegar onde, por si só,
o amor humano não era capaz.

Deste modo, apesar dos nossos inimigos nos quererem mal,
o Espírito Santo fortalece os nossos corações
ao ponto de nos capacitar para lhes fazer bem.

Isto é muito difícil, mas as pessoas que tomam esta decisão
tornam-se capazes de modificar o mundo.

Em outra ocasião Jesus ensinou isto mesmo,
mas de maneira diferente, dizendo:
“Faz aos outros o que gostarias que eles te fizessem a ti”.

Pai Santo, nós te louvamos por nos teres dado Jesus Cristo.
Ao ressuscitar, ele deu-nos a possibilidade
de comunicarmos de maneira nova com o Espírito Santo,
capacitando-nos para amar de uma maneira nova.
Este jeito novo de amar é o Mandamento Novo de Jesus
e, ao mesmo tempo, um dom do Espírito Santo.

Obrigado, Cristo ressuscitado, pelo dom do Espírito Santo
que nos capacita para amarmos ao jeito de Deus. Glória a ti Jesus Cristo!






NO PRIMEIRO DIA DA SEMANA
Em Comunhão Convosco
Calmeiro Matias








17 julho 2015

Olhar de Frente


Em vário contextos da minha vida, e pelos quais dou muitas graças, aprendi a conhecer as pessoas pelo "fim".

Antes de saber profissões, moradas e/ou preferências aprendi a conhecê-las pelos lados doridos, sofridos, por vezes negros. Aprendi a conhecê-las pelos lados escondidos, proibidos... 

E oh Bom Deus... como eu as amo.... e como me lembro delas com tamanho carinho...
São belas e fazem-me olhar a vida com bons olhos (apesar de esta por vezes ser tão madrasta... como algumas delas dizem).

Esta abertura, simplicidade e partilha fazem-me gostar tanto delas e agradecer os meus dias.
Fazem-me desejar uma partilha entre irmãos cada vez mais verdadeira... menos escondida... menos proibida e/ou julgada...

Ver os nós que se vão desfazendo e o belo que vai surgindo pela simples disposição à partilha, sem medo de ser quem são... é de dar graças...

Por tudo isto Bom Deus, eu acredito no dom da escuta e em como nos devemos dar doridos tal e qual como somos...  Sem sorrisos falseados ou lágrimas proibidas... porque cada coisa tem o seu tempo e este deve ser-nos permitido... 

Claro que eliminando fatalismos e caminhando sempre com a cabeça erguida em direcção à esperança, ainda que durante um tempo caminhemos cabisbaixos...

Mas, às vezes, precisamos de mostrar o quanto a vida carregou...
Fazer uns dias de greve!

Porque só assim acredito que nos curamos uns aos outros, a lavar feridas em gestos como algodão.
Porque só temos dificuldade em aceitar tudo isto quando temos os sentidos pouco entendidos e/ou conhecidos. Quando os negamos e recusamos a fazê-los crescer por causa das dores de crescimento que eles nos causam...

É por isto que, muitas vezes, somos aqueles que negam o choro de um luto (seja ele qual for) ou não aceitamos que o outro se demore na sua cura... porque nos doí enfrentar e abraçar tudo isto de frente... porque não sabemos como ajudar o outro a lidar com os seus problemas...porque frente a um certo problema agiríamos de forma diferente, mas não entendemos que o outro age assim porque o caminho que fez até ali não foi igual ao meu...

Não é um mau caminho... simplesmente é diferente...

Às vezes só precisamos de estar e criar espaço... criar um palco onde o outro possa virar-se do avesso as vezes que precisar até se endireitar e caminhar de rosto erguido... feliz!

A mim, bom Deus, entristece-me quando não somos capazes de aceitar a tristeza e o sofrimento do outro...
Quando sentimos que temos de caminhar, sempre a passar por cima de tudo... que "há mais que fazer"...

E quem diz o do outro, diz o do próprio...
Parece que temos medo de aceitar o sofrimento e de ficarmos presos por lá!
Mas é precisamente na partilha dele (do sofrimento) que nos libertamos e ajudamos o outro a libertar-se também...

É nesta partilha que se esconde uma grande riqueza, acredito...

Bom Deus, que te possamos reconhecer no sofrimento e dar graças por termos tantos irmãos com quem sarar feridas...

Assim, de frente, mão na mão, sem virar costas ou negar-te...
Porque somos frágeis bom Deus, mas contigo somos um frágil bonito!

E contigo aprendemos que aceitar tudo isto não é uma qualquer opção mórbida e/ou deprimida.. mas sim, um lugar de salvação.

Saber ESTAR acredito que é um mandamento teu Bom Deus! E nós ainda sabemos pouco em como fazê-lo ao teu jeito...
Se nós soubesses que no saber ESTAR se devoram tantos papões (se não todos) não havia o que temer...

Graças Bom Deus por aqueles que a mim se deram assim... doridos.
Por confiarem e porque me ensinarem tanto... ainda hoje!

Soubéssemos nós o que se descobre e se cresce com experiências destas, não fugiríamos tanto do outro quando caminha cabisbaixo... Sem dúvida alguma, com todas estas experiências não sou uma pessoa mais deprimida ou triste por isso. Sem dúvida alguma, sou alguém mais feliz.


Graças Bom Deus!


16 julho 2015

(IN)CONFIDÊNCIA - declaração de amor…


Era uma vez um jovem rico, de boas famílias, que nasceu e viveu entre os séculos XVII e XVIII  (1676-1787).
Era uma vez um Vencedor, um Persistente. Também  casmurro  e mau feitio qb (dizem).

Como qualquer um de nós, não nasceu FEITO. Foi-se fazendo e deixando fazer pelo Espírito. E o seu SIM ao Amor de Deus derramado em nossos corações, levou-o a fazer-se de tal jeito que, num tempo cheio de preconceitos e medos, pecados e condenações, chegou ao fim da sua longa vida podendo dizer nunca neguei a absolvição a ninguém.

Era uma vez um homem que se apaixonou pelo Homem, o que está próximo, e deixou  o coração transbordar de Misericórdia: 
- Amou os pobres que vegetavam pelo porto da sua belíssima Nápoles…  
- Cuidou e curou in-curáveis…
- Fez-se pastor das ovelhas perdidas de Scala… ali tão perto da grande cidade…

Era uma vez um homem solteiro que fez família com alguns… e fundou uma Família de MUITOS;  Permanecendo  solteiro, a sua fecundidade estava, e continua a estar, à vista de todos. Até hoje.
Porque a fecundidade de alguém está na quantidade de filhos, irmãos e amigos que se fazem BEM ao longo da História, não para glória própria MAS por causa de OUTRO! Por Amor de Outro… Um OUTRO por Quem este homem rico se fez pobre e suspirava de Amor, dia e noite…

Ao nascer deram-lhe o nome de Afonso… Nós chamamos-lhe Santo! Santo Afonso Maria de Liguori
Tenho para mim que quem recebe, e aceita, a Graça de aproximar a própria vida da vida de gente apaixonada, mais dia menos dia amanhece apaixonado !!!

Foi tudo isto, e muito mais, que levou a Comunidade Redentorista de Gaia a bordar, ao longo de mais de um ano, quadrados de pano, à imagem e semelhança dos tradicionais lenços de namorados, aqueles lenços maravilhosamente coloridos que as moças casadoiras do Minho, mais ou menos na mesma época, começaram a oferecer aos rapazes em quem tinham poisado o olhar.
Elas bordavam flores, barcos, pássaros e versos de amor singelo. Nós também bordámos barcos (não somos daqui! somos andarilhos, peregrinos, viandantes); e pássaros de carta no bico (propomo-nos ser evangelizadores - portadores de Boas Notícias da abundante Redenção do nosso Deus).
Bordámos ainda a data da fundação da nossa Congregação (1732) e a respectiva sigla (CSSR).

Os versos de amor, esses, foram escolhidos alguns de entre os muitossospiri d’amore verso Dio”, pequenas orações que Santo Afonso apaixonadamente rezava ao Grande Amor da sua vida:

Senhor, quem sou eu, para que tanto me ameis e tanto procureis ser amado por mim?

Ó Rei dos corações, reina em meu coração!

Vós não me deixareis. Eu não vos deixarei. Portanto sempre nos amaremos, ó Deus meu! Ó Deus meu!

Meu Deus, eu quero amar-vos verdadeiramente no outro!

Amo mais o vosso agrado que todos os agrados do mundo.


E... São lindos !!!
Na verdade, oferecer uma coisa destas a alguém é uma gentileza que equivalerá sempre a uma declaração de amor!!!



E que gosto maior poderei eu ter que dar-te gosto a ti, meu Deus?

E que gosto maior poderei eu ter que dar-te gosto a ti, meu Deus?

E que gosto maior poderei eu ter que dar-te gosto a ti, meu Deus?

E que gosto maior poderei eu ter que dar-te gosto a ti, meu Deus

E que gosto maior poderei eu ter que dar-te gosto a ti, meu Deus?








            Amor com Amor se paga.

            Amor com Amor se paga.

            Amor com Amor se paga.

            Amor com Amor se paga.

            Amor com Amor se paga.

            Amor com Amor se paga.









Ó Deus, Ó Deus, a quem desejarei amar se não vos amar a vós, minha Vida, meu Amor, meu Tudo?


Ó Deus, Ó Deus, a quem desejarei amar se não vos amar a vós, minha Vida, meu Amor, meu Tudo?


Ó Deus, Ó Deus, a quem desejarei amar se não vos amar a vós, minha Vida, meu Amor, meu Tudo?


Ó Deus, Ó Deus, a quem desejarei amar se não vos amar a vós, minha Vida, meu Amor, meu Tudo?








Ó rei do Céu, fazei-vos também rei do meu coração!

Ó rei do Céu, fazei-vos também rei do meu coração!

Ó rei do Céu, fazei-vos também rei do meu coração!

Ó rei do Céu, fazei-vos também rei do meu coração!

Ó rei do Céu, fazei-vos também rei do meu coração!

Ó rei do Céu, fazei-vos também rei do meu coração!

15 julho 2015

porque somos uma manta de memórias


15 julho 2010
Unidade de Cuidados Paliativos - IPO Porto



O sentido da existência não é prolongar a vida que morre, mas construir a vida que não morre. Não sei quantas vezes te terei ouvido a dizer isto… O Corpo do Homem Novo é Espiritual. Por isso, é Universalmente Relacional e, por ser Pessoal, comunga com todas as pessoas: Humanas e Divinas. O nosso corpo-casca está sujeito às leis da natureza; o Corpo Glorioso ou Espiritual, o Corpo da Ressurreição, modela-se unicamente segundo as leis do Amor e da Comunhão. Por isso, o primeiro mantém-se, até ao grande estertor; o segundo constrói-se, até ao Parto do Homem Novo em que é definitivamente configurado a Jesus Ressuscitado na condição de Filho e Herdeiro. Assim, nele, formando um só Corpo com ele, nos tornamos Filho e Herdeiro! Grandiosa Esperança a nossa…


Hoje ouvimos isto... In memoriam

14 julho 2015


De mochila às costas.
grandes sonhos não trago. muito menos coisas. mas Esperanças!
Daquelas de que são feitos projectos e aquelas com que se concretizam programas.

Nada há de mais firme do que a Esperança.
É como rocha debaixo dos pés. Chão seguro. Sepultura de medos.

Esperança,
Dá-me horizonte para onde olhar.
Olhos abertos atentos aos pequenos sinais,
Ouvidos atentos aos rumores da vida que impregna os dias,

Esperança,
enche o olhar de Beleza e aponta tanta Beleza para onde olhar.

13 julho 2015

não nos podem fazer nada

Simon Hadleigh-Sparks

Sábado à noite [20 de Junho de 1942], meia-noite e meia.

A fim de humilhar são necessários dois. Aquele que humilha e aquele que se quer humilhar e, sobretudo, que se deixa humilhar. Faltando a última condição, a parte passiva é imune a qualquer humilhação, então as humilhações evaporam-se no ar. O que resta são apenas medidas complicadas que intervêm na vida diária, mas nada de humilhações ou repressões que oprimem a alma. Deve educar-se os judeus para isso. Esta manhã passei de bicicleta pelo Stadionkade e desfrutei do vasto céu ali nos limites da cidade e inspirei o ar fresco e não racionado. E tabuletas por toda a parte, que impediam aos judeus o livre acesso aos caminhos e ao campo aberto. Mas sobre aquele pedaço de caminho, que permanece nosso, também existe o céu total. Não nos podem fazer nada, não nos podem fazer realmente nada. Podem tornar-nos as coisas algo complicadas, podem roubar-nos alguns bens materiais, alguma aparente liberdade de movimentos, mas somos nós que cometemos o maior roubo a nós próprios, roubamo-nos as nossas melhores forças através da nossa mentalidade errada. Através de nos sentirmos perseguidos, humilhados e oprimidos. Através do nosso ódio. Através de fanfarronice que esconde o medo. Bem podemos às vezes sentir-nos tristes e abatidos por causa daquilo que nos fazem, isso é humano e compreensível. Porém, o maior roubo que nos é feito somos nós mesmos que o fazemos. Eu acho a vida bela e sinto-me livre. Os céus dentro de mim são tão vastos como os que estão por cima de mim. Creio em Deus e creio na humanidade, e aos poucos vou-me atrevendo a dizê-lo sem falsa vergonha. A vida é difícil, mas isso não faz mal. Uma pessoa deve começar a levar-se a sério e o resto segue por si mesmo. E «trabalhar a própria personalidade» não é certamente um individualismo doentio. E uma paz só pode ser verdadeiramente uma paz mais tarde, depois de cada indivíduo criar paz dentro de si e banir o ódio contra o seu semelhante, seja ele de que raça ou povo for, e o vença e o mude em algo que deixe de ser ódio, talvez até em amor ao fim de um tempo, ou será isto pedir demasiado? Contudo é a única solução.

E assim podia eu continuar, páginas e páginas seguidas. Também posso parar. Aquele pedacinho de eternidade que uma pessoa transporta consigo tanto pode ser tratado conclusivamente numa palavra, ou em dez tomos grossos de um tratado. Sou uma pessoa feliz e louvo esta vida, sim, sim, no ano da Graça de Nosso Senhor, continua a ser de Nosso Senhor, de 1942, que ano da guerra?

Etty Hillesum, Diário 1941-1943